Um dos pontos mais difíceis de games de anime é finalizar os arcos de suas histórias. Seja pelos inúmeros títulos de Naruto produzidos pela CyberConnect2, e pelas diversas cópias de outras franquias nos anos que se seguiram. Por isso, eu talvez tenha desenvolvido uma ojeriza particular em relação ao gênero. My Hero Academia: All’s Justice talvez tenha chegado para acabar com esse sentimento, ou melhor, esse amargor em relação ao gênero.
Tendo sido uma grata surpresa por como nos apresenta e nos ambienta à sua história, mergulhamos na jornada não apenas do protagonista. Acompanhamos também toda a turma 1-A, outros heróis e também vilões icônicos da franquia no arco final da guerra entre heróis e vilões. Ao nos apresentar a história de maneira episódica, acompanhamos não apenas um, como os muitos lados deste combate. Ele vem escalando desde o primeiro episódio do mangá.
Diferente do ponto de vista único presente em outros games do mesmo gênero, All’s Justice nos apresenta conhecer ou revisitar a história. Isso é feito a partir do POV de diversos personagens, sejam eles heróis ou vilões.
O game pode parecer por vezes como uma amálgama de elementos. Eles fizeram com que os games de luta de anime se tornassem o que são hoje. Mas ouso dizer que ele faz um belo uso de dinâmicas como tag team.
Modos de jogo e Jogabilidade

Em um primeiro momento, My Hero Academia: All’s Justice nos lança em uma réplica do mundo atual, mas em um mundo virtual. Nos permitindo simular a vida de um herói em treinamento da U.A. Isso nos dá liberdade para explorar os distritos da cidade, interagir com outros heróis e por fim, cumprir missões variadas. Seja ajudando os habitantes daquele mundo virtual, como também auxiliando os heróis que Midoriya admira tanto.
Os modos de jogo presentes na história variam desde o Modo História, até o modo Versus e Team Up Mission. Há também o Hero’s Diary e as Archives Battle Mode.
O último pra mim, talvez seja o mais divertido. A parte do free roam pela cidade dentro desse mundo virtual acaba sendo bem maçante quando passamos muitas horas investidos no game. Por outro lado, o combate talvez seja o ponto alto.
Permitindo explorar bem a jornada dos nossos personagens, ouso dizer que Midoriya seja o menos desinteressante aqui. Bakugou por outro lado, talvez seja um dos mais divertidos de jogar. Outros que são muito roubados são Tokoyami graças a seu modo Rising. Ele nos permite atacar sem dar chance dos inimigos defenderem. Já Tomura Shigaraki possui algumas vantagens em relação a outros adversários. Ele permite cancelar golpes de maneira muito rápida, e nos permite causar danos altíssimos.

Acho que o personagem mais improvável desta lista é Koji Koda. O personagem tímido e quieto pode ser um dos mais roubados. Isso pois os projéteis lançados por ele (seus pássaros) têm 100% de prioridade. Ou seja, eles cancelam e atravessam qualquer ataque inimigo, até mesmo especiais.
As possibilidades de tag team são incríveis e variam desde ataques em equipe, defesa e interrupção de combo, até ultimates poderosos em equipe. O cuidado da Byking ao nos apresentar esta história e nos fazer sentir imersos nessa jornada vão além de nos proporcionar um combate satisfatório.
História

A história de My Hero Academia: All’s Justice gira em torno do arco Guerra Final. Que mostra a batalha entre o All for One e os alunos da U.A. É brilhante ver aqui uma diferença de outros games da franquia My Hero Academia. Agora, no arco final, Midoriya é capaz de dominar completamente o One for All. Bem como as habilidades dos portadores anteriores da habilidade.
Algo que pode ser visto aqui no novo título é o uso do Blackwhip. Essa habilidade foi herdada por Midoriya de Daigoro Banjo. Ela serve para se movimentar pela cidade no ambiente virtual em um dos modos do game. Isso é algo bem parecido com a teia do Homem-Aranha. Mas não apenas isso.

As habilidades de Uraraka de flutuar nos permitem subir no topo dos prédios. Assim, podemos explorar e interagir com NPCs. A Dark Shadow de Fumikage Tokoyami nos permite planar enquanto exploramos. Isso sem falar em Bakugou, Iida e até mesmo Koji Koda.
Um dos pontos mais altos do game, vem da possibilidade de experienciar a jornada que vimos no anime, ou lemos no mangá dos dois lados. Seja lutando incessantemente com Bakugou contra Tomura Shigaraki, ou vice-versa, podemos ver a profundidade da história de maneira singular.
Problemas narrativos e desenvolvimento de personagens

Há problemas claros de extrema sexualização de personagens femininas como Uraraka, Rumi Usagiyama e muitas outras. Vemos que a criação de Kōhei Horikoshi possui uma história intensa, divertida e corajosa. Apesar disso, ela ainda possuía muito espaço para melhorar.
Como a presença de personagens femininas que funcionam como eye candy ainda parece ser relevante para os fãs de anime, para o espectador médio, isso causa aversão (ou pelo menos deveria). Ainda há o aspecto constrangedor de colocar personagens tão jovens em roupas tão sexualizadas. Além disso, My Hero Academia falha em sua animação/mangá ao focar em ângulos sexualmente sugestivos sem qualquer contexto.

A obra também coloca personagens femininas com roupas rasgadas em lugares bem específicos. Elementos como estes ainda reforçam o estereótipo de femme fatale, mesmo sendo se tratando em grande parte de uma personagens que em sua maioria possuem apenas 16 anos.
Mas neste ponto, a obra merece todas as críticas possíveis. Os trajes de Midoriya, Iida e Bakugou possuem habilidades táticas. Elas aumentam a resistência ou suportam suas respectivas individualidades. Enquanto isso, os trajes das personagens femininas claramente priorizam a exposição de seus corpos. A história de My Hero Academia reforça determinados arquétipos. Estes por sua vez, mantêm as personagens femininas no papel de serem apenas “sexy”, apesar de poderosas. Isso retira da narrativa todo o potencial criativo e de desenvolvimento que estas personagens poderiam ter.
Veredito

My Hero Academia: All’s Justice é bem competente no que diz respeito a como transpõe sua história do anime/mangá para o mundo dos games. Com um combate satisfatório, porém repetitivo, ele possui aspectos que o colocam na dianteira dos games de combate de animes. Se distanciando do que Jujutsu Kaisen: Cursed Clash foi e se aproxima mais do êxito que Demon Slayer -Kimetsu no Yaiba- The Hinokami Chronicles 2 obteve ao transpor a emoção única dos combates do anime para o game.
Apesar de todos os claros problemas presentes na obra de Kōhei Horikoshi, ouso dizer que até aqui, este foi um dos games que melhor traduziu a experiência única de anime. Seja no combate, feedback e pela experiência geral, My Hero Academia: All’s Justice foi capaz de mostrar que existe mais do que Naruto e Demon Slayer de lutinha.
Confira o trailer do game:

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