Início FILMES Crítica TBT #114 | Sicario: Terra de Ninguém (2015, Denis Villeneuve)

TBT #114 | Sicario: Terra de Ninguém (2015, Denis Villeneuve)

Tá procurando aquela dica leve pra assistir tomando um chá, depois de um dia cansativo? Pode dar uma olhada nos outros TBTs, porque hoje não tem dessas não. Em Sicario: Terra de Ninguém, a tensão é do início ao fim e a ideia do filme vai ficar martelando na cabeça por algum tempo.

SINOPSE

Kate (Emily Blunt) é uma agente do FBI convidada para uma operação da CIA para prender o líder de um cartel e, também, chefe de Alejandro (Benicio del Toro) e Matt (Josh Brolin). Quando ela começa a questionar sobre a investigação, descobre que deve escolher entre os limites éticos e a própria vida.

ANÁLISE

Sicario convida o espectador a explorar o submundo do tráfico paulatinamente. Denis Villeneuve, diretor também do consagrado Incêndios (2011) e do esperado Duna (2021), é conhecido por tramas onde seus personagens não seguem um alinhamento único, tendendo a flutuar entre as variações possíveis.

Neste longa, a pseudo-protagonista oscila entre cumprir o dever com ética, ou tentar resolver de maneira mais pragmática. Emily Blunt está muito bem ladeada pelas atuações incríveis de Josh Brolin e Benicio del Toro.

Matt (Brolin) é um personagem que transborda arrogância e carece de escrúpulos. Alejandro (del Toro) é um completo enigma do início ao fim, com uma frieza que não permite a confiança.

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Amparado por estes três complexos personagens, Sicario vai te levando, sem perceber, para o núcleo dos cartéis. A tensão permanente e as ações bruscas e violentas tornam o filme um desafio de resistência e curiosidade. Causa incômodo a indiferença com que vidas são ceifadas e todos os melindres da política por trás do tráfico. Mas apesar do sentimento de inconformidade, nos obrigamos a seguir na ponta do sofá querendo saber até onde tudo isso vai levar.

Além das atuações e do enredo, merece também destaque a incrível fotografia. Enquadramentos precisos, tomadas aéreas geniais e uso de elementos visuais que nos fazem sentir ainda mais imersos na trama. Tudo milimetricamente encaixado, sem destoar ou tirar atenção do que importa (destaque aqui para Roger Deakins, que trabalha muito bem com Villeneuve, a exemplo de Os Suspeitos e Blade Runner 2049).

A velocidade dos cortes e transições também colaboram pra tirar o ar de quem está assistindo. A edição de som, posicionando sensorialmente os objetos na tela e marcando os momentos chave é uma aula a parte.

A trilha sonora cumpre com seu papel de maneira sutil e inteligente, com seus vários graves colaborando para o clima de suspense. Não toma conta das cenas, mas se encaixa pontualmente quando é necessária.

VEREDITO

Sicario: Terra de Ninguém é uma grande obra, bebendo da fonte de grandes thrillers policiais mais antigos e adicionando aquela pitada de Denis Villeneuve para deixar tudo mais caótico.

Fãs das séries ao estilo Narcos vão curtir, já que Sicario aborda não só o cartel de Juarez como passeia pelo vasto mundo do tráfico. É um filme instigante e que realmente mexe com quem assiste. Agita, incomoda, surpreende.

Se não estiver cansado ou com a ansiedade alta, vale a pena assistir esse belo trabalho do diretor, talvez até pra ver o que esperar do tão aguardado Duna.

O filme está disponível via Telecine Play. Já conhece? Aproveita que tem 30 dias grátis e confere toda a gama de excelentes filmes que tem por lá.

Nossa nota

3,5 / 5,0

Assista ao trailer legendado:

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Vindo do interior do interior do RS, fã de Cornwell, Zelda e do Fernandão, (péssimo) piadista, dá pitaco sobre quase tudo. Amante da cerveja, gosta de estudar diferentes culturas, leciona FIFA nas horas vagas e tem um cachorro chamado Salomão.