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CRÍTICA – Uma Noite de Crime: A Fronteira (2021, Everardo Valerio Gout)

Uma Noite de Crime: A Fronteira é o quinto longa da franquia iniciada em 2013. O filme é dirigido pelo diretor mexicano Everardo Valerio Gout.

SINOPSE

A Noite dos Expurgos se inicia e um grupo de pessoas vai para a segurança de seus abrigos para se proteger desse macabro evento.

No dia seguinte, tudo está de volta ao normal, entretanto, milícia de extrema-direita decidem realizar uma eterna noite de crimes, caçando pessoas não brancas nos Estados Unidos.

ANÁLISE

Uma Noite de Crime foi um filme que fez um burburinho em 2013 por trazer a tona uma discussão de uma nova estrutura utópica de um sistema penal diferenciado no qual todos os cidadãos tem uma noite para extravasar e colocar para fora todo o seu ódio e questões sombrias. Por mais furada que possa ser a ideia, há bons pontos para serem discutidos, uma vez que o fatio dos crimes serem liberados de forma total por pelo menos um dia faria cidadãos “menos raivosos”.

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Todavia, passaram-se quatro filmes da franquia e as discussões políticas sempre ficaram em segundo plano em detrimento de uma ação desenfreada e caótica apresentada por diversos diretores. Em Uma Noite de Crime; A Fronteira isso não é diferente, contudo, há um pequeno aprofundamento e subversões interessantes nessa estrutura.

Ao trazer atores latino-americanos como protagonistas e também mostrar que até mesmo os americanos não extremistas guardam em seu âmago diversos preconceitos, o longa discute e mostra as mazelas de uma sociedade falida. Por mais que a violência e matança seja o foco da direção, o fato de as portas do Canadá e, principalmente, do México estarem abertas aos cidadãos estadunidenses é um tapa na cara dos mais conservadores, uma vez que desde a era Trump, muros imaginários foram construídos para separar os “americanos de verdade” dos imigrantes que ajudaram a construir a nação estadunidense.

Entretanto, Everardo Valerio Gout prefere dar ênfase nos tiroteios confusos nos quais não sabemos quem está atirando em quem, tampouco a localização dos atiradores nas cenas de ação confusas e mal dirigidas. O elenco também é sofrível, se salvando apenas Ana de La Reguera (Army of The Dead) com uma atuação segura, consolidando a atriz como uma boa opção em filmes de ação.

VEREDITO

Uma Noite de Crime: A Fronteira é um longa que desperdiça o seu potencial de texto, uma vez que prefere a ação em detrimento das questões políticas. Contudo, de todos os cinco filmes da franquia, é o que melhor trabalha esse ponto, sendo pelo menos relevante nesse aspecto tão importante.

Para quem é fã dos filmes anteriores, o longa apresenta tudo que já foi feito, com alguns caprichos, mesmo que a ação deixe muito a desejar. De qualquer forma, Uma Noite de Crime: A Fronteira pode ser uma opção de entretenimento e reflexão para quem entender a poderosa mensagem que está em suas entrelinhas.

Nossa nota

3,2/5,0

Confira o trailer de Uma Noite de Crime: A Fronteira:

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Relações-públicas, gremista, nerd, escorpiano e palestrinha. Parece futebolista, pois só vive descendo a lenha. DC é melhor que Marvel, todavia, amamos as duas.