Início SÉRIE Crítica CRÍTICA – Mare of Easttown (2021, HBO Max)

CRÍTICA – Mare of Easttown (2021, HBO Max)

Mare of Easttown é uma minissérie de sete episódios original da HBO lançada em abril de 2021.  A série foi criada e escrita por Brad Ingelsby que também atua como produtor executivo. A direção é de Craig Zobel. A distribuição no Brasil é feita pela HBO Max

Kate Winslet é a protagonista e também produtora executiva do show, somam-se a ela no elenco, Jean Smart, Evan Peters, Julianne Nicholson e Angourie Rice.

Mare of Easttown concorre em 16 categorias do Emmy 2021, competindo os prêmios de Melhor Série Limitada, Melhor Atriz em Série Limitada para Kate Winslet, Melhor Atriz Coadjuvante em Série Limitada para Jean Smart e Julianne Nicholson e Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada para Evan Peters.

SINOPSE

Em Mare of Easttown, a detetive Mare Sheehan (Kate Winslet), de uma pequena cidade da Pensilvânia, decide investigar o assassinato de um cidadão local, enquanto tenta de tudo para não deixar que seus problemas pessoais façam sua vida desmoronar ao seu redor.

ANÁLISE

As requintadas produções de crimes investigativos já se tornaram a marca registrada das minisséries da HBO. A cada ano, a emissora lança alguma pequena grande produção que cativa o público por seu brilhantismo. O peixe da vez é Mare of Easttown, a minissérie com Kate Winslet pesca todos os excelentes aspectos de seus antecessores e cria uma trama digna de Oscar. 

Não é preciso ir longe para entender o sucesso de Mare of Easttown. Big Little Lies e Sharp Objects construíram muito bem o terreno para que a história de Mare Sheehan, uma detetive de uma pequena e fria cidade da Pensilvânia , fosse fatídica o bastante para chamar a atenção do público. 

Isso deve-se, em parte, pelo exímio trabalho de Kate Winslet que muito bem poderia ganhar seu segundo Oscar por Mare of Easttown. Porém, ao menos ela com certeza terá o Emmy deste ano. Sua Mare é uma mulher penetrante que não se deixa enganar pela vida ou as pessoas ao seu redor. De semblante fechado e até mesmo frio, Mare se assemelha a própria cidade que protege, cheia de feridas profundas. 

Mas Mare também é a pessoa com a qual a cidade conta para resolver alguns problemas mesquinhos e outros sombrios. Para isso, ela assume um olhar totalmente confiável e além disso, Mare também é filha, mãe e avó. A sobrecarga da personagem é sentida a cada episódio e não menos do que isso, Kate Winslet faz o papel de uma vida. 

Assim, Mare of Easttown não apenas carrega uma personagem forte em todos os sentidos, mas um texto afiado que pressiona o espectador a ir além dos sete episódios. Na trama, Mare precisa lidar com um novo assassinato de uma adolescente da região, enquanto, um caso sem solução completa um ano. A pressão novamente se faz presente, ela é uma excelente detetive, mas Mare of Easttown deixa claro que nem tudo está a favor da personagem principal. 

Nesse mesmo sentido, Mare precisa lidar com seus conflitos familiares, o suicídio do filho e a dificuldade de tocar no assunto deixa sua família refém de um sentimento de angústia. Para trazer mais peso à trama familiar surge Jean Smart como Helen, mãe de Mare, que eleva ainda mais a produção. Helen trás a culpa de ser uma mãe “imperfeita”, um sentimento que passa de geração para geração. 

Easttown 

E se Kate Winslet soube dar o tom exato de sua personagem, Brad Ingelsby como criador da série construiu uma cidade que vive fora de seus personagens. Logo, é sempre bem vindo quando um lugar consegue ganhar espaço para ser auto suficiente em uma trama. 

Easttown se assemelha a muitas cidadezinhas americanas, mas é em seu profundo cinismo entre os moradores que o lugar ganha um tom sério. Todos os personagens estão ligado de alguma forma, seja por amizade ou parentesco, o que cria uma espécie de desconfiança no ar quando jovens começam a desaparecer e morrer na cidade. Em um local onde todos podem ser suspeitos, até mesmo o ex-marido de Mare, é indiscutível que o lema de “boa cidade” fique para trás.

Para além disso, Mare of Easttown é também sobre o quanto as mulheres precisam ser fortes e condizentes pela família, pelos amigos, pelos maridos. O que trás mais uma vez o algoz da pressão para ser “perfeita” em todos os aspectos. Porém, Mare quebra o paradigma, ela não é a detetive, a mãe, a filha, a avó perfeita. Mas, faz o que considera certo para todos, ainda que precise erguer muros entre ela e os outros. 

VEREDITO

Mare of Easttown é uma obra prima da HBO que transborda mais drama do que mistério, mas que no fim mescla ambos os aspectos perfeitamente. Kate Winslet dá um show de atuação do que pode ser considerado uma dos melhores trabalhos de sua carreira. 

Nossa nota

5,0/5,0

Confira o trailer de Mare of Easttown:

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.