Início FILMES Crítica #52filmsbywomen 32 – (Ex)posta (2018, Ana Júlia Carvalheiro)

#52filmsbywomen 32 – (Ex)posta (2018, Ana Júlia Carvalheiro)

183
0
(ex)posta

A divulgação não consensual de imagens íntimas na internet tem crescido significativamente ao longo dos anos. Uma pesquisa realizada pela Safernet em 2016 revela que as mulheres representam 67% das denúncias de sexting e exposição íntima e que 65% dos casos de cyberbullying e ofensa na internet são feitos contra mulheres. A prática de encaminhar mensagens com conteúdo sexual tem se popularizado entre os jovens, tendo como faixa etária principal de crescimento a de jovens de 10 a 12 anos. A maioria deles afirma já ter recebido conteúdos de terceiros e também ter repassado esse tipo de conteúdo. As estatísticas são desesperadoras – bem como o assunto é pouquíssimo abordado.

Como forma de elucidar um assunto tão sensível, o documentário em curta-metragem (Ex)posta aborda o relato de quatro mulheres sobre suas experiências com revenge porn e cyberbullying. A diretora e roteirista Ana Júlia Carvalheiro consegue, nos dez minutos de duração, evidenciar a dor dessas mulheres e os caminhos que elas encontraram para superar tais acontecimentos. Os perfis – e histórias – das quatro mulheres são distintos, porém todos os acontecimentos encontram-se em um mesmo ponto: a falta de respeito com o corpo e com a integridade da mulher.

Sendo um documentário híbrido, misturado ao ficcional, (Ex)posta apresenta quatro atrizes representando depoimentos reais e anônimos de mulheres que sofreram com pornografia de vingança. Nos 10 minutos de duração, Ana Júlia mistura cenas de depoimentos com dramatizações, buscando aproximar os relatos ao cotidiano de quem assiste à produção. Há também o cuidado de apresentar toda a trajetória de relacionamento dessas mulheres com seus agressores, deixando claro que, muitas vezes, o perigo está mais próximo do que as mulheres podem imaginar.

É por meio dos depoimentos que vivenciamos, também, os julgamentos e humilhações que as vítimas sofreram em suas experiências. Os medos, as angústias e o desespero que podem levar a um fim sombrio – e que acontece com inúmeras mulheres todos os anos. Um dos dados apresentados, próximo ao término do curta, relata que 51% das mulheres já sofreram ameaças, foram perseguidas pelos ex-parceiros ou foram vítimas de boatos espalhados por eles. Como superar algo assim?

A diretora finaliza o curta (Ex)posta com uma sensação de esperança. As quatro histórias escolhidas pela produção retratam os diferentes caminhos de superação frente à violência e humilhação vividas, evidenciando que, apesar de não apagarem os acontecimentos de sua memória, conseguiram seguir em frente e ajudar outras pessoas que estavam na mesma situação. O documentário dá voz às mulheres vítimas e suas dores, exemplificando como elas conseguiram transformar suas experiências em algo novo e como seus relatos podem fazer a diferença na vida de outras pessoas.

Comentários