Início SÉRIE Crítica CRÍTICA – Colin em Preto e Branco (Minissérie, 2021, Netflix)

CRÍTICA – Colin em Preto e Branco (Minissérie, 2021, Netflix)

CRÍTICA - Colin em Preto e Branco (Minissérie, 2021, Netflix)

A minissérie biográfica, Colin em Preto em Branco, sobre a vida do ativista negro e quarterback da National Football League (NFL), Colin Kaepernick, criada por Ava DuVernay (Lovecraft Country) e Michael Starrbury está disponível na Netflix. DuVernay e Kaepernick também são produtores da produção. 

No elenco estão Jaden Michael, Mary-Louise Parker e Nick Offerman. Colin também aparece como o narrador da própria história. 

SINOPSE

A minissérie conta a história real de Colin Kaepernick (Jaden Michael), ex-jogador de futebol americano que atuou no San Francisco 49ers. Narrada pelo próprio atleta, a produção acompanha sua adolescência e seus anos de ensino médio, bem como o início de sua carreira esportiva na Califórnia. Adotado pelo casal Teresa (Mary-Louise Parker) e Rick Kaepernick (Nick Offerman), Colin encara uma jornada nada fácil como uma criança negra que cresce no seio de uma família branca. 

ANÁLISE 

De astro da NFL à ativista pela luta do movimento negro, Colin definitivamente deu um recado ao mundo do esporte. Ainda que seja comum ver pessoas desassociando esportes com política, uma está ligada a outra.  

Logo, é já no primeiro episódio de Colin em Preto em Branco, quando o próprio Colin Kaepernick como narrador, faz uma comparação: a escolha por jogadores da NFL é igual a escolhas por negros na época da escravidão, que compreende-se o tom da minissérie. Ava DuVernay e Michael Starrbury não estão contanto apenas a história de Colin, mas a história dos jovens negros que um dia sonham em jogar nos maiores times e ligas. Dessa maneira, onde se vê quem tem o melhor arremesso ou a corrida mais rápida, também se vê cor de pele. 

Por isso, achar que esporte e política não se misturam é estar completamente errado. Quando em 2016, Colin Kaepernick protestou contra o racismo dos Estados Unidos se ajoelhando durante a execução do hino do país antes de cada partida da sua equipe, a San Francisco 49ers, era um ato de protesto. Após as manifestações, Colin rompeu seu contrato com o time e há cinco anos não é convidado para uma equipe, o que não o impede de treinar todos os dias esperando por novas oportunidades. 

Talvez, o Colin Kaepernick adolescente, não soubesse do impacto que causaria no esporte americano. Em fato, o Colin de 15 anos interpretado tão vorazmente por Jaden Michael tinha pouca informação sobre o que é ser um homem negro nos Estados Unidos. Adotado e criado por pais brancos, o narrador relata que nunca foi a primeira escolha das pessoas, mas sempre foi a escolha certa. O quarterback provou isso inúmeras vezes e muito antes de se tornar um ativista, acreditou no seu potencial como jogador de futebol americano quando ninguém mais acreditava. 

A produção da Netflix aproveita essa grande história e faz também um retrato da América do passado em relação à América do presente. Atrelado a narrativa de Colin Kaepernick e cenas de sua adolescência está um incrível trabalho de edição, pesquisa e direção. Em cada episodio, o espectador é levado a conhecer figuras históricas do ativismo negro que acrescentaram a cultura e ao movimento, assim como, a montagem contemporânea utiliza de discursos, noticias e termos de pesquisa para falar da identidade negra atualmente. 

Por si só, a biografia de Colin já é uma história incrível sobre acreditar no seu poder, acreditar na sua capacidade e sonhar alto. Mas os elementos acrescentados pelo time de produção elevam a narrativa criando uma obra completa que sabe muito bem como manejar ficção, narrativa e montagem. 

Ao final da minissérie há um sentimento de revolta (este que nunca deve nos abandonar), mas também há orgulho de Colin Kaepernick, por seu posicionamento e enfrentamento frente ao racismo. Existe também gratidão pela obra de Ava DuVernay e Michael Starrbury, por contarem uma história tão poderosa, fazendo o espectador olhar para o passado, para entender o presente e vislumbrar um futuro melhor para a comunidade negra.

VEREDITO

Colin em Preto e Branco é com certeza uma das melhores produções da Netflix do ano. Comovente, divertido, informativo e consciente, é ótimo ver produções sobre pessoas negras ganhando cada vez mais espaço e contando histórias produzidas por negros sobre negros e para negros.

Nossa nota

5,0 / 5,0

Assista ao trailer:

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.