Noites Sombrias #60 | Pânico 5 e a interminável auto referência

    O Noite Sombrias dessa semana volta para Woodsboro em mais um ataque geracional de Ghostface. Após 10 anos do último filme da franquia Pânico, o novo longa da saga apresenta novas técnicas de horror sem deixar a linguagem característica de lado. 

    Com direção de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett (Casamento Sangrento) e roteiro de James Vanderbilt (Zodíaco) e Guy Busick (Casamento Sangrento), Pânico (2022) ou obviamente, Pânico 5 não busca ser ousado ou diferente do que os fãs da saga estão acostumados. O filme se intera de seus antecessores para criar uma interminável auto referência que se torna o grande plot do longa.

    Tudo começa com um telefone fixo tocando – por mais clichê que possa parecer, ainda funciona – a jovem Tara Carpenter (Jenna Ortega), sozinha em casa, atende o telefonema e uma voz familiar começa a lhe perguntar sobre filmes de terror. Para Tara é simples, seus filmes favoritos de terror não são bem terror, como a própria diz, “são horror elevados” como The Babadook

    Para qualquer fã de terror, esse tipo de argumento seria o fim. Mas, para a geração de Tara, o chamado “pós horror” trouxe questões sociais para serem discutidas dentro dos filmes de terror (como se nenhum cineasta do gênero tivesse feito isso antes), o que soa mais atrativo. Porém, Tara conhece os clássicos do gênero, o que não a salva de ser atacada por Ghostface. 

    Pânico 5 quebra sua primeira regra, a primeira vítima a ser atacada não morre. Tara sobrevive de uma maneira extraordinária, o que faz com que sua irmã Sam (Melissa Barrera) volte para Woodsboro, após fugir de um passado sombrio. Sam traz junto o namorado Richie (Jack Quaid), o qual conheceu há apenas seis meses e qualquer um que já tenha visto um filme sobre “Quem é o assassino?” sabe que esse é um alerta vermelho. 

    É interessante que ao longo do filme, Pânico se propõe a ser fiel a sua franquia, da mesma forma que está sedento por novas coisas. Ainda temos um grupo de adolescentes que assim como podem ser vítimas, também podem ser  assassinos, os amigos de Tara sabem das regras e brincam com elas o tempo todo. Em uma reunião com todos os envolvidos é Mindy Meeks-Martin (Jasmin Savoy Brown), irmã gêmea de Chad Meeks-Martin (Mason Gooding), que explica para a turma as regras do filme, não à toa os gêmeos são sobrinhos de Randy (aficionado por filmes de terror e morto em Pânico 2).

    Praticamente, todos no grupo têm alguma ligação com moradores antigos de Woodsboro. Wes Hicks (Dylan Minnette) é filho de Judy Hicks (Marley Shelton) de Pânico 4, assim como, Amber (Mikey Madison) vive na casa que foi de Billy Loomis (Skeet Ulric), onde aconteceu o confronto final do primeiro filme. Logo, o longa traz aspectos familiares e locais para evidenciar que qualquer um pode ser o novo assassino ou novos asassinos.   

     Pânico têm uma enorme capacidade de fazer autocrítica, de uma forma que pareça uma piada de si mesmo. Mindy fala que os fãs de terror não querem mais saber de reboots ou remakes, a bola da vez são as requels. Uma forma de fazer sequências trazendo aspectos originais do conteúdo, mas com inovações como novos personagens. Justamente o que Pânico 5 se propõe a fazer. 

    Até mesmo a franquia de filmes dentro de Pânico, “Stab”, está saturada dos filmes de terror. Em uma cena, Richie comenta que a saga Stab desandou depois do quinto filme (lembrando estamos vendo Pânico 5), sendo o oitavo filme o pior de todos por supostamente trazer coisas diferentes a franquia, também é falado que Rian Johnson (Star Wars: Os Últimos Jedi) foi quem dirigiu esse filme odiado pelos fãs. 

    Dessa forma, o longa faz uma crítica às intermináveis franquias e também aos fãs tóxicos que lotam as redes sociais e os fórum de discussões da internet de comentários negativos quando um diretor ou estúdio resolve trazer o mínimo de criatividade a uma franquia já batida. 

    Apesar disso, Pânico 5 não é tão ousado quanto seu discurso mostra. O filme fica preso a velhos estigmas revelando uma dupla de assassinos já batidas de outros filmes da saga. É decepcionante para os fãs, mas confortável para a produção. O que leva a pensar o quanto a auto-referência de Pânico até um certo ponto não começa a ser prejudicial a franquia, se estamos no quinto filme e tudo que podemos fazer é uma auto análise e piadas com o gênero o terror, começa a ser desgastante e mais do mesmo. Ou seja, tudo que Pânico crítica e repudia de outras franquias de filmes. 

    DIREÇÃO E PERSONAGENS ANTIGOS

    Wes Craven, um dos mestres do horror e idealizador de filmes como A Hora do Pesadelo, revolucionou o gênero com Pânico (sobre isso temos conteúdo no site) criando uma trama com personagens fortes e um assassino lendário. Infelizmente, Craven morreu em 2015, mas Pânico 5 é uma grande homenagem ao diretor. 

    Por isso, talvez, o filme mantenha alguns aspectos de roteiro característicos de Graven, ainda que aposte em mais drama do que o diretor apostaria. Mas, para além disso, Pânico 5 ganha pela direção de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, a dupla faz mais movimentos de câmera robustos e constrói o filme mais violento da saga. 

    Pânico 5 escorre sangue e suas mortes gráficas são mais um adendo dos diretores. Em algumas cenas, como a que Tara precisa de salvar sozinha no hospital, revelam a capacidade técnica do filme em ser aterrorizante.

    Por último, é necessário falar do maior e melhor trio de filmes de horror. Dewey (David Arquette), um tanto mais dramático, continua sendo um dos personagens mais queridos da saga e não mede esforços para ajudar as novas vítimas a lidar com Ghostface. Já Gale (Courteney Cox) e Sidney (Neve Campbell) continuam as final girls que todos amam. 

    Logo, é evidente que esse filme também é um passada de bastão (ou tocha) para novos personagens que podem vir agregar em muito na franquia. É fato que Pânico ainda precisa ajustar algumas coisas, como aparições fantasmagóricas de personagens que já morreram e não fazem o menor sentido, mas o saldo final é divertido e extremamente sangrento. 

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