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CRÍTICA – Uma Noite em Miami / One Night in Miami (2020, Regina King)

CRÍTICA – One Night in Miami (2020, Regina King)

One Night In Miami (Uma Noite em Miami) é a adaptação cinematográfica dirigida por Regina King da peça homônima criada por Kemp Powers (que também roteiriza o longa).

Baseado em acontecimentos reais, mas criando uma situação fictícia, One Night In Miami apresenta um encontro entre Malcolm X, Cassius Clay (futuramente Muhammad Ali), Jim Brown e Sam Cooke em um momento que esses ícones estão se estabelecendo como lendas em seus segmentos.

O longa competiu em diversas premiações de 2020 e teve uma estreia limitada em dezembro do mesmo ano. Seu lançamento oficial será na Amazon Prime Video no dia 15 de janeiro. 

SINOPSE

One Night In Miami é o relato fictício de uma noite incrível onde os ícones Muhammad Ali (Eli Goree), Malcolm X (Kingsley Ben-Adir), Sam Cooke (Leslie Odom Jr.) e Jim Brown (Aldis Hodge) se reúnem e discutem seus papéis na luta pelos direitos civis e na revolução cultural dos anos 1960.

ANÁLISE

A adaptação da peça de Kemp Powers para o cinema é um empolgante estudo de caso de quatro grandes lendas da comunidade negra americana. Sendo esse o primeiro longa de Regina King como diretora, o resultado é mais do que satisfatório: é esplêndido.

Durante 114 minutos, acompanhamos o encontro de quatro amigos em um quarto de hotel após a grande vitória de Cassius Clay contra Sonny Liston em 25 de fevereiro de 1964. Tal feito garantiu a ele o título de campeão mundial de boxe. O encontro gera diversos debates, discussões e aproximações entre as quatro figuras.

CRÍTICA – One Night in Miami (2020, Regina King)

A peça de Powers, que estreou em 2013 nos Estados Unidos, rendeu diversos prêmios teatrais para o escritor. Ele é responsável também pelo roteiro de Soul, recente longa da Pixar aclamado pela crítica. O material original possui 90 minutos e se passa em apenas um cenário. No longa, a ambientação foi ampliada, trazendo outras locações e elementos típicos dos anos 1960.

A ambientação de One Night In Miami é ótima, e toda a dinâmica dentro do quarto do hotel funciona muito bem. A câmera consegue transitar entre os cômodos com facilidade, evitando que as cenas sejam sempre em uma mesma posição. Mesmo a maior parte do filme se passando em apenas alguns cômodos, a produção não é maçante, tampouco arrastada.

O elenco principal é um achado e possui uma ótima química. Kingsley Ben-Adir dá vida a um Malcolm X que, em sua intimidade com seus amigos, se mostra tímido e extremamente sentimental, com um enorme coração. Leslie Odom Jr. é um dos grandes nomes da Broadway e um ator subestimado, que merecia muito mais destaque não só por sua voz, mas por seu talento como ator. Seu Sam Cooke é poderoso e possui um canto inigualável que pode mover multidões.

O Jim Brown de Aldis Hodge é calmo e um ótimo ouvinte, funcionando como um mediador de possíveis conflitos ao longo daquela noite. E, claro, há a força motriz e principal condutor da história, o simpático e entusiasmado Cassius de Eli Goree.

CRÍTICA – One Night in Miami (2020, Regina King)

Cada indivíduo possui sua própria maneira de debater a respeito dos direitos civis e um entendimento único sobre como suas conquistas contribuem para o fortalecimento da comunidade negra nos Estados Unidos. Todo o desenrolar das argumentações é uma aula de história para o espectador, que se vê arrebatado pelos diálogos entre os personagens.

Corroborado por cenas em que esses personagens aparecem sozinhos, um ponto crucial do longa é que nenhuma pessoa negra está livre do racismo. Mesmo com todo o poder e fama que eles possuíam, Cassius, Malcolm, Sam e Jim eram constantemente alvos de atos racistas e humilhantes. Produções como One Night In Miami e Lovecraft Country conseguem utilizar do humor e de diálogos inteligentes num contexto de época para trazer debates oportunos e necessários ainda nos dias atuais.

É impossível não lembrar da recente polêmica do Grammy, The Weeknd e as categorias R&B e Pop com as falas de Sam Cooke. Ou de todas as polêmicas da NFL nos últimos anos, principalmente com o jogador Colin Kaepernick, durante as cenas de Jim Brown. Por mais que as situações apresentadas se passem nos anos 1960, pouco se progrediu em relação ao combate do racismo estrutural no mundo.

CRÍTICA – One Night in Miami (2020, Regina King)

Ver a poderosa união de quatro ícones lendários debatendo sobre suas causas, ao mesmo tempo em que expõem seus pensamentos e sentimentos mais íntimos é uma jornada incrivelmente prazerosa. King faz um excelente trabalho de direção que, atrelado ao ótimo roteiro de Powers, resulta em um longa que merece ser visto pelo maior número de pessoas possíveis.

VEREDITO

Mostrando uma poderosa irmandade em tela, One Night In Miami é um excelente filme e merece diversas indicações ao Oscar deste ano, principalmente na categoria de melhor filme.

Todos os atores principais são incríveis, mas destaco Kingsley Ben-Adir e Leslie Odom Jr. como duas atuações arrebatadoras e que também merecem seus devidos reconhecimentos na temporada de premiações.

Esse é um ótimo início de Regina King como diretora, pois é um projeto excelente e que reflete o nosso tempo, mesmo se passando em outra época. Eu espero que ela faça diversos filmes após esse e conte novas histórias poderosas como One Night In Miami.

Nossa nota

5,0 / 5,0

Assista ao trailer:

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Relações-Públicas de formação. Com pós-graduação em Star Wars e universo expandido, mas Trekker de coração. Defensora de todos os Porgs, Ewoks e criaturas fofinhas da galáxia.