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CRÍTICA – Midsommar (2019, Ari Aster)

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Midsommar: Filme não é recomendado para menores de 18 anos

Apenas dois longas compõem a carreira como diretor de Ari Aster, porém o seu trabalho é daqueles que causam impactos extremamente relevantes para o mundo do cinema. Midsommar – O Mal Não Espera a Noite, segundo filme do diretor com a A24, se junta ao antecessor Hereditário como um filme intenso, perturbador e brilhante.

Midsommar, assim como Hereditário, possui uma narrativa linear e bem construída. No entanto, neste segundo filme, Aster não tem nenhuma pretensão de acelerar o desenvolvimento da história, mantendo um clima de suspense e drama – acompanhado de uma trilha sonora marcante – durante seus 138 minutos de duração.

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O longa nos passa a impressão de que não há pontos altos e pontos baixos, se mantendo constante e sólido durante todo o tempo. Não há momentos de puro terror, ou cenas que levam ao ápice da euforia: Midsommar – O Mal Não Espera a Noite tem o mérito de se manter linear e intrigante durante todo o desenrolar. Para algumas pessoas que vão ao cinema com a expectativa de ver um filme de terror assustador – aos moldes do visionário Hereditário – volte para casa. Midsommar é muito mais psicológico, sutil e, por vezes, diabólico.

Da esquerda para a direita: William Jackson Harper, William Poulter, Florence Pugh e Jack Reynor.

Midsommar conta a história de Dani (Florence Pugh), uma mulher que, após uma perda trágica, resolve embarcar em uma viagem organizada por seu namorado Christian (Jack Reynor) e os amigos Josh (William Jackson Harper), Mark (William Poulter) e Pelle (Vilhelm Blomgren) para o vilarejo de Hårga, em Hälsingland, na Suécia.

O destino não é escolhido por acaso: Pelle, estudante sueco que está nos Estados Unidos por causa da faculdade, faz parte de uma pequena comunidade em Hårga, que irá comemorar naquele ano o Festival Midsommar – que dura nove dias e acontece durante o solstício de verão. Não há noite durante esses nove dias, tornando a ideia de tempo um pouco confusa para quem é de fora da comunidade.



Ao chegarem ao vilarejo, todos os estrangeiros são muito bem recebidos, aprendendo sobre a cultura local e sua tradição. Chás alucinógenos e todos os tipos de “drogas” naturais são utilizadas pela comunidade, tornando a festividade bem atrativa para os garotos do grupo. O fato de Christian e Josh serem antropólogos torna a experiência muito relevante, pois é uma forma de estudar uma cultura diferente, que possui seus próprios rituais e crenças.

CRÍTICA - Midsommar (2019, Ari Aster)

A forma como Ari Aster consegue construir a narrativa em torno dos personagens é enriquecedora. Principalmente pelo fato de todo o desenrolar da trama acontecer ao longo do dia, sem artifícios de sustos durante a noite – por assim dizer. Toda a fotografia é deslumbrante, clara e intensa, quase angelical, demonstrando o quão única é a experiência que aqueles convidados estão experimentando.

O mais interessante da trama está no desenvolvimento de Dani, que passa de uma mulher submissa e cheia de inseguranças, para uma mulher decidida e até ambiciosa. A vivência com aquela comunidade é como um renascimento para ela, agregando na forma como ela trata os outros personagens – e também como ela enxerga seu relacionamento com Christian. Em uma das tantas entrevistas dadas pelo diretor, Aster diz que Midsommar é um filme sobre superar relacionamentos e, no meio de todo o absurdo e drama, é possível enxergar isso. Florence Pugh está perfeita no papel, entregando uma atuação sensível, mas perturbadora ao mesmo tempo.

Não tão interessante, mas que vale a pena ser mencionado, é o trabalho de Jack Reynor como Christian. O personagem faz o caminho inverso ao de Dani, deixando sobressair sua natureza influenciável e suas vontades obscuras ao passo que abandona sua posição dominadora perante as outras pessoas. O desenvolvimento de ambos é incrível e a forma como o roteiro conduz esses personagens em meio a todas as bizarrices é espetacular.

O trabalho de construção de cenário é outro tema relevante de Midsommar. Como já presenciamos em Hereditário – e em suas mini maquetes perturbadoras – aqui Ari Aster utiliza de quadros, escrituras, ilustrações e símbolos a todo momento, como se tentasse alertar aos personagens, e a quem está assistindo ao filme, o que pode vir a acontecer em seguida. Como um grande ritual premeditado em livros e pergaminhos, a trama mostra a todo momento elementos que validam a escolha de cada um dos personagens naquele vilarejo durante toda a cerimônia.

Midsommar – O Mal Não Espera a Noite é um filme para ser assistido com atenção e com calma, pois a cada minuto há alguma cena, algum elemento ou algum diálogo que pode fazer toda diferença ao entendimento da trama. Assim como Hereditário, é o tipo de filme que abre espaço para inúmeras discussões e teorias, tornando sua relevância enorme a longo prazo. Uma obra incrível que deve ser apreciada.

Nossa nota


Assista ao trailer:

Assista também nossa crítica em vídeo:

Midsommar – O Mal Não Espera a Noite estreia no dia 19 de setembro nos cinemas de todo Brasil. Não esqueça de passar por aqui e nos dizer o que achou do filme!

Nota do publico
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