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CRÍTICA – Creed II (2019, Steven Caple Jr)

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CRÍTICA - Creed II (2019, Steven Caple Jr)

A fábrica de Hollywood não para. Quando produtores e estúdios vislumbram a possibilidade de iniciar uma nova franquia com um filme que deu certo, não há dúvidas de que o farão. Esse é exatamente o papel de Creed II, a continuação do filme de 2015 dirigido por Ryan Coogler e spin-off de Rocky.

Com roteiro escrito por Juel Taylor e Sylvester Stallone, e direção do estreante Steven Caple Jr., os personagens Rocky e Adonis (Michael B Jordan) retornam às telonas com a missão de apresentar um enredo redondo, interessante e emocionante como o do primeiro filme da franquia Creed.

Neste segundo filme, Adonis é o atual campeão dos peso-pesados. Com Rocky ao seu lado como seu treinador, e com toda a experiência e fama que Adonis conquistou, o céu é o limite. A longa jornada do filho de Apollo Creed chega ao seu ápice de glória, trazendo todo o foco da mídia – e dos adversários – para ele. É neste momento que um novo competidor surge, querendo uma grande luta para reivindicar o cinturão de vencedor: Viktor Drago (Florian Munteanu), filho de ninguém menos que Ivan Drago (Dolph Lundgren), o homem responsável pela morte de Apollo em Rocky IV.

O desafio vem como forma de mostrar que Ivan Drago perdeu tudo quando não conseguiu vencer Rocky em sua luta na Rússia (durante os eventos de Rocky IV): ele perdeu o respeito das pessoas em seu país, e sua mulher o abandonou – nenhuma menção a ele ter assassinado uma pessoa no ringue, mas vida que segue.

Todo esse rancor foi passado para o seu filho, que na base do ódio foi transformado num monstro pronto para descarregar todas as suas frustrações nas lutas. Ser pugilista não é um sonho – nem uma realização – para Viktor. É a forma de “fazer justiça” à “humilhação” sofrida pelo pai.

Creed II não deixa de ser uma releitura dos acontecimentos da franquia Rocky. Uma tentativa de transformar a representação da Guerra Fria existente em Rocky IV em algo diferente, algo novo. É difícil encaixar essas referências no contexto da nova franquia sem cair no clichê da vingança e do orgulho masculino.

Falta nesta produção um pouco da alma e até da ingenuidade do primeiro filme, quando Adonis tentava descobrir quem era e o que gostaria de representar, em busca de criar seu próprio legado. É difícil justificar a necessidade de um segundo filme quando o primeiro entregou um roteiro coeso, uma boa construção e um fechamento perfeito.

A primeira metade dessa produção é morna e um pouco entediante. Adonis parece mais marrento do que antes, mostrando que o personagem não “cresceu” muito de seu último desafio até aqui. Até seu relacionamento com Bianca (Tessa Thompson) parece diferente, não sendo mais uma “troca” como no filme anterior.

Vemos aqui que Bianca carrega os problemas do homem sem que esse se interesse pelos problemas dela. Há pouco espaço na narrativa para as mulheres do filme, concentrando no que “importa” para o entretenimento: o treinamento e a luta.

Ainda está na nostalgia o elemento chave de Creed II. Os ensinamentos de Rocky e sua presença em tela continuam sendo o coração do filme. As conversas no cemitério junto ao túmulo da esposa, as tentativas de ligar para o filho e o conflito interno de ser um “peso” na vida de outras pessoas. Momentos que enchem os olhos de lágrima e deixam um aperto no coração.

Rocky consegue demonstrar como as escolhas erradas que fez trouxeram arrependimentos para vida toda, e é esta sabedoria que ele tenta, muitas vezes sem sucesso, repassar para um Adonis mais cabeça dura e orgulhoso do que nunca.

Falando no personagem, Michael B. Jordan parece bem menos inspirado neste segundo filme, entregando uma atuação não tão brilhante em boa parte da história, mas que melhora do meio para o final. Falta em Adonis a leveza e a motivação do primeiro filme, muito provavelmente porque essa produção só existe para fazer bilheteria, e não por um propósito maior.

Creed II não é um filme ruim, mas peca em vários momentos de seu roteiro, mostrando que não é só o herdeiro de Apollo que está procurando um motivo para lutar/existir. O plot com a família Drago é um tanto quanto forçado, tornando seu desenrolar difícil e custoso. A finalização é satisfatória, mas longe do ótimo legado deixado pelo primeiro filme. Ainda assim, é um bom entretenimento – com ótimas cenas de luta –  para quem não tem muitas expectativas.

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Assista ao trailer:

Creed II estreia hoje (25) nos principais cinemas do país. Lembre-se de após assistir, voltar aqui e compartilhar conosco sua opinião e se curtiu a crítica, compartilhe com seus amigos! 😉