CRÍTICA – Outriders (2021, Square Enix)

    O jogo Outriders, desenvolvido pela People Can Fly (o estúdio polonês responsável por Bulletstorm e Gears of War: Judgement) e distribuído pela Square Enix, foi lançado em primeiro de abril de 2021 (a data diz algo sobre o jogo? Talvez) e já trouxe bastante o que falar desde o seu início.

    O game é basicamente um looter shooter, a famosa fórmula de TPS (ou jogo de tiro em terceira pessoa) com elementos de RPG e exploração – lembra bastante Destiny. Recebemos o game em sua versão para PlayStation 4, e é sobre ela que minha opinião repousará. Antes de escrever esta crítica, confesso que titubeei e busquei entender os motivos para o jogo não ter me cativado tanto de início.

    RESUMO

    Outriders é um TPS dinâmico com muitos elementos de RPG, tais como classes (4 ao total), árvore de habilidades (bastante completa), variedades de armas (classes e modelos), além de um sistema de craft que permite uma maior customização ao estilo de cada um.

    Com uma temática pautada sobre um futuro distópico somado à viagens espaciais, Outriders consegue inovar em um campo já bastante explorado, trazendo nuances interessantes e reflexões válidas. Apesar de ser um RPG, não há muita opção de alterar a história, e apesar de escolhas, a campanha é bastante linear e não traz elementos que saltem aos olhos. Vale ressaltar a boa dublagem em português em todas as falas do game (algo que ultimamente tem sido esquecido em alguns títulos AAA.

    Em vários momentos, percebi que para tentar tirar o máximo de cada um dos estilos que compõe Outriders, o jogo “muda” e cria situações específicas para cada modo. São nítidos os momentos em que o jogo foca na exploração, assim como fica nítido (até mesmo no level design) quando surgem arenas a medida que avançamos, que o combate será inevitável. Desta forma, destacarei cada um dos momentos como os tópicos deste texto.

    COMBATE

    É justo que este seja o tema inicial, já que é praticamente o principal do jogo. A maior parte do tempo em que estive em Enoch (o planeta onde o jogo se passa), foi descarregando minhas armas em hordas de criaturas e inimigos de todo o tipo. Eis aqui um ponto a valorizar: a variedade de criaturas é boa e traz novas experiências a medida que avançamos.

    O level design das arenas para estas situações de combate é bem feito, lembrando muito (principalmente devido às mecânicas) títulos da franquia Gears of War, com armas robustas, muitas barreiras para cobertura e utilitários para auxiliar na luta. No entanto, apesar dos desafios e das hordas aumentarem a medida que o nível de dificuldade crescia, o jogo não conseguiu prender minha atenção neste quesito.

    ELEMENTOS DE RPG

    O que vemos em Outriders é uma variedade de classes enxuta: quatro ao total. Technomancer, Trickster, Pyromancer e Devastator. Apesar de relativamente poucas classes, o jogo soube tirar proveito de cada uma com suas gigantescas árvores de habilidades. A grande gama de formas de personalizar nosso personagem e escolher como ele evoluirá merece destaque, sendo este um dos principais elementos de RPG.

    A necessidade de exploração por itens e recursos não é um ponto principal do jogo, já que os loots são constantes e bastante honestos, o que tira um pouco o propósito de todo o sistema de craft. Ainda assim, ele é bem construído e não é abusivo, exigindo uma quantidade honesta de materiais conforme cada melhoria ou criação desejada.

    MODO ONLINE E COOPERATIVO

    Outriders

    O jogo é totalmente online, e portanto, exige uma conexão com a internet, mesmo que optemos por jogar no modo singleplayer e sem desejar acesso a nenhum recurso online. Este foi um dos problemas principais durante as primeiras semanas de jogo, onde jogadores não conseguiam acesso aos servidores de Outriders ou demoravam muito tempo até conseguir encontrar um.

    Desde o último patch, a conexão aos servidores está bem mais facilitada (talvez por melhora nos servidores ou então por evasão de players), deixando de ser um problema. Apesar disto, surgiram alguns novos bugs envolvendo a perda total de inventários de jogadores com mais de 50h de campanha.

    Apesar de eu não ter explorado os recursos do modo competitivo, percebi assistindo à algumas streams que se trata de um modo bastante divertido, permitindo algumas combinações de habilidades entre classes, o que agrega muito na diversão e sinergia de equipes. A dificuldade tende a escalar conforme número de jogadores e seus respectivos níveis, o que torna o jogo ainda amigável aos que desejam uma campanha solo.

    VEREDITO

    Em suma, Outriders está recheado de elementos que me agradam, além de uma boa história, e deveria ser um dos meus jogos favoritos. Mas não é. Talvez tenha sido a demora nas telas de loading (bastante frequentes), as quais geralmente eram sucedidas por uma cutscene, e depois, mais uma longa tela de loading.

    Sobre isto, percebi que os desenvolvedores tentaram otimizar esta perda de tempo, reduzindo a qualidade gráfica e o tempo de renderização (pelo menos na versão que joguei). Se gráficos não são tão importantes quanto diversão e dinamismo do jogo, esta pode ser uma melhora significativa.

    Ainda com esta melhora, percebo que falta uma “liga”, um propósito, ou o que alguns chamam de “mojo”. Pode que a pegada sci-fi, futurista e espacial não tenha me cativado. Ou talvez a fraca concatenação destes elementos, deixando buracos durante o aproveitamento do jogo que me fizeram perder o interesse em querer explorar Enoch em sua vastidão. E sou franco em dizer que esta pode ser só a minha percepção do game, e que muitos possam adorá-lo. Mas ainda assim, ao menos por enquanto, Outriders não é o “triple A” que eu recomendo o investimento dos tão suados quase 280 caraminguás.

    Talvez numa promoção, talvez no Gamepass da Microsoft, talvez após alguns patches e otimizações. É possível. Tem ótimos elementos e bastante potencial. Mas ainda não.

    Nossa nota

    3,0 / 5,0

    Assista ao trailer:

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