CRÍTICA: Expansão de ‘Avatar: Frontiers of Pandora’, ‘From The Ashes’ é aprofundamento de mundo e tudo que o longa não é

    Avatar: Frontiers of Pandora é um dos jogos mais ambiciosos que existem da Ubisoft. O jogo base foi lançado em 2023, mas no dia 19 de Dezembro de 2025 recebeu uma nova expansão chamada de From The Ashes, adicionando mais horas de conteúdo. Segundo a Ubisoft, cerca de 20 horas de conteúdo, e é interessante ressaltar que a DLC foi lançada junto do terceiro filme da franquia.

    Nesse conteúdo não citarei os eventos do filme para não dar spoiler, mas é legal que se complementam. Se você assistiu o filme e ficou naquela hype por Avatar, a DLC expande isso com outro estilo de conteúdo e pode ser o motivo de você estar lendo essa Review.

    Quero começar agradecendo a Ubisoft Brasil pelo envio da chave para produzir esse conteúdo. Eu particularmente gosto do estilo de jogos da Ubisoft e gosto muito dos filmes de Avatar, particularmente mais do primeiro. Foi uma experiência única ir ver um filme 3D no cinema com o meu pai em 2009. Tudo parecia muito mágico e me apeguei ao universo criado pelo James Cameron.

    Quando soube do lançamento de Avatar: Frontiers of Pandora em 2023, eu já tinha uma expectativa para o jogo e me diverti em muitas horas nele. Então, em 2026, poucos dias depois do lançamento da DLC, o primeiro conteúdo que zerei esse ano foi Avatar From The Ashes, e eu preciso dizer que gostei mais do que o jogo base.

    From the Ashes

    Não criticando o jogo base como algo negativo, já que gostei também, mas essa DLC expandiu com muitas novidades, uma história muito boa, um personagem protagonista já completo. Não precisamos interpretar um personagem novo que criamos, temos novas armas, trajes e o melhor de tudo: chegou pouquíssimo tempo depois da atualização mais aguardada, que trouxe a possibilidade jogar em terceira pessoa o jogo todo.

    Eu sou uma pessoa que tem cinetose, aquele enjoo tenebroso em jogos de primeira pessoa. Então essa adição para terceira pessoa me salvou de dores de cabeça e me ajudou a aproveitar ainda mais a gameplay, mas preciso ressaltar que não é uma adição feita de qualquer jeito, não. A troca de câmera é feita de uma forma rápida e funciona muito bem. O personagem responde perfeitamente, sem atrasos, e a movimentação não é estranha. Amei.

    Esse é um jogo que conta com legendas e dublagem em PT-BR, localização completa para nós e, acreditem, o time está de parabéns mais uma vez, pois é uma localização maravilhosa.

    Joguei pelo PC, na plataforma de Ubisoft, e tudo correu bem, sem bugs tenebrosos ou fechamentos abruptos. Bom, eu tenho um PC bem potente, RTX4070, 32GB DDR5 e um Ryzen 7 9800X3D, logo jogar em 1440p, com gráficos lindos e mais de 60 FPS, trouxe uma experiência ainda melhor.

    Precisa jogar o base antes?

    From The Ashes não reinventa a roda, ela funciona como o jogo base funciona, mas adiciona novidades na gameplay e na história para não parecer mais do mesmo, e se passa um ano após os eventos do jogo base.

    O conteúdo, ao todo, pode durar 20 horas de gameplay caso você busque o famoso 100%, no caso dos “complecionistas”. Eu joguei a história principal da expansão e mais algumas missões secundárias, finalizei com cerca de 13 horas de gameplay e me diverti bastante. Dependendo do seu estilo de jogo, da dificuldade selecionada e do seu tempo disponível, essas horas podem ser menos ou mais do que as minhas.

    Eu gostei que essa é uma DLC do tipo que funciona sozinha. Você pode jogar apenas ela e não precisa ter finalizado o jogo base para jogá-la. No começo do jogo há um resumo do que aconteceu no passado, e tudo que vai acontecer dali pra frente pode ser vivido como uma primeira experiência. Então, caso você não queira jogar o jogo base, queria só ver o que o jogo expande depois do filme mais recente, é um conteúdo perfeito.

