CRÍTICA – Weird West (2022, Devolver Digital)

    Das mentes geniais do indie Wolfeye Studios, impulsionadas pela excelente Devolver Digital, surgiu Weird West. Lançado no dia 31 de março de 2022, chegou até nós no fim de abril e desde então tem gerado um rebuliço neste redator.

    É engraçado como o título expressa muito bem o que se pode esperar do jogo. Weird West nos lança em um Velho Oeste muito estranho. Estranho, aqui, usamos para definir exatamente o quão incomum e inesperado é o ambiente deste game.

    Weird West está disponível para PC, Xbox e PlayStation. Esta crítica foi baseada em uma experiência através do PC, utilizando mouse e teclado.

    SINOPSE

    Sobreviva e desvende os mistérios do Weird West através dos destinos entrelaçados de seus heróis incomuns em um simulador imersivo dos co-criadores de Dishonored e Prey.

    Descubra uma releitura de fantasia sombria do Velho Oeste, onde homens da lei e pistoleiros compartilham a fronteira com criaturas fantásticas.

    Viaje pela história de um grupo de heróis atípicos, transformados em lendas pelas decisões que você toma em uma terra implacável.

    Cada jornada é única e adaptada às ações realizadas – uma série de aventuras de alto risco, onde tudo conta e o mundo reage às escolhas que você faz. Forme um pelotão ou aventure-se sozinho em um confinamento sobrenatural do Weird West e torne cada lenda sua.

    ANÁLISE DE WEIRD WEST

    Antes mesmo do famoso Red Dead Redemption (Rockstar Games) ser lançado em 2010, eu já me aventurava por histórias do velho oeste com Gun (2005), da Neversoft e Call of Juarez (2007), da Ubisoft. Mas apesar da experiência prévia, confesso que nunca vi algo tão estranho quanto Weird West (perdão pela redundância). Talvez o que mais se aproximou tenha sido a DLC Undead Nightmare do game da Rockstar.

    Mas, ainda assim, o que vemos nesta obra do Wolfeye Studios é algo muito mais denso e impressionante. A ousadia de misturar a temática sobrenatural no Velho Oeste com uma trama bastante imbricada e variável é de assustar qualquer desenvolvedor de jogos mais conservador.

    Temática

    Em um Velho Oeste tão problemático quanto diverso, em meio a cultistas, criaturas fantásticas, aberrações e muito sangue, somos inseridos em uma sala com cinco retratos. Cinco silhuetas que estão ligadas por uma marca. Cada uma destas figuras são os personagens que controlamos à medida que a história avança.

    E é embebido em mistério e uma estranha magia que o jogo se desenrola. A história frequentemente oscila entre o horror e a sátira, com um sistema de decisões que importam para o destino de tudo no mundo de Weird West, dando um peso maior para cada passo neste vasto cenário.

    Jogabilidade

    Misturando elementos de RPG tático com ação em tempo real, e apesar de ter cenários limitados espacialmente, Weird West convida e muito à exploração. Mas é sempre bom lembrar que toda a escolha tem um preço. Ainda que o jogo ofereça uma liberdade quase irrestrita por seu mapa e cenários, ele adiciona em alguns casos e missões a restrição de tempo. Desta forma, o senso de urgência lapida a exploração, geralmente limitando a coletar apenas o necessário para seguir viagem.

    Das mentes geniais do indie Wolfeye Studios, impulsionadas pela excelente Devolver Digital, surgiu Weird West. Confira nossa análise.

    Com uma significativa variedade de armas e formas de combate, desde o mais agressivo ao mais furtivo, o jogo pode ser aproveitado da maneira que mais lhe convier. As teclas e atalhos para ações ou habilidades especiais, por serem muitas, são um pouco confusas no início, mas o aprendizado é gradual e compensa no avançar do jogo (talvez jogando pelo controle seja mais intuitivo).

    O jogo consiste em duas formas de interação. Uma em cenários, outra pelo mapa.

    Os cenários variam entre localizações fixas e preestabelecidas (ganhando um marcador no mapa ao serem descobertas) e os cenários de encontros aleatórios. Esses últimos são gerados ao acaso e proceduralmente, ainda que seguindo uma base limitada de presets para essa geração. Vale ressaltar que, desde o início da minha experiência até o momento desta crítica, já houve alguns patches de atualização em que foram lançadas novas opções para estes tipos de encontros.

