Início QUADRINHOS Crítica CRÍTICA | O Mundo Sombrio de Sabrina – Vol. 1 (2019, Geektopia)

CRÍTICA | O Mundo Sombrio de Sabrina – Vol. 1 (2019, Geektopia)

CRÍTICA | O Mundo Sombrio de Sabrina - Vol. 1 (2019, Geektopia)

Aqueles que nasceram nos anos 90 se divertiram muito assistindo a série de TV Sabrina, Aprendiz de Feiticeira que conta a história de uma adolescente bruxa tentando lidar com esse lado dela e a vida de uma garota normal.

No programa existia o gato Salém um personagem debochado e sarcástico fazendo com que fosse o principal fator cômico, algo que não tem na HQ, que aborda a parte mais sombria de Sabrina.

A HQ O Mundo Sombrio de Sabrina é escrito pelo premiado roteirista Roberto Aguirre-Sacasae (Archie: Mundo dos Mortos, Riverdale), desenhada por Robert Hack (Doctor Who, Arquivo X) e publicada aqui no Brasil pela editora Geektopia.

ANÁLISE

A trama do quadrinho é em torno da vida da Sabrina, uma adolescente de 16 anos criada por suas tias que ensinam tudo referente ao lado bruxa, enquanto isso, tenta lidar com as questões de uma adolescente humana, já que a personagem fica entre esses dois mundos.

Um fator muito interessante e diferente da série da Netflix, é que na HQ os personagens são mais trabalhados na dualidade do ser, ou seja, eles não são completamente bons ou completamente maus, fazendo com que eles sejam mais complexos.

Isso fica bem óbvio quando explica a história dos pais da bruxinha, que é contada de forma mais aprofundada e deixando apenas um leve mistério sobre o que aconteceu.

Ao nos aprofundarmos mais sobre o drama dos pais de Sabrina há uma incrível ligação à personagem da Madame Satã, que quando entra na trama consegue colocar mais situações macabras e sensuais que é algo bem presente nas figuras das bruxas.

Para Roberto Aguirre-Sacasae, ao definir sua obra fica bem claro qual é sua intenção e os fãs de Sandman notarão facilmente as referências, bem como a outras obras de terror:

“Sabrina é minha carta de amor a Sandman.”

Outra referência é nos diversos momentos em foi introduzido letras de música ligando a personagem com a história, um artifício que Neil Gaiman utilizava bastante em Sandman, em que o Roberto soube usar com a mesma maestria.

Como nas obras do selo Vertigo, aqui Aguirre-Sacasae soube equilibrar muito bem os momentos de terror, elaborando uma obra bem mais macabra que a série e colocando elementos de fantasia, satisfazendo os fãs deste tipo de conto e transformando a leitura mais intrigante e viciante.

Os acontecimentos das vidas de Sabrina são ambientados em 1960, isso é um ponto crucial para entender a estética da HQ, algo que o cartunista Robert Hack soube lidar muito bem.

É possível identificar um trabalho bem feito ao deixar bastante retrô, tanto nos elementos que imitam aspectos dos quadrinhos de papel mais antigos, quanto nos traços dos ambientes e naqueles que estão nas expressões dos personagens.

Hack, escolheu laranja para ser a cor predominante nas ilustrações, algo muito interessante pela forma com que foi utilizada; além de utilizar as cores marrom e preto para fazer efeitos de sombras para aumentar o nível de terror.

Porém, a saturação do laranja conforme vai avançando na leitura incomoda, causando um certo cansaço na vista, esse problema foi resolvido quando a história se aproxima do fim.

VEREDITO

Com um texto bem construído e equilibrado, ilustrações bem feitas, Roberto Aguirre-Sacasae e Robert Hack, conseguiram entregar uma obra que agrada muito aqueles que gostam de HQ de terror.

É uma leitura que prende bastante, se tornando viciante e proporcionando uma grande curiosidade em ler o próximo volume da série.

Nossa nota

4,0 / 5,0

Editora: Geektopia

Autores: Roberto Aguirre-Sacasae e Robert Hack

Páginas: 160



Curte nosso trabalho? Que tal nos ajudar a mantê-lo?

Ser um site independente no Brasil não é fácil. Nossa equipe que trabalha – de forma colaborativa e com muito amor – para trazer conteúdos para você todos os dias, será imensamente grata pela sua colaboração. Conheça mais da nossa campanha no Apoia.se e nos ajude com sua contribuição.

Artigo anteriorCRÍTICA – Os Sete (2016, André Vianco)
Próximo artigoCRÍTICA | Saga – Vol. 1 (2014, Devir)
Carioca do interior, imigrante em BH que ama desenhar e apreciadora de cerveja de buteco, que luta para não falar "uai" e não falar muito mas acaba falhando; tipo agora.