Início SÉRIE Artigo The Alienist: Protagonismo feminino é destaque na 2ª temporada

The Alienist: Protagonismo feminino é destaque na 2ª temporada

Quem assistiu a nova temporada da série The Alienist, chamada Anjos da Escuridão, se espantou ao ver a mudança de protagonismo. De fato, o alienista Laszlo Kreizler (Daniel Bruhl) desempenhou um grande papel na temporada. Contudo, ninguém brilhou mais que Sara Howard (Dakota Fanning).

A série estreou em 2018 sendo produzida pela TNT e distribuída pela Netflix. Após quase dois anos e meio da primeira temporada, The Alienist apresenta uma trama mais madura e promissora. Além de abandonar o formato de dez episódios para sucinto oito, a série traz questões pertinentes à sociedade.

Ainda que Sara seja uma protagonista difícil de criar vínculos. Seu pragmatismo exacerbado no começo da temporada revela aos poucos que ela deseja se provar como detetive. Se na primeira temporada Sara Howard está trabalhando como secretária do comissário de polícia de Nova Iorque. Agora, ela tem sua própria agência de investigação, sendo a primeira mulher americana a realizar tal feito.

Se nem 2020 é fácil para as mulheres, imagine em 1897, quando qualquer comportamento desviante dos padrões femininos era considerado um ultraje. Deste modo, Sara representa a coragem feminina do século XIV. Foram aquelas mulheres que lutaram pelo direito de voto, de trabalharem e de serem mais do que somente mães.

Consequentemente, a série trabalha justo com o tema da maternidade atrelado a misoginia que atravessa épocas. Ao receber o trabalho de investigar o desaparecimento de um bebê, Sara mobiliza Laszlo e o jornalista John Moore (Luke Evans). Logo, os eventos são desencadeados pelas habilidades de Sara o que coloca de vez os companheiros como co-protagonistas.

Sara e Libby 

Sara conduz a 2ª temporada melhor que Laszlo na primeira, visto que a detetive se mostra mais expressiva que o alienista; e sua relação com a assassina deixa a trama mais interessante. Após resgatar o bebê desaparecido, Sara descobre que uma mulher chamada Libby Hatch (Rosy McEwen) tem sequestrado e matado várias crianças.

Nesse sentido, cria-se um laço entre protagonista e antagonista. Sara não tem nenhuma pretensão de ser mãe. Mas, ao mesmo tempo, entende o sofrimento de Libby por ter sido separada de sua filha e dada como louca. Logo, a maternidade sempre foi tratada como essencial para as mulheres. Ainda mais no século XIV, onde só através desse feito as mulheres poderiam ter o mínimo de reconhecimento.

Sendo assim, Libby é a personificação da pressão social que são impostas às mulheres desde cedo. Apesar de quando menina ser uma criança exemplar, sua mãe não lhe queria e o mesmo aconteceu com Sara. Ainda que as personagens estejam em diferentes lados, ambas fazem parte do mesmo sistema que insiste em menosprezar as mulheres. 

O vínculo de Sara com Libby não poderia acontecer se fosse Laszlo ou até mesmo John (o mais carismático dos três) na posição da detetive. Para além da maternidade ou ser vítima de misoginia, existe uma força maior que ligam as mulheres: o fato de serem subjugadas quando dizem “não”.

Isso cria um reconhecimento uma com a outra que atravessa os aspectos sociais. Portanto, ao contextualizar uma época em que se acreditava que mulheres deveriam ter filhos e que eram incapazes de cometer crimes, The Alienist cria um contraste ao apresentar personagens como Sara e Libby que fogem aos padrões sociais.

A série pode ser um gênero batido, afinal quantas series de investigação e assassinos já não existem? Mas, é extremamente inteligente ao dialogar com o público feminino apresentando personagens complexas e desafiadoras. Afinal de contas, o título The Alienist não significa necessariamente um homem. 



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