Início GAMES Crítica CRÍTICA – Crown Trick (2020, Team17 e NExT Studios)

CRÍTICA – Crown Trick (2020, Team17 e NExT Studios)

Crown Trick é um estratégico RPG 2D com combates baseados em turnos disponível para PC, Nintendo Switch, Xbox e PlayStation 4

Desenvolvido pela NExT Studios e publicado em parceria com a Team17, Crown Trick é um jogo de aventura RPG, no estilo roguelike animado, com combates por turnos e estratégia interativa de itens de habilidade.

O game foi lançado inicialmente em 16 de outubro de 2020 para PC e Nintendo Switch, mas até o momento não está disponível na eShop brasileira do console híbrido da Nintendo. Em setembro, de 2021, Crown Trick chegou ao PlayStation 4 e aos consoles Xbox via Game Pass.

Confira nossa análise de Crown Trick jogado no Nintendo Switch.

SINOPSE DE CROWN TRICK

Entre em um labirinto que se move à medida que você se move, onde dominar os elementos é a chave para derrotar os inimigos e descobrir os mistérios deste mundo subterrâneo. Com uma nova experiência aguardando toda vez que você entra no calabouço, deixe o poder concedido pela coroa te guiar nesta aventura desafiadora!

O labirinto gerado processualmente garante que você tenha uma experiência diferente toda vez que entrar na masmorra. Mas, diferentemente dos mapas abertos tradicionais, o Crown Trick te deixa presa dentro de uma pequena sala de masmorra para batalhar contra monstros. Sem acesso ao mapa inteiro, você não tem escolha a não ser decidir estrategicamente como planejar um ataque ao inimigo.

ANÁLISE

Crown Trick é um jogo 2D com personagens visualmente bonitos que adota uma estética desenhada, ao mesmo tempo em que foge do comum ao usar elementos de modo curioso, como fazer seu armamento flutuar ao seu lado ao invés de estar empunhado ou em um compartimento nas costas da protagonista, Elle.

Entretanto, os méritos visuais acabam aí. Infelizmente Crown Trick sofre de um sério problema de falta de prioridades, e isso também impacta no visual.

O jogo começa com uma experiência simples e objetiva de tutorial. Nesse momento, você controla Elle e recebe o contexto da história e dos poderes da Coroa (Crown), que acompanha a heroína na jornada. Depois disso, o game peca pelo excesso de informações quando você sequer está ciente dos desafios que lhe aguardam.

Há uma grande variedade de armamentos disponíveis nos labirintos das masmorras que você vai encontrando em baús ou a partir da interação com cristais. Também existem as magias, as habilidades, os atributos, os chefes que você “captura” e passa a utilizar poderes oriundos deles, entre outros recursos.

A falta de priorização da importância das informações, somada à variedade com feedbacks inexpressivos, se torna um problema em Crown Trick
Aqui estou diante de diversas armas, com muitos botões de ação, e sem uma explicação do que é a estação

Você se depara com tudo isso praticamente ao mesmo tempo, sem ter uma real noção dos riscos das batalhas por turno e, principalmente, sem uma real sensação de progresso. Ou seja, parece que tanto faz o que você irá escolher para compor o seu arsenal, pois não há um avanço que justifique perceber os ganhos e as perdas das escolhas que você faz desde cedo em Crown Trick.

Voltando aos problemas visuais causados pela falta de priorização. Há diversas situações em que se torna muito difícil saber o que é realmente importante para sua tomada de decisão. A usabilidade é prejudicada e faz com que exista um botão (ZL – informação de interface) unicamente para que você possa navegar entre ataques e outros elementos em tela para poder ver uma descrição sobre cada um.

Só a existência desse botão já é um indicativo de que Crown Trick juntou muitos recursos e gerou diversos atritos na gameplay. Some isso ao fato de que tudo já está à disposição logo no começo do jogo e você tem um problema ainda maior.

Há também diálogos com apenas uma opção e que você precisa selecionar a única alternativa, quando a fluência ideal e amplamente praticada nos jogos é que o botão de confirmação (normalmente A) confirme e avance a narrativa. Ainda sobre os textos em tela, existem algumas informações com problemas no desenvolvimento, e outras com contraste que dificultam a leitura.

O desenvolvimento procedural dos mapas poderia ser um destaque bem positivo de Crown Trick. No entanto, também por conta da difícil percepção do que é realmente importante na jornada, aproveitar uma possível fluidez de mapas dinâmicos não se torna um atrativo. E mais: torna o jogo repetitivo, principalmente porque faltam feedbacks adequados que mostrem que Elle realmente está progredindo em sua jornada.

Crown Trick é um estratégico RPG 2D com combates baseados em turnos disponível para PC, Nintendo Switch, Xbox e PlayStation 4
Aqui, a caixa de diálogo permanente atrapalha o combate por turnos. Elle está atrás da fala de un personagem que não faz parte do duelo

Apesar dos problemas listados, é importante destacar que o combate por turnos é bem feito. É o verdadeiro ponto alto de Crown Trick. Superadas as frustrações causadas pelo excesso de recursos e informações sem o real entendimento da importância de cada uma, é seguro dizer que as batalhas chegam a ser viciantes.

Os chefes também se destacam, pois suas habilidades diferem de modo significativo, sendo os momentos que realmente exigem estratégia por parte de quem está jogando.

VEREDITO

Crown Trick é um jogo 2D de RPG de combates por turnos que oferece uma experiência mediana. Os pontos que poderiam ser suas grandes virtudes – mapa construído de maneira procedural e dungeon crawler 2D com um forte apelo artístico – acabam contribuindo para uma experiência com atritos causados pelo excesso de informações sem um cuidado para destacar o que é realmente importante.

Nossa nota

2,5 / 5,0

Assista ao trailer de Crown Trick:

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Jornalista pós-graduado em Jornalismo Digital, fã de Mr. Robot, Pokémon e com uma menção honrosa a 24 Horas, o seriado que me fez entrar no mundo de séries e filmes.