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CRÍTICA | The Third Day: Episodio 6 – Last Day – The Dark

CRÍTICA | The Third Day: Episodio 1 - Friday - The Father

O último episódio da minissérie The Third Day foi ao ar na última segunda-feira (19/10) intitulado Last Day – The Dark. A emblemática série de Dennis Kelly se consagra como um incrível show da HBO.

SINOPSE

Sam (Jude Law) leva Helen (Naomie Harris) para se reencontrar com Nathan, o suposto filho assassinado. Jess (Katherine Waterston) se aproxima de Ellie (Nico Parker) e com alguns moradores de Osea vão em busca de Sam e Helen. Lu (Charlotte Gairdner Mihell) presencia um assassinado e se perde na ilha.

ANÁLISE

A tarefa de encerrar um show nunca é algo fácil, é preciso amarrar pontas, dar explicações e criar finais felizes. Pelo menos é o que a maioria das séries pretendem quando ligam as câmeras pela última vez.

No entanto, The Third Day já tinha um histórico de surpreender o telespectador – as viagens com alucinógenos, alucinações e alegorias religiosas não estão ali por acaso. A série de Dennis Kelly não quer ser mais do mesmo e com certeza conseguiu. Basta relembrar a episódio em live por 12 horas; é inovador e ousado.

Logo, o último episódio não foge de sua concepção. Helen quer que seu filho esteja vivo, por isso, segue Sam pela longa escada da casa grande na esperança de que Nathan seja real. O próprio espectador se endireita e se aproxima da tela, mas é nocauteado por choque e decepção. O garoto não é Nathan. Helen conta que o filho deles estava morto a mais de 10 anos e a criança aparenta ter aproximadamente seis.

Mas para Sam, Nathan é real e ele insiste com a ex-esposa que é obra da ilha, pois é um lugar especial. Logo, Helen entra em um estado de repulsa e ódio por todos os anos aguentando os surtos psicóticos do ex-marido, que iam desde violência xenofóbica à acusar a própria família de Helen da culpa pela morte de Nathan. Sam havia mergulhado em um luto eterno por ter perdido o filho.

Em uma explosão de sentimentos, Helen diz:

“Você perdeu nosso filho porque estava no telefone com sua amante. Ele tinha seis anos e você ficou no telefone por 24 minutos.”

É um momento genuíno, quase como se o espectador sentisse a raiva da personagem e a confusão de Sam. Quem foi aquele homem que vimos nos três primeiros episódios da série? Certamente nunca existiu, sendo apenas uma faceta desse Sam quebrado e torturado por si próprio.

Sendo assim, é revelado que Helen só procurou Sam pelo dinheiro que ele havia roubado; deixando a família sem nada. Do outro lado da ilha, Jess persuade Ellie para se juntar a ela na busca pelos pais. Jess está completamente transformada, certa que sua filha recém nascida irá guiar Osea e por isso não precisa mais de Sam.

Lu presencia os ilhéus fecharem a passagem e executarem a mãe e o filho que se recusaram a deixá-las no chalé. Osea caminha para uma guerra civil, de um lado os fiéis de Sam e do outro de Jess. Sendo assim, Ellie se sente cada vez mais atraída pela ilha, repetindo incansavelmente que se trata de um lugar especial.

Logo, Jess arma uma emboscada para capturar Sam e Helen usando a filha mais velha. Ellie presencia sua primeira morte, Sra. Martin (Emily Watson) por enfrentar Jess e se dá conta do quão perigoso Osea pode ser.

A sensação de segurança e acolhimento, sempre muito bem trabalhada na série, abre um abismo. O quanto essas pessoas podem ser boas se elas matam uns aos outros? Que espécie de “coração do mundo” é Osea?

Perguntas que nunca iremos ter respostas, até porque The Third Day não faz questão de explicar tudo que é visto ou sentido. Logo, a filha mais nova salva os pais e juntos os três fogem para buscar Ellie.

Momentos finais

Osea se parece tanto quanto com o mundo: são pessoas que mentem, que matam e que querem destruir uns aos outros. Não há nada de especial nisso, só a boa e velha humanidade fazendo seu ciclo. Mas, há algo na criação de Dennis Kelly que quer ficar subentendido e em aberto.

Sendo assim, ao encontrar Ellie sendo vigiada por Jason (Mark Lewis Jones), Helen diz a Sam que não irá perder mais um filho e lhe entrega uma faca. A câmera faz um close up em Sam e sua expressão de aterrorizado dá lugar a um homem convicto que precisa aceitar a escuridão do seu ser.

Sam ataca Jason com duas facas, a explosão de mais de uma década é vista em sua expressão de fúria. Ellie presencia a segunda morte cometida pelo próprio pai vestido de branco com manchas de sangue.

A série se encaminha para o seu final, mas antes Helen quer o dinheiro para suas filhas. O barulho dos grilos anunciando o presságio de morte é ouvido por Helen, Sam com uma arma atira em Larry (John Dagleish) que estava no local com o garoto que se diz ser Nathan.

Antes de Helen partir com o dinheiro, o garoto diz algo estranho. Ele diz a Helen para não se preocupar com o que ela disse a ele antes de desaparecer: “Eu sei que você nem sempre me quis.“, diz ele, revelando que, de alguma forma, sabe que ela lhe disse que desejava que ele nunca tivesse nascido.

Osea realmente é especial? O garoto realmente é Nathan? Ou é apenas um delírio coletivo daquelas pessoas que querem acreditar em algo mais do que a podridão do mundo. Nunca saberemos. Mas também não faz diferença, Osea é tudo aquilo que foi presenciado e também o que não foi, o que está em seus mitos e crenças.

Helen amarra um barco na cintura e a nado atravessa a passagem com as filhas. Do outro lado, longe de Osea, seu corpo treme com o início de uma hipotermia. As três entram em uma cabana e antes de se juntar a mãe e a irmã para se aquecer, Ellie deslumbra por uma última vez com ilha através de uma janela. O sol está nascendo e todos os mistérios de Osea ficaram em Osea.

VEREDITO

CRÍTICA | The Third Day: Episódio 3 - Sunday - The GhostJude Law e Naomi Harris estão incríveis em The Third Day, é quase uma catarse assistir a ambos. A direção de Philippa Lowthorpe é brilhante com destaque para os close ups e grandes planos vendo a ilha por cima.

Dennis Kelly com sua genialidade garante um show intenso e brilhante. 

Nossa nota

4,5 / 5,0



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