    So’lek é o protagonista

    From the Ashes

    Eu gostei que dessa vez não jogamos com o protagonista Na’vi Sarentu que criamos. Eu sei que esse tipo de escolha geralmente cria a possibilidade de personalização de personagem e que pode ser uma forma de se apegar a ele como se você fosse esse personagem em si, mas eu também acho super importante jogos que trazem já um personagem com passado, convicções, escolhas, e vemos o mundo do jeito que ele vê.

    Então So’lek foi um acerto maravilhoso. Ele é um personagem bem construído, bem escrito, você se apega a ele, e como é um personagem forte, destemido, que já tem histórico sobre seus feitos e uma personalidade bem firme, é bem gratificante jogarmos com um guerreiro tão importante e que você sente que conseguiria executar todos os feitos durante a gameplay. Não só por protagonismo, mas porque ele realmente faz parte daquele mundo, conhece as terras, sabe como manejar as armas, já esteve em conflitos antes e não é diferente agora.

    O começo é marcado com o território do Clã Aranahe sofrendo diversos ataques em sequência. Incêndios trazendo fogo e cinzas que atingem até mesmo a árvore lar, e tudo que está no caminho vira cinzas: animais, plantas, Na’vi, etc.

    A principal suspeita é a RDA, claro, mas o Clã Mangkwan, liderado por Varang, faz parte desses ataques também, adicionando mais um inimigo para lidarmos. E é interessante que temos Miles Quaritch por aqui, aproximando a conexão com o filme. Ele não aparece, mas manda recados.

    From the Ashes

    O Clã Mangkwan é violento e sente prazer nisso. Se afastaram de Eywa e buscam destruir tudo que os Na’vi consideram sagrado. Eles machucam seus Ikram diante de seus olhos e muitas outras atrocidades terríveis, demonstrando que esse não é um povo com quem é possível dialogar. E infelizmente, mesmo que os demais povos queiram paz, eles se veem em meio a conflitos e precisam reagir. A violência é a resposta e ela é inevitável.

    A essa altura você já entendeu que realmente a DLC não inventa a roda, mas a história cativa e funciona perfeitamente bem com o que é apresentado. Teremos temas difíceis de lidar, ainda mais hoje em dia. Então veremos conflitos familiares, conflitos de guerra, escolhas difíceis e muitas perdas. Personagens que te despertam sentimento de raiva, angústia, mas alguns que também precisam de compreensão, outros não.

    Pandora também é protagonista

    Não podemos falar de Avatar sem citar o seu planeta. Pandora, que era vibrante, linda, iluminada e com paisagens dignas de wallpapers, agora está sofrendo. O jogo continua lindíssimo graficamente falando, um design artístico nos mínimos detalhes e uma atenção belíssima em cada ponto, porém jogaremos uma história onde o povo rival queimou tudo, deixou diversos acampamentos espalhados por aí com rastro de destruição, desrespeito, queima, morte, etc.

    Então a Pandora colorida e linda está devastada e queimada, marcada por pontos de fumaça de incêndios que não param, cinzas deixando tudo literalmente acinzentado, apodrecido e sinais de crueldade. Ainda é tudo muito bem feito? É sim, tem cenários lindíssimos, mas o que domina essa DLC é a destruição causada pelos nossos rivais.

    E falando em rivais, um grande rival de So’lek está presente nessa DLC. O Wukula volta para acertar contas e já no trailer conseguimos perceber a sua presença imponente.

    O combate entrega diversão e novidade

    From the Ashes

    O combate do jogo é clássico, funciona bem como funciona no jogo base, mas o So’lek precisava ser algo novo, né? Ou seria uma skin da nossa Sarentu do jogo base? Então ele tem seu estilo de gameplay, sendo mais rápido e agressivo, se mostrando mais guerreiro.

    Jogar com as armas de fogo ou com os arcos é excelente. Em alguns momentos usar um arco vai te ajudar a se manter furtivo e pode te dar danos elevados, porém com foco em um inimigo por vez na maioria das vezes. Mas as armas de fogo abrem a possibilidade de chegar pela porta da frente, derretendo vários inimigos de uma só vez, e a habilidade especial de So’lek sustenta esses momentos de fúria e adrenalina.

