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CRÍTICA – We Happy Few (2018, Compulsion Games)

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We Happy Few

Um país sem passado, é um país feliz!Esse é um dos lemas de uma sociedade disposta a tudo e qualquer coisa a fim de garantir o controle total das mentes de seu povo, que parece ter sido retirado diretamente de um dos livros de George Orwell. We Happy Few parece ter bebido imensamente da fonte do material produzido por Orwell em que o “Grande Irmão” têm a necessidade de sempre estar no controle de tudo, de sempre estar ciente de tudo.

We Happy Few é um dos maiores sucessos de financiamentos coletivos já feitos. Tendo sido lançado apenas pelo empenho daqueles que acreditaram na equipe da Compulsion Games por meio do Kickstarter, estúdio que mais tarde, foi adquirido pela Microsoft.

Como me tornei um “deprê”

We Happy Few

Na Inglaterra retrofuturista em que uma Alemanha nazista obteve o êxito em sua invasão à ilha, é desenvolvida tecnologias a fim de garantir assim o controle da população dos habitantes da fictícia cidade de Wellington Wells. A história se desenrola quando o personagem que controlamos, Arthur Hastings se torna um “downer“, ou um “deprê”.

Suas memórias de um passado suplicante, o faz perceber que há algo de errado. Ao resolve buscar respostas por conta própria ao ir contra tudo que aquela sociedade prega, Arthur para de tomar Alegria e seus amigos de trabalho instantaneamente viram seus inimigos.

Ao nos apresentar um mundo completamente diferente se sob o efeito da pílula de Alegria, We Happy Few nos apresenta uma analogia à atual cultura de medicamentos para tudo, inclusive se seu problema é ir contra o efeito de manada.

O problema é quando o mundo deixa de ser colorido

We Happy Few

Por mais que seu primeiro impulso seja não usar a Alegria, We Happy Few te obrigada a fazer uso do entorpecente a fim de ter acesso a certos lugares. Em um passado retrofuturista, somos apresentados às diversas tecnologias inexistentes durante os anos 60.

Como citei acima, a obra de Orwell é mais uma vez transferida quase que inteiramente para o game. Ao nos apresentar sistemas de vigilância complexos, com câmeras, scanners e afins, as tecnologias são usadas como forma de contingência para que os “deprês” e pessoas cientes de seu passado, não possam entrar nos grandes centros urbanos.

Os habitantes dos grandes centros urbanos vivem em um eterno transe causado pela Alegria, que os fazem ver um mundo perfeito, ainda que a sociedade seja sombria e deplorável.

O fato da Alegria ser usada ou não durante o game faz toda a diferença, mudando quase que completamente a forma como vemos o mundo.

Jogabilidade

Com a jogabilidade e a física um pouco diferente dos jogos de mundo aberto a que estamos acostumados, We Happy Few coloca peso nas ações dos personagens ao nos fazer sentir as consequências de nossos atos. Consequências que beiram o linchamento público ou até mesmo envenenamento causado por um alto consumo de alimentos deteriorados, já que somos responsáveis por encontrar elementos que permitam nossa sobrevivência.

Status como cansaço, fome, sede, influenciam diretamente a sua jogabilidade e progressão, tornando cada vez mais difícil, beirando o impossível chegar ao fim das missões sem um “Bálsamo de Cura”, ou até mesmo uma maçã.

Sendo algo que beira um RPG de mundo aberto, é possível escolher o modo de aproximação e abordagens diante das maiores adversidades. Seja por uma infiltração discreta, ou chutando a porta da frente, saiba que será necessário estar preparado para isso.

Veredito

We Happy Few

Por contar com uma história envolvente e gráficos que nos saltam aos olhos, We Happy Few nos pega pelas mãos ao nos colocar como um personagem explorador, se utilizando de diversos mcGuffins a fim de prolongar a história e nos contar um pouco mais sobre o mundo que enfrenta uma onda de vício em Alegria. Com a progressão, vemos de forma concisa a história e evolução de Arthur como pessoa e personagem, enquanto ele descobre mais e enfrenta as lembranças dolorosas de seu passado.

We Happy Few ganhou duas grandes expansões após seu lançamento, que engrandecem ainda mais seu mundo, ao no colocar na pele de novos personagens – todos “deprês”.

O game inova em sua história, mas não inova muito no que se refere à jogabilidade e sistemas de progressão, se baseando em games de grande sucesso como os da franquia Bioshock, Dishonored, Dead Space, Prey e até mesmo Crysis.

Por outro lado, o game nos faz sentir o máximo de empatia com os personagens aos quais somos apresentados, desde mesmo os mais loucos, até os que simplesmente perderam tudo quando a sociedade como a conhecíamos caiu com a chegada dos nazistas.

Como um incrível passatempo que te faz passar horas em frente ao PC ou aos consoles, We Happy Few merece ser jogado por sua história. Se você jogou alguns desses RPGs supracitados, vá tranquilo, a jogabilidade não muda muito e “deixa eu te colocar pra cima!”.

Nossa nota

Confira o trailer do game abaixo:

We Happy Few foi lançado em 10 de Agosto de 2018 para PlayStation 4, Xbox One e PC. O game ganhou duas expansões pouco tempo depois, conforme metas no KickStarter foram sendo alcançadas. Você já teve a chance de jogar? Conta pra gente abaixo o que achou do game e dê a sua nota!

Nota do publico
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