CRÍTICA – Wolfwalkers (2021, Tomm Moore e Ross Stewart)

    Wolfwalkers é o filme original da Apple TV+ que concorre ao Oscar de Melhor Animação na competição deste ano. Dirigido por Tomm Moore e Ross Stewart, o longa completa uma trilogia de histórias folclóricas desenvolvidas por Moore.

    SINOPSE

    Uma jovem caçadora aprendiz e seu pai viajam para a Irlanda para ajudar a eliminar a última matilha de lobos. Mas tudo muda quando ela faz amizade com uma garota de espírito livre de uma tribo misteriosa, que dizem que se transforma em lobos à noite.

    ANÁLISE

    Wolfwalkers é mais uma grata surpresa nessa temporada de premiações. Com uma trama que adapta a lenda folclórica irlandesa, a animação traz os valores de amizade, união e coragem para o centro do debate.

    Ambientada em um vilarejo da Irlanda, Wolfwalkers conta a história de Robyn (Honor Kneafsey), uma jovem inglesa que faz de tudo para se conectar com seu pai Bill (Sean Bean). Bill é um caçador e, a mando do tirano local, é obrigado a caçar os lobos que vivem em uma floresta próxima à cidade.

    Em um dia de caçada, Robyn resolve seguir seu pai e acaba descobrindo na floresta a pequena Mebh (Eva Whittaker), uma menina que, ao dormir, se transforma em lobo. A amizade das duas meninas acaba crescendo com o tempo e circunstâncias.

    Wolfwalkers aborda diversos assuntos importantes de forma simples e objetiva. Há espaço até para uma reflexão sobre o desmatamento excessivo e a importância da natureza em nossas vidas. É uma obra sensível que utiliza da amizade de duas crianças para apresentar um contexto muito maior.

    CRÍTICA – Wolfwalkers (2021, Tomm Moore e Ross Stewart)

    O traço da animação é incrível, principalmente por fugir da já enraizada técnica 3D que vemos na maioria das grandes animações atuais. Os cenários lembram muito o desenho clássico 101 Dálmatas, pois parecem realmente pinturas feitas à mão, ao passo que a caracterização do Lorde Protetor (Simon McBurney) lembra um pouco o vilão de Pocahontas.

    A animação é visualmente incrível, principalmente quando acompanhamos as mudanças dos personagens em lobos. Há um grande cuidado no uso das cores nesta produção, garantindo ótimo contraste entre a realidade alegre e cheia de vida da floresta com o cinza e azul depressivos do vilarejo.

    A história de Robyn e seu pai é um tanto exaustiva, mas reflete a realidade ao mesmo tempo em que o relacionamento entre Robyn e Mebh é fluido e divertido. A animação encontra espaço também para mostrar como o mundo dos homens está completamente doente, quebrado e distorcido, visto que entende a natureza como um mal terrível, e confia cegamente nas promessas de um tirano.

    A trilha sonora é um dos pontos mais acertados da animação. Wolfwalkers possui cânticos e instrumentais típicos das culturas irlandesa e celta. As canções provocam um sentimento de paz e serenidade, principalmente nas cenas que se passam na floresta com os lobos, mas também conseguem se encaixar nos momentos de alerta e perigo. Um trabalho muito bem conduzido e que merece ser destacado.

    CRÍTICA – Wolfwalkers (2021, Tomm Moore e Ross Stewart)

    Assim como toda animação, temos uma grande lição a ser aprendida no desfecho da história, e o arco final de Wolfwalkers segue essa mesma lógica. Sua conclusão é coesa, interessante e arrebatadora, permitindo que o espectador transite por diversos sentimentos ao longo do encerramento.

    VEREDITO

    Uma das melhores animações que estão na corrida para o Oscar deste ano, Wolfwalkers poderia sair facilmente com essa estatueta em mãos. Isso, claro, se não estivesse concorrendo contra Soul, outro grande lançamento deste ano, e favorito na disputa.

    Mesmo com poucas chances de vencer, Wolfwalkers se consagra como uma ótima animação, com um roteiro simples, mas intenso e espirituoso.

    Nossa nota

    4,5/5,0

    Assista ao trailer

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