Início FILMES Crítica TBT #137 | Adeus, Lênin! (2003, Wolfgang Becker)

TBT #137 | Adeus, Lênin! (2003, Wolfgang Becker)

Adeus, Lênin!

Antes de estrelar grandes blockbusters como O Ultimato Bourne, Bastardos Inglórios e até mesmo Capitão América: Guerra Civil, o ator Daniel Brühl colocou sua marca no cinema alemão como alguém capaz de retratar os mais diversos períodos históricos de seu país natal. Adeus, Lênin! é o mais belo retrato do talento do ator que ganhou cada vez mais espaço pelo mundo.

SINOPSE

Em 1989, pouco antes da queda do muro de Berlim, a Sra. Kerner (Katrin Sab), uma fervorosa defensora do regime socialista passa mal, entra em coma e fica desacordada durante os dias que marcaram o triunfo do regime capitalista. Quando ela desperta, em meados de 1990, sua cidade, Berlim Oriental, está sensivelmente modificada.

Seu filho Alexander (Daniel Brühl), temendo que a excitação causada pelas drásticas mudanças possa lhe prejudicar a saúde, decide esconder-lhe os acontecimentos. Enquanto a Sra. Kerner permanece acamada, Alex não tem muitos problemas, mas quando ela deseja assistir à televisão ele precisa contar com a ajuda de um amigo diretor de vídeos.

ANÁLISE

O Muro de Berlim foi um dos marcos da segunda metade do século XX, que surgiu do dia para noite, separando um país e instaurando a dominação por parte da antiga URSS. Adeus, Lênin! é uma história cativante, ambientada em dois importantes momentos da história alemã do século XX.

Adeus, Lênin!

Em meio a ocidentalização do lado oriental da Alemanha antes dominada pelo regime socialista, vemos Alex tornar a vida de sua mãe o mais normal possível. Alex, que funciona como a força motriz que move a trama, nos leva por caminhos por vezes duvidosos, engraçados e bem curiosos, a fim de garantir que a Sra. Kerner pense que ainda vive no regime socialista.

O enredo é construído de forma a dar espaço para que Daniel Brühl, Katrin Sass e Maria Simon passeiem tranquilamente pela trama sendo tão fortes quanto aflitivos.

Ainda que delicado, inteligente, e cuidadoso, Adeus, Lênin! aborda de uma linda forma que a vida ainda é capaz de acontecer mesmo que em meio à eventos que mudam a rumo de uma nação inteira.

A direção de arte do filme, conta com elementos que nos remetem ao lado oriental da Alemanha dividida pela cortina de ferro e suas aspirações à estética da URSS, como o design dos prédios e o tradicional brutalismo – movimento arquitetônico desenvolvido por arquitetos modernos em meados das décadas de 50 e 60, adotado em grande parte na antiga URSS.

Por meio de sua trilha sonora, sua montagem, sua forma brilhante de retratar uma sociedade totalitária, Adeus, Lênin! nos faz questionar até onde iríamos para preservar quem amamos. Ao apresentar não apenas o início da vida adulta de Alex, mas também nos apresenta elementos narrativos únicos da vida de personagens que passaram a viver recentemente em um regime completamente diferente do habitual.

VEREDITO

Adeus, Lênin!

Ao abordar de forma sucinta e didática um dos períodos mais difíceis do século XX, o diretor Wolfgang Becker coloca Adeus, Lênin! na lista dos filmes alemães mais importantes de todos os tempos, estrelando ao lado de clássicos como Metrópolis (1927), Corra Lola, Corra (1998), A Vida dos Outros (2006) e A Onda (2008).

Ainda que grande parte do público conheça Daniel Brühl apenas como o Barão Zemo de Capitão América: Guerra Civil e pelo mais recente Falcão e o Soldado Invernal – onde foi subaproveitado -, merece descobrir que o ator é capaz de muito mais do que foi visto dele em seus poucos minutos de tela nas duas atrações da Marvel.

Adeus, Lênin! cumpre seu papel didático lindamente, enquanto nos leva à uma viagem ao passado, atuando assim, como uma carta de amor de um filho à sua mãe.

Nossa nota

5,0 / 5,0

Confira o trailer do filme:

Adeus, Lênin! está disponível na HBO Max.

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27 anos, apaixonado por cinema, quadrinhos e games!