Início FILMES Crítica #52filmsbywomen 38 – Persepolis (2007, Marjane Satrapi)

#52filmsbywomen 38 – Persepolis (2007, Marjane Satrapi)

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PERSEPOLIS

A animação francesa Persepolis, filme de estreia da dupla de quadrinistas e cineastas Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, foi lançada ao mundo no Festival de Cannes de 2007, onde recebeu o prêmio do júri e tornou a história de Marjane Satrapi conhecida e admirada por todo o mundo. Foi ainda indicada ao Oscar de Melhor Animação em 2008, assim como a diversas outras premiações, tendo recebido dois prêmios César, por Melhor Filme de Estreia e Melhor Roteiro Adaptado, delegados ao seus diretores; o prêmio da audiência por melhor filme estrangeiro no Festival de São Paulo e o de Melhor Filme de Animação pelo New York Film Critics Circle.

Baseada na autobiográfica e homônima graphic novel Persepolis, lançada em quatro volumes entre os anos 2000 e 2003 e de autoria de Marjane Satrapi, a animação nos introduz ao turbulento Irã dos anos 70 e 80, entre a queda do xá Mohammad Reza Pahlevi e a instauração do regime dos aiatolás, período conhecido como Revolução Iraniana.

O drama, altamente crítico e politizado, nos dá um panorama da dinâmica geopolítica do período pela perspectiva de Marjane, uma mulher iraniana em desenvolvimento e amadurecimento, e se diferencia pela forma como trata de temas cruciais como liberdade política, morte, Deus, a brutalidade cotidiana da guerra, a supressão dos direitos das mulheres e das mais diversas liberdades individuais no novo regime teocrático, suicídio, solidão, amor, casamento e família; tudo isso costurado por Marjane magistral e muito naturalmente.

O grande mote do filme de Marjane Satrapi é que, apesar de datado no Irã da Revolução Iraniana, seus temas mantêm-se atuais e universais num mundo em que vimos nascer o Estado Islâmico e em que se intensificou o problema humanitário dos refugiados de guerras. Trata-se da dificuldade de aprender a viver sob os dissabores impostos por circunstâncias políticas e, por isso, o drama captura nossa sensibilidade pela identificação com aqueles que são, de todos os impasses, os mais humanos e comuns a todos nós.

De lá pra cá, Marjane seguiu carreira no cinema lançando em 2011 a também premiada comédia dramática Frango com ameixas (Poulet aux prunes), co-dirigido e co-escrito por Vincent Paronnaud; em 2012, A gangue dos Jotas (La bandes des Jotas), uma comédia policial; em 2014, As Vozes (The Voices), do gênero terror/humor negro protagonizado por Gemma Arterton, Anna Kendrick e Ryan Reynolds, disponível para exibição tanto na Netflix quanto no Telecine Play. É a diretora do ainda a ser lançado Radioactive, que conta a história do casal Marie e Pierre Curie, estrelado por Rosamund Pike e Sam Riley.

A animação merece ser assistida não só pela intensidade e veracidade com que o roteiro nos apresenta a história, mas também pela belíssima experiência estética que a direção de arte de Marc Jousset e Hicham Kadiri proporciona ao espectador.

Confira o trailer:

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