CRÍTICA – Crimes do Futuro (2022, David Cronenberg)

    Crimes do Futuro é um filme escrito e dirigido por David Cronenberg, o longa estreou no Festival de Cannes deste ano e chegou ao Brasil pelo streaming MUBI

    No elenco estão Viggo Mortensen, Kristen Stewart, Léa Seydoux, Denise Capezza, Don McKellar, Ephie Kantza e Jason Bitter

    SINOPSE

    Em um futuro distópico, onde os humanos precisam aprender a conviver e se adaptar a um ambiente sintético, a espécie deve ir para além do que seu estado natural permite e se submeter a uma metamorfose, o que causa uma mudança em seu DNA. Saul Tenser (Viggo Mortensen) é um artista mundialmente reconhecido que junto com sua companheira Caprice (Léa Seydoux), utiliza esse novo estado de ser para sua arte, realizando alterações no seu corpo de forma pública. 

    ANÁLISE

    Após oito anos longe dos cinemas, David Cronenberg retorna com uma obra impetuosa e provocante. Crimes do Futuro tem a assinatura do diretor, utiliza-se do body horror para contar uma história sobre um futuro distópico em que plástico é comida, a dor quase não existe mais e a tecnologia é extremamente estranha.

    Dito isso, é assustador saber que Cronenberg escreveu o roteiro no final do século XX, sua ideia de mutação genética e evolução da espécie vai de encontro a um mundo marcado pelas mudanças climáticas e o avanço científico. De certa forma, Crimes do Futuro tem um tom de aviso prévio, por debaixo das cenas chocantes que fizeram o público sair da sala em Cannes, é notável que o longa expressa uma preocupação com a humanidade. 

    No mundo de Saul Tenser, a arte é uma forma de expressar sua dor física, ao lado dele está Caprice que sutilmente conduz o espetáculo a olhos curiosos. Enquanto ele é aberto, ela faz a cirurgia removendo órgãos de forma performática. Ao mesmo tempo que é repulsivo, é hipnotizante e em certo ponto não deixa de ser sexual. 

    Mas, há muito mais acontecendo em Crimes do Futuro, o que leva a narrativa para diferentes lados. Enquanto Tenser e Caprice performam, uma organização encabeçada por Timlin (Kristen Stewart) e Wippet ( Don McKellar) responsável por fiscalizar os órgãos, busca alertar sobre os procedimentos extremos ao mesmo tempo que encantam com os espetáculos corporais.

    Além disso, uma causa aparentemente social e política age na clandestinidade com cirurgias perigosas que modificam o corpo humano para digerir plástico. Desse grupo, nasce a primeira criança naturalmente híbrida que traria a evolução da espécie humana mediante as mudanças globais. Com tantas subtramas, Cronenberg tenta abarcar o máximo de percepções próprias que falam de um futuro imediato. 

    A estética de Crimes do Futuro é inteiramente construída para deixar o espectador desconfortável, com máquinas que lembram ossos humanos e lugares que parecem claustrofóbicos. De certa forma, o longa subverte o body horror e para aqueles personagens excêntricos o transforma em arte corporal. 

    VEREDITO

    Crimes do Futuro não é o longa mais inventivo da carreira de David Cronenberg, mas é peculiar e autêntico. Apesar de alguns pontos confusos e sem grandes aprofundamentos é uma história que choca justamente por tratar de algo possível.

    Nossa nota

    4,0 / 5,0

    Assista ao trailer legendado:

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