Início SÉRIE Crítica CRÍTICA – Arcane (1ª temporada, 2021, Netflix)

CRÍTICA – Arcane (1ª temporada, 2021, Netflix)

Arcane

Arcane é uma série de animação da Netflix sobre o universo do jogo online League of Legends, a produção em parceria com a Riot Games é animada pelo estúdio Fortiche.

SINOPSE

Arcane reconta as histórias de origem dos personagens de Piltover e Zaun. A trama gira em torno de uma tecnologia mágica conhecida com hextec que dá a qualquer pessoa a habilidade de controlar energia mística e essa ferramenta acaba causando um desequilíbrio entre os reinos. 

ANÁLISE

É fato que Arcane poderia ser uma série feita somente para os fãs do game League of Legends, no entanto, a produção extrapola suas limitações e chega ao grande público de forma coesa e impressionante. Logo, Arcane se consagra por sua narrativa profunda que a todo momento diz algo e também por sua animação exuberante que mescla diversas técnicas para formar um belo visual. 

Dessa forma, a animação da Netflix  em parceria com a Riot Games e animada pelo estúdio Fortiche mostra em nove episódios que qualquer um pode apreciar essa história. Um dos grandes feitos da Netflix com Arcane foi disponibilizar a série aos poucos, a cada semana, três episódios eram lançados, contabilizando ao final nove episódios. 

Logo, a série animada dá o tempo necessário para que o espectador sinta seus acontecimentos e construa um imaginário muito além do que é apresentado em tela. Isto é, tendo em vista, que o que é exposto já é por si gigantesco. Parecer haver em Arcane sempre mais espaço para o descobrimento daquele mundo, e isso em aspectos de narrativa é incrível, pois se uma produção reverterá em nossos pensamentos após a muito subido os créditos, significa que cumpriu o seu papel. 

Dessa forma, Arcane traz um mundo mágico e tecnológico, onde as diferenças de classes são o grande fervor da trama e é nessa semelhança com a realidade, que a produção cresce. As cidades de Piltover e Zaun evidenciam uma grande desigualdade social, se a primeira é a cidade do progresso, a segunda é a cidade da violência e da marginalização. 

Todavia, são os personagens de Arcane que desarmam as aparências visuais entre as duas cidades. No primeiro episódio acompanhamos as irmãs protagonistas Vi e Powder e seus conflitos que a levam a uma separação abrupta. Cada uma segue seu caminho, mas são no encontro com outros personagens, tão importantes quanto, que percebe-se o texto exímio de Arcane.

As decisões de Vi e Powder, esta que mais tarde se torna Jinx, feitas na subperiferia causam efeitos em outros personagens; como os cientistas Jayce e Viktor que estão em Piltover, e vice e versa.  Logo, Arcane constrói um universo, onde as ações realmente causam reações, sejam para o bem ou para o mal. Mais do que isso, é uma produção que apesar de ter em sua fórmula vilões e mocinhos, não os trata como meramente o bem contra o mal.

A certa dualidade nas ações de Jinx, ao passo que suas escolhas elevam a trama da série, ao mesmo tempo que a opção de Jayce em continuar estudando a magia também é um fator decisório para a série. Da mesma forma que a relação entre Vi e Caitlyn não precisa de grandes explicações para deixar ótimas impressões. Muito de Arcane também está no subtexto, no que não é dito, mas é sentido pelos personagens e que de certa forma, faz o espectador sentir também. 

 Nesse sentido, Arcane conta uma história sobre o amor entre duas irmãs, sobre amizade, sobre poder, mas também muito sobre decisões e o que se faz por aqueles que amamos ou também para atingir objetivos pessoais. A discussão entre o novo e o velho, o medo do desconhecido também se revela na série para mostrar que nem tudo é preto, no branco.  

E de nada disso adiantaria, se a produção não tivesse uma belíssima animação que mistura técnicas 3D e 2D com uma incrível direção. A maioria do cenário de Arcane é estático e se assemelha muito a um pintura, enquanto seus personagens ganham formas e dimensões realistas que lembram vagamente a técnica de rotoscopia. 

Além disso, o design de produção mescla estilos diferentes que se encontram no steampunk, visto que, Piltover têm um ar aristocrata, enquanto Zeun carrega os detalhes do cyberpunk.  Esses dois lados formam uma experiência visual emocionante e cativante. Não à toa, Arcane sabe como conquistar os que não conhecem LoL, mas sem deixar de ser uma grande referência e carta aberta aos fãs do game.

VEREDITO

Arcane

Arcane se mostra uma incrível animação com um texto afiadíssimo que coloca o espectador no meio de uma batalha social, onde o certo e o errado é difícil de discernir. Além disso, os dilemas apresentados engrandecem os personagem e os faz amadurecerem em tela. Já a animação causa um verdadeiro impacto em todos os seus pequenos detalhes. 

Nossa nota

5,0/5,0 

Confira o trailer de Arcane:

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.