    Árvore de habilidades, sistema de níveis e loot

    Ao contrário da maioria dos jogos de RPG, onde existe um sistema de experiência com base em eliminações ou conquistas, em Weird West ele está atrelado muito mais à exploração. O aumento de nível se dá através do encontro em Relíquias de Nimp e Ases Dourados. Cada uma influencia uma árvore diferente de habilidades.

    As Relíquias de Nimp, quando acumuladas, permitem o desbloqueio de habilidades específicas do personagem (classe) ou de armas. Estas só são aplicadas nos personagens de maneira isolada, ou seja, se mudarmos os personagem, estas habilidades não são transferidas.

    Por sua vez, os Ases Dourados, ou Ases de Espada Dourados, servem para desbloquear habilidades passivas, como velocidade enquanto agachado, quantidade de vida, altura do salto, e outras características semelhantes. Estas, ao contrário das anteriores, são compartilhadas com todos os personagens.

    A variedade de itens e suas qualidades é bastante vasta e podem influenciar bastante na sua gameplay. Neste caso, habilidades e itens convergem pelo fato de que tanto Relíquias ou Ases, como boas armas ou outros itens valiosos, podem ser encontrados nos lugares mais inusitados do Weird West. Desde um caixote jogado no meio da rua até a mesa de cabeceira de um sacerdote da igreja de uma pequena vila.

    O convite à exploração está feito.

    Arte da árvore de habilidades de Weird West

    Arte

    Com um estilo gráfico bastante arrojado, Weird West se destaca em seus traços cartunescos e com sua paleta de cores vivas, utilizando do improvável para criar combinações muito chamativas. O jogo de sombras e o trabalho de iluminação (que inclusive influencia na gameplay) colaboram com a trama densa para tornar o jogo ainda mais imersivo.

    Além disto, na medida exata, a trilha e os efeitos sonoros são fundamentais para dar o tom certo ao jogo. Como Weird West oscila muito entre o terror e o cômico, o que prepara para cada momento é justamente a trilha. Com elementos característicos de westerns, ela nos faz passear pelos vastos desertos com a tranquilidade de estarmos sozinhos no meio do nada, trazendo a sensação de que talvez não estejamos tão sozinhos assim.

    VEREDITO

    Trouxe em minha análise vários aspectos positivos na minha experiência em Weird West, mas não trouxe nenhum ponto negativo. Não digo que não houve (inclusive citarei alguns na sequência), mas nenhum deles conseguiu ter magnitude suficiente para ser tão relevante quanto os demais pontos da análise.

    O fato de mais um jogo indie ter uma boa tradução para o português brasileiro já dá muitos pontos a Weird West na minha lista (vocês sabem o quanto isso mexe comigo). Digo boa porque justamente um dos deslizes do game são alguns problemas de programação das variações idiomáticas, o que gera respostas de erro de console surgindo em meio ao texto da narrativa.

    Algumas vezes também me deparei com alguns bugs da inteligência artificial. Seja ela me identificando através de paredes sem janelas enquanto andava furtivamente ou também eu no meio de um tiroteio passando totalmente despercebido.

    São situações bastante estranhas, mas é o Weird West, não? Brincadeira. Não vou passar esse pano assim. Mas esses bugs não atrapalham tanto porque depois do primeiro, comecei a usar mais seguido o salvamento automático e sempre que rolava algum problema, resetava e seguia.

    Os vários bugs poderiam ser um problema e derrubar bastante a minha avaliação para este game. Porém, perceber que a equipe está empenhada em trazer atualizações e otimizações, buscando ouvir a comunidade e manter o jogo vivo, renova as esperanças.

    Enfim, Weird West é um jogo com qualidade muito acima da média, oferecendo uma gameplay de pelo menos 15 horas, podendo chegar tranquilamente ao dobro caso queira explorar bem o mundo e suas missões secundárias.

    Em termos de valores, o jogo em seu preço cheio beira os R$ 100 em suas versões para o PC, e chega a variar entre R$ 150 (Xbox) e R$ 200 (PS) nos consoles. Vale lembrar que atualmente existem promoções no Steam para o game, além do mesmo estar também disponível no Game Pass.

    Nossa nota

    4,5 / 5,0

    Confira o trailer de Weird West:

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