Início QUADRINHOS Artigo Noites Sombrias #10 | Conheça a história de Junji Ito

Noites Sombrias #10 | Conheça a história de Junji Ito

junji ito

Como um protético dentário se torna mangaká? Provavelmente, apenas, Junji Ito consiga explicar, já que os mangás do ex-protético são feitos com inegável maestria. 

Se você tem o costume de passar bastante tempo na internet, provavelmente, já ouviu falar desse nome. Apesar, de Ito não ser considerado ainda um artista mainstream, o japonês possui fãs que são completamente obcecados por suas obras.

Seria isso um ótimo enredo para mais um conto de terror? Talvez, porém a certeza que temos hoje é que você saberá muito mais sobre esse homem, que ultimamente está causando tanto burburinho mesmo não sendo do BTS.

BIOGRAFIA

Nosso artista em questão nasceu no dia 31 de julho de 1963, em Gifu, no Japão. Desde criança foi influenciado pelas suas irmãs desenhistas, como também por Kazuo Umezu, Shinichi Koga e H. P. Lovecraft, porém, sempre considerou seus desenhos como um passatempo.

Por volta, de 1987, Junji Ito que até então trabalhava como protético dentário, resolveu mostrar sua obra mais famosa, Tomie, em um concurso onde Kazuo Umezu era um dos jurados.

Assim, passou a ganhar bastante notoriedade no Japão, sendo considerado o escritor e desenhista especialista no gênero terror.

Obras como Gyo, Mimi no Kaidan, Black Paradox e Voices in The Dark, por exemplo, foram criados pelo grande autor.

O NOVO MESTRE DO MEDO

Particularmente, tenho preferência por obras japonesas ou coreanas quando o assunto é causar medo. Mas, a habilidade do Junji Ito vai além, já que o autor consegue trabalhar perfeitamente com o terror e o horror. 

Oh! Feededigno, qual é a diferença? Não é tudo a mesma coisa?” Ah, não! Terror é quando a obra cria um medo imaginário utilizando de gatilhos nas narrativas ou pequenas tensões visuais, portanto, o medo é criado através da ansiedade que o autor plantou em você.

Quando falamos em horror, trata-se de algo totalmente grotesco e nojento, lida com a repulsa, causando um desconforto tão grande que quem lê ou assiste não aguenta mais olhar.

Um exemplo disso é no conto The Enigma of Amigara Fault, em que conta sobre buracos que surgem na montanha Amigara. O que é bastante comum, porém, essas deformações possuem o formato de corpos humanos, então causam tanto estranhamento, que pessoas viajam milhas e milhas para irem até o local.

E aqueles que encontram a forma dos seus próprios corpos na montanha,  ficam totalmente obcecadas. 

Pronto, o terror já está instalado. Como assim em um lugar qualquer tem uma cratera com as exatas proporções do seu corpo? A partir desse ponto, a história evolui para cenas grotescas dignas do horror.

O NOME DELA É TOMIE

Todo artista possui sua musa, certo? Assim, como Leonardo da Vinci criou Monalisa, Ito fez Tomie, sua musa, a personagem que aparece em diversas histórias. 

Sua origem começa quando um professor reconforta seus alunos, após a morte brutal de uma jovem que foi morta e esquartejada, no mesmo momento, é interrompido pela garota em questão. 

Seu nome é Tomie Kawakami, e está vivíssima na porta da sala pedindo desculpas pelo atraso, como se nada tivesse acontecido.

Além, da trama de sua origem ela aparece em outras obras do autor; a mais conhecida conta sobre um pintor que conhece uma garota e fica totalmente obcecado, que sente a necessidade incontrolável de pintá-la.

Portanto, Tomie é a figura enigmática que sempre aparece para os homens. Com assuntos e sensações cada vez mais comuns do dia-a-dia como obsessão, inveja, luxúria, ciúmes, etc.

ESTÁ TUDO NA SUA CABEÇA

A maior ferramenta do Junji Ito é saber pegar um trauma, sentimento ou alguma tensão psicológica para trazer o medo a superfície e torná-lo palpável.

Todas as suas obras são com base em sensações comuns que estão na mente de qualquer um, como obsessão, o que é o caso de Uzumaki, ciúmes quando novamente Tomie aparece, depressão que está presente em Black Paradox entre muitos outros.

Então, quem lê só consegue pensar o quanto aquilo poderia acontecer, quando o leitor está com essa ideia fixa na mente, Ito com uma enorme habilidade desenhista coloca cenas totalmente nojentas e repulsivas.

Portanto, se você ama obras tanto de terror quanto de horror, precisa ler os contos de Junji Ito, mas aconselho fazê-lo de dia e com companhia. Depois não diga que não avisei.

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Carioca do interior, imigrante em BH que ama desenhar e apreciadora de cerveja de buteco, que luta para não falar "uai" e não falar muito mas acaba falhando; tipo agora.