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CRÍTICA – Semente de Sangue (2021, Gabriel Yared)

CRÍTICA - Semente de Sangue (2021, Gabriel Yared)

Semente de Sangue é o primeiro romance de Gabriel Yared, além de primeiro romance publicado pela Corvus; é uma história sombria, repleta de folclore e cultura nortista.

O autor macapaense, nasceu em maio de 2000 é amante do terror e da fantasia, escreve desde os nove anos e aos 18, sob influência de autores como Edgar Allan Poe, Machado de Assis e Rachel de Queiroz, escreveu seu primeiro conto de terror, Olho de Gato. A partir de então, encontrou o gênero de escrita preferido.

Yared teve contos selecionados para antologias de ficção científica, terror, horror e romance, gêneros nos quais sempre busca expressar sua origem nortista e suas vivências como LGBTQIA+.

SINOPSE

Depois da morte do pai, de quem não tem boas lembranças, Carlos e Adriana estão de volta à sua cidade natal para o velório. O que deveria ser a última despedida do passado infeliz em Mazagão Velho, torna-se uma perigosa aproximação de fantasmas há muito esquecidos.

Enquanto Carlos confronta decisões que impactarão diretamente o futuro da fazenda e das famílias que dependem dela, sente o passado e a culpa o consumirem por um crime que não cometeu. Thiago, seu filho, está determinado a descobrir a origem sombria das tragédias que acompanham a família. E, à medida que se aproxima a tradicional festividade de São Tiago, Madeleine, filha de Adriana, se vê cada vez mais consumida por forças plantadas com uma injustiça de séculos sob aquelas terras.

As sombras sussurram ao redor dos Guimarães, chamando-os para perto do antigo poço.

ANÁLISE

Encantado pela tradição religiosa e história de Mazagão Velho, Gabriel Yared viu potencial para ambientar uma ficção fantástica e sombria com elementos folclóricos da Amazônia, abordando também os reflexos do colonialismo para a formação de uma sociedade que, ainda hoje, é homofóbica e racista. A narrativa surgiu a partir do desejo do autor de se ver representado em histórias de fantasia e terror em sua própria terra e com protagonismo LGBTQIA+.

Semente de Sangue tem como cenário o distrito de Mazagão Velho, interior do Amapá, e narra a história de uma família descobrindo sombras em seu passado, cujas cicatrizes ainda abertas se originaram do tempo em que havia senhores e escravos.

A obra é produzida pela Editora Corvus e editado por Alec Silva, autor e editor baiano de ficção e finalista do III Prêmio da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror (ABERST), além de contar com as ilustrações de Giann Carlos Monteiro, desenhista, musicista e acadêmico de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).

VEREDITO

Não é de hoje que autores de horror trazem o gótico (um gênero de origem europeia) para seus próprios territórios e momentos históricos locais.

O período colonial com sua violência entre colonos europeus e escravos do continente africano é o centro do conflito, a origem do horror e a busca por vingança.

Aqui, Gabriel Yared não apenas traduz para a realidade colonial, como mergulha no território a qual história se passa. Ficção e história nos mostra o passado e presente através de costumes, comidas típicas, fauna, flora e claro, crendices do território amapaense.

Para os fãs de ficção histórica e do gênero do horror, Semente de Sangue pode ser uma boa pedida, porém com uma escrita um pouco mais rebuscada, a leitura pode não ser tão fluida para alguns.

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Nossa nota

3,0 / 5,0

Editora: Corvus

Autor: Gabriel Yared

Páginas: 342

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