Início FILMES Crítica TBT #117 | King Kong vs Godzilla (1962, Ishiro Honda)

TBT #117 | King Kong vs Godzilla (1962, Ishiro Honda)

TBT #117 | King Kong vs Godzilla (1962, Ishiro Honda)

King Kong vs Godzilla de 1962 foi o primeiro filme que trouxe o conflito entre os dois ícones do cinema. Por isso, o TBT do Feededigno dessa semana é dedicado ao gorila porradeiro e ao lagarto radioativo. Ambos estarão de volta ainda em 2021 em Godzilla vs Kong, uma nova franquia lançada pela Legendary e Warner Bros. que já conta com três filmes desse universo.

O diretor do longa é Ishiro Honda que anteriormente havia dirigido Godzilla (1954) e outros filmes do gênero kaiju – monstros gigantes tretando. Entre os roteiristas estão Willis H. O. Brien, animador de stop motion responsável pelo filme King Kong (1933) e quem deu a ideia de colocar Kong em confronto com outro monstro; e Jonh Beck, produtor que deu o projeto a Toho Studios adicionando Godzilla ao filme.

SINOPSE

Tako, presidente de uma grande empresa farmacêutica do Japão, teve uma ideia ousada para promover um de seus novos produtos que promete a cura de várias doenças: apresentar aos japoneses o King Kong, um gorila gigante que supostamente cresceu e ficou forte através da matéria-prima do produto. Mas, durante todo o processo, o gorila escapa enquanto o temido Godzilla também está solto.

ANÁLISE

Em 1962, o mundo assistia a tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética ficarem cada vez maior. A chamada Guerra Fria teve ressonância não somente no Ocidente, mas também no Oriente. Dessa forma, o Japão que outrora tinha sido uma das potências envolvidas na Segunda Guerra Mundial, agora assistia dois super gigantes ameaçarem tanto o seu país, como o mundo.

Há quem diga que o cinema bebe da história e por mais galhofa que King Kong vs Godzilla seja, não dá pra tirar os significados históricos e sociais que o longa apresenta. Dito isso, no longa, os monstros surgem como uma analogia para os EUA e a URSS que viviam em ameaças, mas nunca foram de fato ao confronto pessoalmente.

Logo, King Kong vs Godzilla é o resultado imaginado pelo Japão se as duas superpotências mundiais da época entrassem em guerra. Quais seriam as consequências e o que o mundo poderia fazer frente a tamanha destruição. Essa pode ser uma das interpretações para o filme de Ishiro Honda, mas é fato que o longa tentou ao máximo fugir da visão de crítica social e buscar um público mais jovem.

Por isso, na história, todos os personagens são em uma maioria caricatos e sem grandes interpretações. O filme apresenta uma narrativa mais leve – o oposto de Godzilla de 54 dirigido por Honda – com tons de humor e drama. Sendo assim, sobra para Kong e Godzilla trazerem o tom sombrio do filme.

Uma empresa farmacêutica retira Kong de sua ilha para usá-lo como “garoto propaganda” de um dos seus produtos. Enquanto isso, um submarino americano colide com Godzilla que estava preso em um iceberg. A partir daí, ambos os monstros aterrorizam o Japão até finalmente se encontrarem.

A batalha entre Kong e Godzilla pode parecer “tosca” e sem nenhum sentido, afinal eram apenas pessoas vestidas com uma fantasia. Porém, evoca todo o sentimento de “épico”, o qual estamos acostumados no atual cinema de super-heróis. Os dois seres surgem em tela trocando socos e cambalhotas em uma luta pelo domínio da humanidade.

Consequentemente, quem leva a melhor é King Kong que ao ser atingido por um raio consegue derrotar Godzilla e seu hálito atômico. Contudo, ao final do filme se ouve o rugido de Godzilla, deixando claro que o lagarto não está morto. Dessa forma, a rixa entre ambos foi alimentada por anos sendo o que os torna tão icônicos para a cultura pop.

Uma versão editada de King Kong vs Godzilla foi lançada em 1963 pela Universal nos Estados Unidos. O intuito era apresentar os personagens com uma história mais americanizada. Ainda assim, o filme não teve o mesmo impacto que o original, já que a estética kaiju é algo culturalmente japonês e dificilmente substituível.

VEREDITO

King Kong vs Godzilla de 1962 não é nenhuma obra-prima, mas é inteligentemente divertido e bizarro. O que colabora para a criação dos dois ícones do cinema e toda a fantasia em volta deles. É um filme que deve ser visto sem muitas expectativas, mas com grande entusiasmo.

Nossa nota

3,0 / 5,0

Assista ao trailer:

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.