Noites Sombrias #55 | A sobrevivência feminina em Yellowjackets (1ª temporada, 2022, Showtime)

    O Noite Sombrias dessa semana faz uma análise completa da primeira temporada de Yellowjackets, série televisiva da Showtime. Criada por Ashley Lyle e Bart Nickerson,  a produção está disponível no Brasil pela Paramount Plus. No elenco estão Melanie Lynskey, Juliette Lewis, Tawny Cypress and Christina Ricci.

    SINOPSE DE YELLOWJACKETS

    Yellowjackets narra a jornada de um time de futebol feminino que, durante o ensino médio, sobreviveu a um acidente de avião no distante deserto de Ontário. Vince e cinco anos depois, acompanhamos uma equipe complicada mas talentosa se transformar em um clã selvagem, enquanto tentam reconstruir suas vidas como mulheres adultas.

    ANÁLISE

    O horror feminino sempre foi um prato cheio para o cinema, visto que, a partir de personagens jovens era possível criar todo tipo de estereótipo feminino nas telas. Os filmes e séries dos anos 90 de horror são a prova de que para algo fazer sucesso era preciso ter adolescentes morrendo em cena. Mas, eis que em 2021 surge Yellowkackets trazendo toda estética noventista para uma abordagem mais feminista, desta vez, as mulheres estão no comando da luta pela sobrevivencia. 

    Diga-se de passagem, é uma boa sacada dos produtores. Pois, a série não só traz aspectos nostálgicos dos anos 90 para cativar, como também têm a chance de ser melhor do que outras séries famosas do mesmo estilo. Um pouco de Pretty Little Liars, Gossip Girls e até mesmo, Lost fazem de Yellowjackets um enorme sucesso e a série perfeita para diferentes públicos. 

    Na trama, adolescentes de um time de futebol feminino de Nova Jersey sofrem um acidente de avião, após serem classificadas para as Nacionais em 1996. O avião acaba caindo no deserto de Ontário no Canadá, o que faz com que essas jovens precisem sobreviver em um lugar inóspito durante um ano e meio. 

    Após 25 anos do resgate das sobreviventes acompanhamos Shauna Sheridan ( Sophie Nélisse na versão adolescente e Melanie Lynskey na versão adulta), Taissa Turner (Tawny Cypress na versão adulta e Jasmin Savoy Brown na versão adolescente), Natalie (Juliette Lewis na versão adulta e Sophie Thatcher na versão adolescente) e Misty ( Christina  Ricci na versão adulta e Sammi  Hanratty na versão adolescente). Cada qual tentando levar uma vida normal, mas quando traumas do passado voltam para perturbá-las, é preciso um reencontro. 

     A série deixa indícios que existem outras sobreviventes, mas por hora, são Shauna, Taissa, Misty e Natalie que conduzem a trama no presente. Visto que, a série tem o conceito de ir e voltar no tempo para contar o que houve nas florestas 25 anos atrás e como isso afetou as personagens e suas ações no futuro. É um recurso interessante para a produção, ainda que, por vezes, nos atentamos mais aos mistérios da floresta de Yellowjackets do que o que está acontecendo atualmente. 

    Isso porque, toda a trama construída no isolamento das sobreviventes é simplesmente fascinante. A dinâmica que o time exercia muda com o acidente e colegas antes dispensáveis tornam-se importantes e vice-versa acontece. Jackie (Ella Purnell), a capitã do time é vista como fraca e irritante pelas amigas, já Lottie (Courtney Eaton), considerada esquisita, começa a ter um papel importante no grupo à medida que profetiza algumas situações. Logo, é interessante notar como as adolescentes vão aos poucos criando um sistema matriarcal, visto que, existem apenas três homens junto delas – o treinador Ben (Steven Krueger) que fica sem autoridade no grupo após seu ferimento, Travis (Kevin Alves) e Javi (Luciano Leroux), filhos de um dos treinadores que faleceu na queda. 

    Dessa forma, Yellowjackets deixa evidente que a sobrevivência é feminina, ainda mais, quando fatos estranhos começam acontecer na floresta. Com tons de sobrenatural a série também carrega o gore dos filmes de sobrevivência, acidentes acontecem, animais são mortos e sangue é jogado na tela. Porém, um dos maiores atrativos e também mistérios de Yellowjackets é uma seita que parece existir antes do grupo cair no local ou se formar a partir das garotas (ainda não sabemos).  

    Yellowjackets é uma história completamente rica em mistérios e reviravoltas, que certamente pode se perder como Lost, mas que até então, parece ter tudo amarrado. Algumas pistas são dadas desde o começo, como também, o que as sobreviventes precisarão fazer umas com as outras para não morrerem de fome em meio ao inverno canadense. 

    Com uma trama tão densa e cheia de possibilidades, o presente de Yellowkackets poderia parecer entediante se não fosse pelas quatro atrizes que dominam as cenas. Melanie Lynskey, Tawny Cypress, Juliette Lewis e Christina  Ricci são incríveis, cada qual carregando os três jeitos de suas personagens adolescentes. Suas perspectivas e empenho para que nada do que foi feito na floresta seja revelado para a mídia mostram o quão perturbador foi o tempo em que elas estiveram perdidas. 

    Além do característico suspense, a série carrega um tom cômico e sarcástico, seja no passado, como no presente. Esse esforço de tornar a série uniforme em todos os seus aspectos, seja episódio por episódio, ou na mudança de épocas é graças a produção de Yellowjackets que soube desde cedo estabelecer o rumo e ritmo da produção. 

    Não à toa, Yellowjackets tem sido um sucesso. Uma trama de mistério, terror, drama e tons de humor que leva um ótimo elenco feminino no prato principal. Ainda que existam mais perguntas do que resposta , a Yellowjackets é honesta com seu espectador: não entrega tudo na primeira temporada, mas deixa inúmeras pistas pelo caminho. 

    Além disso, a série toca em assuntos complexos para a humanidade, como: Vale tudo pela sobrevivência? Qual o limite do ser humano? E o que fazer quando seu avião cai no meio do nada? Perguntas que as Vespas podem nos responder na segunda temporada, com mais mistérios e suspenses para alegrar os fãs de boas histórias com final girls

    Nossa nota

    4,0/5,0

    Confira o trailer de Yellowjackets:

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