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CRÍTICA – Nimic (2019, Yorgos Lanthimos)

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CRÍTICA - Nimic (2019, Yorgos Lanthimos)

Eu não vou mentir para vocês, Nimic é uma obra muito especial e possui diversos significados, dependendo do ângulo do público. Então não esperem um curta de doze minutos onde você consegue terminar, dizer: “Ah, bacana” e seguir a vida logo em seguida. Ele gera alguns questionamentos e com certeza justifica ser um dos curtas mais esperados na 43ª Mostra Internacional de Cinema.

Mas vamos por partes, certo? Para entendermos o curta, é importante vermos o diretor: Yorgos Lanthimos, já conhecido e muito aclamado pelos trabalhos anteriores, principalmente o recente A Favorita (2019), que rendeu várias indicações nas principais premiações do cinema e também 10 estatuetas do Oscar – incluindo Melhor Diretor e Melhor Filme. E é fácil notar que o tom de Lanthimos em Nimic realmente nos relembra um pouco de sua direção em seu premiado filme.

Yorgos Lanthimos dirigindo Rachel Weisz em A Favorita.

O curta trabalha com um universo aparentemente normal, cotidiano, sem magias, animações, espaço sideral e etc. Porém a direção traz conceitos como repetição, rotina, tédio, e tudo isso – preciso ressaltar – marcado brilhantemente pelo som.

O protagonista, interpretado por Matt Dillon, é um pai de família que segue sua rotina familiar e vai ensaiar como membro de uma orquestra. No metrô, ele pergunta a hora para uma mulher (Daphné Patakia), que se mostra receosa e sem vontade de conversar, como a maioria dos cidadãos em transporte público. A partir daí, com fotografias ótimas, sons precisos e ações repetitivas, a mulher passa a copiar tudo o que o homem faz, inclusive quando chega em casa com sua família. Há poucas falas, mas nelas também sentimos um tom de perda de personalidade e pânico.

Nimic obviamente se parece com a palavra mimic, que significa mímica. Porém em romeno nimic significa nada, que apresenta o vazio no universo do curta.

A atuação em si não é nada lá muito Fernanda Montenegro, mas essa frieza é essencial para o curta, então casou com todo o resto da produção.



Como artista eu sempre acho tudo muito bom e tudo muito bonito, porque quando a pessoa se propõe a fazer um trabalho de coração e atinge um público, eu considero arte. Então, óbvio ou não, o curta Nimic é de um trabalho realmente delicado e preciso, como a própria mímica funciona. Palmas também para o escritor Efthymis Filippou, e fica a recomendação para que todos assistam e tirem suas próprias conclusões sobre a mensagem do filme.

Assista ao trailer:

Nossa nota

Nimic será exibido durante a 43ª Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo. Quer saber mais sobre a Mostra? clique aqui.

A Mostra Internacional de Cinema ocorrerá entre 17 e 30 de outubro de 2019 em 34 salas de exibição. Lembre-se de voltar aqui para deixar seus comentários e sua avaliação.

Nota do publico
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