CRÍTICA: ‘Sugar’ é suspense noir de mais alto nível

    O cinema noir é um dos alicerces da era de ouro de Hollywood. Ao longo dos anos, o gênero se perdeu, mas assim, ganhamos muitos clássicos como Relíquia Macabra (1941), Pacto de Sangue (1944), O Terceiro Homem (1949) e muitos outros. Mesmo com o gênero tendo quase que se perdido completamente, surgem gratas surpresas vez ou outra para trazer um fôlego, refresco e atuar como uma homenagem ao gênero. ‘Sugar’ é a mais nova série da Apple TV+. A série estrelada por Colin Farrell, Kirby Howell-Baptiste, Amy Ryan, Sydney Chandler, James Cromwell e grande elenco e nos leva pela história de John Sugar, um misterioso detetive particular.

    Tendo que lidar com segredos dos outros e os seus próprios, Sugar mergulhará em uma rede de intrigas a fim de resgatar uma jovem, enquantos muitos tentam fazê-lo mudar de ideia. Sendo um aficionado pelo cinema, Sugar se vê imerso no mundo que parece ocultar mais do que podemos ver em um primeiro momento. Uma realidade quase irreal, em que o bom e o ruim parecem andar lado a lado. Mesmo testemunhando o pior das pessoas, Sugar insiste em acreditar que existe beleza no mundo, mesmo diante das perversidades que enfrenta.

    Criada por Mark Protosevich, a série conta com a direção do brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus, Ensaio sobre a Cegueira, O Jardneiro Fiel) e Adam Arkin.

    SINOPSE

    Um detetive particular enigmático luta com seus demônios pessoais enquanto investiga o desaparecimento da neta de um produtor de Hollywood.

    ANÁLISE

    Sugar

    Em um primeiro momento, Sugar parece atuar como uma ode à Hollywood e ao cinema clássico do século XX. Seja permeado por suas referências as trabalhos de Fritz Lang, Murnau, Orson Welles, Victor Fleming e outros, vemos também que a série funciona também como uma crítica à alguns dos piores aspectos de Hollywood. Com 8 episódios em sua temporada, Sugar pode ser considerada um dos mais brilhantes trabalhos de Colin Farrell.

    Fechada em si, ao final da série teremos uma ponta solta, ou uma amostra do que o futuro pode reservar ao nosso protagonista. Mas para além disso, Sugar é repleto de anacronismos, seja por ele ser um “herói galante,” capaz de tudo para completar seu objetivo, ou por como a direção do brilhante Fernando Meirelles mostra a Califórnia de maneira única, como o cinema antigo o fazia.

    Seja por brilhantes takes, ou por sequências de tirar o fôlego, Sugar possui uma montagem diferente das quais a atual Hollywood nos acostumou. Tirando seu tempo para contar a história que quer contar, acompanhamos em John Sugar a força imbatível e quase imparável.

    Sugar

    Com um brilhante elenco, uma direção e montagens impecáveis, vemos aqui uma das melhores séries do ano. Seja por brilhar no que diz respeito no storytelling, ou por nos mostrar sua singularidade nos mínimos detalhes, vemos aqui atores falidos, a corrupção dos poderosos e algumas das mais terríveis e cruéis facetas humanas.

    Incríveis plot twists e fatores inesperados tê m um importante papel na trama, e ao longo da série, somos bombardeados por algumas das mais singulares, delicadas e poderosas falas de uma mídia atual. Em uma era em que explosões tem o intuito de prender, Sugar prende por sua narrativa concisa e precisa.

    Seja pelo trabalho de Farrel, ou por como a série evidencia aspectos cada vez mais humanos não apenas do nosso personagem, mas do que o cinema o ensinou, vemos aqui, diferentes facetas humanas, sejam elas belas, falhas, humanas e perversas. Ao longo de tudo que vemos ao longo dos oito episódios, de uma coisa podemos ter certeza, Sugar surpreende em tudo que se propõe, ganhando proporções ainda maiores do que quando o encaramos pela primeira vez.

    VEREDITO

    Para além do que já foi dito, Sugar é uma experiência narrativa única, inesperada e curiosamente concisa. Com um arco narrativo que fecha sobre si, acompanhamos uma história sem pontas soltas. E em meio aos segredos de todas as partes da trama, os próprios segredos de John e suas motivações ficarão cada vez mais evidentes. Ao longo da maratona da série (que merece ser assistida de uma só vez, ou lentamente degustada), a sensação de “quero mais” eventualmente chegará. E enquanto um segundo ano não foi confirmado, só nos resta assistir, reassistir e depois reassistir.

    Sugar é o recorte de um mundo singular. Seja por parecer um espelho do nosso, ele possui diferenças bem evidentes. Em um mundo em que a motivação se limita ao dinheiro, John Sugar chegará para mudar como vemos não apenas o nosso mundo, mas também para mostrar o que é importante em momentos como o que vivemos.

    Nossa nota

    5,0 / 5,0

    Sugar está disponível na Apple TV+.

    Confira o trailer da série:

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