    Podemos usar diversas armas e equipamentos, mas também temos uma árvore de habilidades bem completa para So’lek, melhorando quantas curas podemos carregar, finalizações no chão, no ar, mais tempo de câmera lenta ao mirar, etc. Não é novidade essa parte, faz sentido no jogo e combina com o personagem as habilidades que podemos adquirir.

    Similar a outros jogos, principalmente jogos da Ubisoft

    O game tem a jogabilidade similar a Far Cry e por isso suas comparações são inevitáveis, mas Avatar entrega um mundo diferente. Esse jogo é absurdamente lindo, apesar das condições do mapa nessa história, conta com diversas músicas marcantes e que cativam ao longo da gameplay, o combate é satisfatório, responsivo, e a exploração é boa.

    Eu gostei muito do ritmo da gameplay e do tempo que tem de jogo, pois isso tornou tudo mais urgente. A gente precisa ir logo salvar as pessoas, investigar as bases, cortar os suprimentos da RDA, etc. É dinâmico e rápido, você não para, e o jogo consegue te manter imerso, buscando não te enjoar, algo que é uma reclamação frequente em jogos da Ubisoft.

    Já que sim, esse é um jogo muito parecido com outros muitos jogos. Por exemplo, no vídeo que fiz sobre, uma pessoa comentou que ele lembra Far Cry, principalmente o Far Cry Primal, mas também lembra Horizon Zero Dawn e outros títulos. Bom, essa pessoa não está nenhum pouco errada.

    Esses dois jogos são jogos que eu gostei tanto que platinei. Geralmente não sou a pessoa das conquistas, particularmente amei platinar Horizon, mas apesar de ter amado jogar Far Cry Primal, não gostei da busca pela sua platina, por algo que você já deve esperar: conteúdo repetitivo e cansativo. Então é notável a busca por te entreter de forma divertida, sem te dar sono, e esse jogo consegue!

    Toda a sequência de From The Ashes vai tentar te fazer variar na gameplay, seja ela no chão, no ar, explorando cavernas, enfrentando criaturas do seu tamanho ou muito maiores que você, personagens que atacam apenas à distância e aqueles que você enfrenta cara a cara, sempre buscando não te entediar. E isso ajuda, já que muitas das vezes vamos invadir uma base, depois outra base, depois outra, outra, e fazer isso de formas e pontos diferentes torna tudo muito melhor.

    Se comparado ao jogo base, essa aventura é mais contínua, mas na medida certa. Tipo uma dose de filmes de ação e sci-fi para sair por aí sendo o protagonista épico que vai salvar seu povo, que é admirado e respeitado pelas escolhas que faz.

    Um destaque para os chefes

    Chefes sempre marcam passagens importantes do jogo e aqui temos alguns, algo que fazia falta no base. Geralmente vamos enfrentar o povo Mangkwan como chefes, eles são diferentes e exigem que você mude como jogar. O boss final é bem divertido, e um dos “bosses” grandes que temos no meio do jogo tem uma das melhores sequências de Avatar: Frontiers of Pandora como um todo.

    Então é legal a adição de bosses que te ajudam a imergir no jogo, representam desafios divertidos de serem superados e também adicionam interseções que condizem com nosso protagonista. O que deixa um pouco a desejar são inimigos comuns, em poucas horas você já viu todos os que estarão presentes na gameplay toda, e os Mangkwan, que são tipo inimigos de elite adicionados por aqui, ficam sem graça depois da terceira ou quarta luta.

    Conclusão

    Gosta de Avatar? Gostou do jogo base? Gosta de jogos dentro da fórmula de sucesso da Ubisoft? Você vai gostar de From The Ashes. A expansão traz novidades, melhorias, um personagem já bem estabelecido, história boa, um ritmo que não deixa a peteca cair e consegue ser tão boa quanto o jogo base. O tempo de jogo ajuda muito a não se alongar demais na proposta, o que define a parte de “gameplay na medida certa”.

    Pode ser jogado à parte do jogo original, funciona perfeitamente sozinho. Caso você não queira rejogar o game base todo, e caso você já tenha jogado o game base e não foi tão pego pela sua aventura, talvez a DLC não te convença mesmo. Recomendo para aqueles que já estão dentro do guarda-chuva de fãs de Avatar.

    Nossa nota

    Confira o trailer do game:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

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