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CRÍTICA – Atômica (2017, David Leitch)

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Atômica é o novo thriller ação de Charlize Theron, baseado na HQ de Antony Johnston. Com David Leitch na direção, James McAvoy, John Goodman e Sofia Boutella no elenco, o longa conta a história de Lorraine (Theron), uma espiã do governo Britânico enviada para uma missão em Berlin no final da Guerra Fria.

O filme foi promovido como sendo de ação no estilo John Wick com uma protagonista feminina. Apesar dessa afirmação ser verdadeira, ela é enganosa. O filme apresenta algumas excelentes cenas de ação, destaque para uma cena no corredor de um prédio, que além de mostrar as habilidades na direção de Leitch, abre espaço para Charlize Theron brilhar com sua fisicalidade áspera e um timming de ação perfeitos. A atriz se confirma cada vez mais como uma força no gênero e no que diz respeito a ação, esse pode ser o seu melhor trabalho, já que Theron, também produtora do filme, parece possuir algum controle criativo, construindo de forma brilhante a personagem de Lorraine. Infelizmente, o filme peca em sua narrativa, e alguns potenciais são desperdiçados.

A trama complexa com muitas reviravoltas e muita exposição compromete o ritmo do filme e o desenvolvimento de seus personagens. As sequências de ação não se encaixam com a narrativa de forma fluida, e sempre se encontram desconectadas. Contando com uma forte trilha sonora dos anos 80 e muitas cores e luzes neon, as sequências se destacam pelo aspecto de videoclipe que possuem, muito estilizadas, mas não são suficientes para engajar o espectador na trama e suas reviravoltas. Quando Atômica tenta explorar o gênero da espionagem, falta pulso e profundidade para que os riscos propostos sejam sentidos.

A montagem aqui é outro problema. O filme extrapola o uso de flashbacks, propondo que Lorraine conte a trama para dois superiores (Tobey Jones e John Goodman) durante um interrogatório. O uso do recurso em excesso gera quebra constante de ritmo e muitas cenas expositivas e cansativas, repletas de um diálogo fraco e mal construído. A personagem de Sofia Boutella é desperdiçada, se tornando apoio para Theron e fetichizando o relacionamento entre as duas; além dos figurinos de Boutella refletirem a ultrasexualização e o fetiche, sem adicionar qualquer dimensão relevante para a trama.

 

Uma questão que merece destaque aqui é a trilha sonora. Repleta de hits dos anos 80 new wave, a trilha sonora de Atômica é um personagem participativo. Porém, diferente do que faz Baby Driver ao sincronizar batidas e letras com ações do filme, em Atômica a trilha sonora se sobressai de maneira a distrair, utilizando a manipulação nostálgica para guiar o espectador.

Atômica´é um caso clássico de Style Over Substance e tenta ser um filme de ação ao estilo John Wick, porém, também almeja ser um filme de espião aos moldes Jason Bourne. A combinação intuitiva aqui não funciona devido ao uso de recursos baratos para manipular a nostalgia dos anos 80, uma montagem temporal confusa e com muitos flashbacks e uma narrativa demasiadamente complexa. O entretenimento fica a cargo de sequencias de ação bem construídas e o talento e fisicalidade de Charlize Theron.

Avaliação: Razoável

Confira o trailer de Atômica:

Atômica chega aos cinemas nesta quinta, 31 de Agosto.

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