CRÍTICA – Heartstopper (1ª temporada, 2022, Netflix) 

    Heartstopper é a nova série adolescente e LGBTQIA+ da Netflix baseada na web HQ homônima da escritora britânica Alice Oseman. A autora também é roteirista e produtora da série, já a direção fica por conta de Euros Lyn. No elenco estão Joe Locke, Kit Connor, William Gao e Yasmin Finney

    SINOPSE DE HEARTSTOPPER

    Charlie (Joe Locke) é um aluno muito dedicado, mas que tem sofrido bullying na escola de forma constante desde que se assumiu gay. Já Nick (Kit Connor), é super popular e querido por ser um excelente jogador de rugby. Quando os dois começam a sentar próximos todas as manhãs, eles desenvolvem uma amizade intensa e imprevisível, se aproximando mais a cada dia. 

    ANÁLISE

    É gratificante e até mesmo aliviante assistir a uma produção LGBTQIA+ que traga aspectos saudáveis e positivos. Em meio a tantas séries adolescentes que forçam a imagem do adolescente contemporâneo, Heartstopper se destaca justamente por ser autêntica e sincera. Certamente, os dramas da fase juvenil ainda existem, mas são tangíveis e mostram que de uma maneira ou de outra, têm solução. 

    É fácil gostar de Heartstopper e provavelmente é a série mais amigável até esse momento de 2021. Se em produções como Euphoria, Elite e até mesmo Sex Education, os adolescentes são na maioria das vezes uma caricatura da Geração Z e as escolas de ensino médio estranhamente carregam um tom sombrio; Heartstopper evidencia uma geração que está em busca de si mesmo, sendo convidativo, gentil e multicolorido.

    Na trama, Charlie, interpretado por Joe Locke, é um adolescente assumidamente gay que começa o ensino médio após um último ano escolar difícil devido ao bullying. Em sua primeira aula, ele faz amizade com Nick, vivido por Kit Connor, que está no segundo ano do ensino médio sendo um garoto popular e jogador de rúgbi. Os dois desenvolvem um romance, enquanto Charlie está passando por uma jornada difícil sendo o único garoto abertamente gay em uma escola só para meninos e Nick começa a questionar a sua sexualidade e entender quem ele realmente é. 

    A relação entre Charlie e Nick é extremamente fofa, gentil e bonita. Ambos se sentem confortáveis um com o outro para se abrir e tratar sobre seus problemas, medos e ensaios. Logo, em um primeiro momento existe um receio entre os jovens e dúvidas sobre se a coisa certa ou não começa a surgir. Isso porque Heartstopper trabalha bastante com o medo adolescente: medo de que as pessoas não o aceitem; medo de ser desapontado; medo de gostar de alguém que não gosta de você. 

    E isso não se aplica apenas a Charlie e Nick. Outros personagens como Tao (William Gao), Elle (Yasmin Finney), Tara (Corinna Brown) e Darcy (Kizzy Edgell), amigos dos protagonistas, também passam por provações da idade. Se já é extremamente difícil ser um adolescente, imagina ser um jovem queer? Felizmente, eles criam uma rede de amigos extremamente empática e segura.  

    Isso evidencia que Heartstopper está mais empenhada em fazer uma diálogo sincero sobre a comunidade LGBTQIA + na adolescência do que criar tramas que coloquem essas pessoas para sofrer sem motivos. Ainda assim, o bullying é evidente em Heartstopper, de forma que nos perguntamos se os adolescentes já não superaram essas visões preconceituosas? Ao que parece nem todos e nem em todos os lugares, mas nem de longe isso se torna um protagonista da série e uma justificativa para criar cenas de violências desnecessárias. 

    Uma produção britânica 

    A escritora da HQ de Heartstopper que deu origem a série, Alice Oseman, esteve por dentro dos mínimos detalhes da produção, desde o elenco ao figurino. Para Oseman, a produção precisaria ser 100% britânica para funcionar e sem dúvida esse é um dos pontos mais importantes da série. A essência da Grã Bretanha permeia toda a série, sendo o que da similaridade entre adaptação e o conteúdo original criado por Oseman. 

    Além disso, o fato de Heartstopper usar atores com idades em fase adolescente dá um tom mais realístico. Todo o elenco está muito bem, criando individualidade em suas interpretações e destacando seus personagens. William Gao tem uma ótima expressão corporal, assim como Yasmin Finney cria uma atuação mais contida que aos poucos começa a ganhar mais movimento, sendo ideal para o momento que sua personagem vive. 

    Mas, sem dúvida, Heartstopper é a série de Joe Locke e Kit Connor. Quando aparecem juntos, ambos vibram em tela mostrando uma ótima dinâmica. Locke consegue passar toda timidez e insegurança de Charlie em meios sorrisos, enquanto Connor têm uma emoção fluida e uma incrível presença de cena. 

    Já em aspectos cinematográficos chama muito a atenção que Heartstopper traga das HQs alguns recursos para mostrar como os personagens estão se sentindo. Como faíscas e pequenas flores subindo a tela toda vez que as mãos de Charlie e Nick se tocam ou vidros quebrados quando Charlie se sente triste ou imagina algo ruim. São adicionais que fazem o espectador entrar ainda mais no mundo de Heartstopper. 

    Já a ambientação ressalta cores alegres e uma iluminação suave dando um tom entusiástico à produção. A utilização de celulares para mostrar boa parte dos diálogos entre os personagens até poderia ser um recurso entediante, mas se mostra divertido e interessante na medida que também é possível ver o que os personagens escrevem e o que eles realmente querem dizer.  

    Dessa forma, Heartstopper se mostra uma incrível produção televisiva. Nos importamos realmente com os personagens e queremos que eles fiquem bem. Criar esse sentimento em oito episódios é um grande feito que deve ser apreciado, além disso, ressalto que é muito importante ver produções positivas sobre a comunidade LGBTQIA+ adolescente. 

    VEREDITO

    heartstopper

    Heartstopper é uma boa surpresa de 2022 da Netflix. Com um roteiro simples, mas cheio de nuances e uma produção que sabe valorizar seu material original é certamente uma das melhores produções televisivas até agora. 

    Nossa nota

    5,0/5,0

    Confira o trailer de Heartstopper:

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