Início SÉRIE Crítica CRÍTICA – Cidade de Fantasmas (2021, Netflix)

CRÍTICA – Cidade de Fantasmas (2021, Netflix)

Cidade de Fantasmas

Cidade de Fantasmas é a nova série animada original da Netflix produzida pela roteirista Elizabeth Ito (Hora de Aventura). No elenco estão August Nuñez, Blue Chapman e Kirikou S’hai Muldrow.

SINOPSE

Uma mistura de animação e documentário, Cidade de Fantasmas acompanha um grupo de crianças nipo-americanas que nota sinais de atividade paranormal em sua vizinhança e decide rastreá-las. Até que suas suspeitas se confirmam: existem fantasmas que vivem pacificamente em Los Angeles, escondidos entre os demais habitantes.

ANÁLISE 

Quando Ito criou Cidade de Fantasmas, ela queria um show que pudesse assistir com seus filhos. Por isso, essa nova série de animação da Netflix tem o poder e a sensibilidade de falar com qualquer um que a assista, independentemente da idade. 

Além de visualmente chamativa e encantadora, Cidade de Fantasmas é um recorte de Los Angeles. Longe da glamorosa Hollywood, a série conta histórias de comunidades locais que viram a cidade crescer. Ao longo dos episódios são apresentados bairros de imigrantes asiáticos, latinos e também contos de nativo americanos. 

Nessa perspectiva, é importante ressaltar que Elizabeth Ito cresceu em Los Angeles, sendo uma nipo-americana de quarta geração. Logo, sua visão sobre uma cidade etnicamente diversificada é explorada claramente na animação.

Na série, as crianças do Clube Fantasma ajudam moradores que têm problemas com fantasmas locais. Alguns mais tímidos e outros mais extrovertidos; esses seres fazem parte do âmbito histórico, social e cultural do local.

Sendo assim, é quando as crianças entendem o que o fantasma deseja que os problemas e mistérios são logo resolvidos. Dessa forma, os relatos que os fantasmas dão são muitas vezes carregados de uma espécie de saudosismo. Já que, eles falam sobre uma Los Angeles que talvez não exista mais, porém, revive em memórias. O que Ito faz é dar visibilidade e representatividade a sua comunidade através da diversidade cultural. 
Nesse sentido, todos os fantasmas que contam suas histórias e até mesmo os moradores são pessoas reais que Elizabeth Ito realmente entrevistou. Por isso, alguns relatos parecem como uma simples conversa; os membros do Clube Fantasma, assim como as pessoas que os chamam para pedir ajuda, tropeçam em suas palavras e soam como se estivessem improvisando. Dessa forma, sempre voltando as origens de Los Angeles ao mostrar as crianças interagindo com a paisagem, como restaurantes, parques e bibliotecas. Não à toa, a animação mistura rotoscopia com traços sutis dando a série uma sensação etérea, mas natural. 

Cidade de Fantasmas tem uma narrativa estilizada com uma linguagem totalmente autoral que flutua muito bem entre documentário e animação. Ao fim, fica claro o intuito da série em mostrar o amor pela cidade e suas histórias através das pessoas que vivem no local. Logo, ao mesmo tempo que é sutil, Cidade de Fantasmas também consegue ser fascinante. 

VEREDITO 

Cidade de Fantasmas é um belo trabalho de resgate, representatividade e visibilidade. A animação foge do convencional ao apresentar histórias sobre pessoas reais que viveram e vivenciaram uma Los Angeles diferente. Logo, sua animação encantadora e narrativa impressionante, pode atingir tanto crianças, como adultos. 

Nossa nota

5,0 / 5,0

Confira o trailer de Cidade de Fantasmas:

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.