CRÍTICA – Shiva Baby (2020, Emma Seligman)

    Shiva Baby é o primeiro longa-metragem roteirizado e dirigido por Emma Seligman. Adaptado do curta-metragem de mesmo nome (lançado em 2018), Shiva Baby foi desenvolvido durante dois anos e teve seu debut no Festival de Toronto em 2020. Estrelado por Rachel Sennott, o filme está disponível na plataforma de streaming MUBI.

    SINOPSE

    Em Shiva Baby, Danielle (Rachel Sennott) é uma jovem bissexual ainda indecisa sobre sua carreira profissional. Ela se sente pressionada pelos pais a tomar um rumo na vida e encontra maneiras alternativas de ganhar dinheiro. Quando vai a um funeral junto de sua família, ela passa por vários momentos constrangedores ao esbarrar em seu sugar daddy.

    ANÁLISE

    Shiva Baby é uma comédia muito divertida, mas que possui, ao mesmo tempo, tons de terror e drama. Isso porque Danielle passa por tantos momentos de tensão ao longo da trama que, às vezes, parece que ela está inserida em uma produção de Ari Aster. Emma Seligman merece todos os méritos por construir uma trama tão envolvente e instigante, que nos mantêm angustiados com o destino da jovem “babá”.

    O longa mostra a trajetória de Danielle durante um Shivá, que na cultura judaica é o período de sete dias em que a família se mantém de luto devido à morte de um ente querido. Após o enterro, todas as pessoas estão reunidas em uma mesma casa para comer, conversar e orar. É nesse momento que Danielle esbarra em seu sugar daddy, Max, interpretado por Danny Deferrari.

    A partir desse momento acompanhamos os encontros e desencontros de Danielle com o rapaz e com a esposa dele, Kim, vivida por Dianna Agron. Por Danielle ser uma jovem que está terminando a faculdade, sua mãe Debbie (Polly Draper) passa o tempo todo empurrando a filha para Max e Kim, sonhando que eles possam empregá-la. A ironia está explicita.

    CRÍTICA - Shiva Baby (2020, Emma Seligman)

    Além de todo o desconforto da história em si, a direção de Emma Seligman é primordial para promover a sensação de sufocamento que sentimos ao longo dos 77 minutos de produção. Com uma câmera precisa e focada nos rostos dos atores, acompanhamos a movimentação dos personagens dentro dos cômodos da casa, presos em conversas paralelas enquanto a tensão entre Danielle e Max aumenta.

    As interações com os personagens coadjuvantes são a cereja do bolo. Comentários sobre o peso de Danielle, namorados, emprego, faculdade, e outras tantas indagações que estamos acostumados a ouvir em reuniões familiares, tornam toda a situação um caos extremamente divertido.

    Seligman ainda encontra formas inteligentes de acrescentar a trama paralela de Danielle e Maya (Molly Gordon) em meio a esse emaranhado de informações. A forma como a roteirista e diretora insere o contexto da bissexualidade de Danielle é fluida e nenhum pouco gratuita, criando um background expressivo para a personagem, sem cair no queerbaiting que tanto vemos em outras produções.

    Todo o entrosamento do elenco principal é primordial para o bom andamento da história, principalmente por ela se passar inteiramente em uma única locação e com acontecimentos simultâneos. O cast é muito bem selecionado, e todos parecem confortáveis com seus papéis.

    A atuação de Rachel Sennott é ótima e suas interações com Polly Draper possuem um ótimo timing de comédia. É assombroso como famílias escolhem os piores momentos possíveis (um funeral) para debaterem coisas triviais como a separação de uma vizinha ou o futuro dos filhos. Todos os diálogos entre mãe e filha são ótimos, rendendo cenas vergonhosas.

    VEREDITO

    Shiva Baby é um longa divertido, com um ótimo elenco e uma direção excepcional de Emma Seligman. Certamente uma ótima opção a ser assistida na MUBI.

    Nossa nota

    4,0/5,0

    Assista ao trailer

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