Remakes costumam, em grande parte, adaptar a história original e nos apresentar uma nova experiência visual, quase sempre sendo experiências 1:1 em relação aos games nos quais foram baseados. Mas, vez ou outra, surge algo fora da curva, como a trilogia de remakes de Final Fantasy VII: Remake, Rebirth e Revelation. O primeiro é o caso de Assassin’s Creed Black Flag Resynced, que, após muitos anos de espera, chega triunfante amanhã aos consoles da nova geração e aos PCs.
Adentrar no mundo de Assassin’s Creed Black Flag Resynced, cerca de 13 anos após jogar o original pela primeira vez, teve alguns efeitos sobre mim. Além do efeito nostálgico, o jogo me proporcionou horas e mais horas de diversão a fio, e me fez querer remakes de games não tão marcantes quanto este, como Assassin’s Creed III.
Mergulhar mais uma vez na Era da Pirataria em Black Flag Resynced me trouxe uma experiência tão singular quanto na primeira vez, mas com uma enorme carga nostálgica. Já garanto, no entanto, que isso não me impediu de ver os claros problemas presentes na experiência.
Gameplay, combate e o que mudou?

A gameplay de Assassin’s Creed Black Flag Resynced foi completamente retrabalhada, desde o combate até a navegação e a exploração submarina. Tudo a fim de aproveitar mecânicas do passado e abraçar o que a franquia faz de melhor hoje: um combate responsivo e recompensador, que possui peso e um feedback singular no que diz respeito a como o mundo reage a nós.
Resynced funciona como um remake, mas também como uma ótima janela de entrada para a franquia. Edward Kenway se faz como um interessante e multifacetado protagonista e, quando adentramos em sua jornada, toda a sua trama coloca um peso no já milenar combate entre Assassinos e Templários. Ao ser inserido no antigo conflito por puro acaso, em busca apenas de benefício próprio, Edward logo percebe que existe algo maior ali do que ouro e recompensas materiais.

O combate de Assassin’s Creed Black Flag Resynced foi refeito a ponto de ser ainda mais recompensador do que no passado. Deixando de lado habilidades baseadas quase que inteiramente em RPGs (como Shadows, Valhalla e outros games da franquia o fazem), Resynced foca em entregar um “arroz com feijão” bem-feito.
Focando o combate em parry (para rápidas finalizações) e movimentos mais fluidos, ouso dizer que o remake faz um trabalho melhor do que o original. Deixando no passado elementos ultrapassados e até mesmo mecânicas ligadas à estrutura das missões, o título dá uma sobrevida à trama profunda que o jogo possui.
Ouvir segredos, mergulhar no mar do Caribe e derrotar embarcações inglesas, espanholas e até mesmo caçadores de piratas chega a ser mais recompensador do que no game original.
Localização, músicas e oficiais

A localização de Assassin’s Creed Black Flag Resynced é um deleite à parte. O retorno de Acácio Oliveira na dublagem de Edward Kenway mostra o dublador bem mais à vontade na pele do personagem. A dublagem casa perfeitamente com a “nova” ambientação graças aos gráficos, que oferecem uma profundidade ainda maior.
Há, além das tradicionais músicas presentes no game original, a trilha Leave Her Johnny, em uma colaboração com Woodkid.

A tripulação do Gralha aqui torna as navegações mais ricas, de modo que os parceiros e sobreviventes resgatados do mar unem suas vozes para entoar algumas das músicas mais clássicas de Black Flag, como Randy Dandy O.
Outro elemento interessante é a inclusão de três novos oficiais que podem ser recrutados. Dentre eles estão Lucy Baldwin, Tobias Smith e The Padre, cada um deles com histórias ricas em detalhes e desfechos bem interessantes para as suas respectivas jornadas.
O mar foi retrabalhado, o mapa ficou mais rico

Explorar o mar, seja na superfície ou nas profundezas, tornou-se ainda mais recompensador. Seja mecânica ou visualmente, Black Flag Resynced dá uma nova vida ao game e muda os gráficos inteiramente, trazendo uma espécie de realismo. Isso dá ao mar o tom característico do Caribe e, por vezes, mergulhar parece a cena de um sonho.
Diferentemente do que é feito em outros remakes, em que os estúdios aproveitam para aumentar o escopo e, por vezes, o mapa de suas histórias, Resynced opta por manter o mapa do mesmo tamanho: 16×16 km. Ao povoar áreas enormes anteriormente vazias, o game espalhou ilhas pelo mar que podem ser acessadas e exploradas. Algumas delas fornecem até mesmo itens interessantes e necessários para a progressão. E, caso uma delas esteja no seu caminho, recomendo fortemente explorá-las.

Outro elemento que merece destaque aqui é como a parte submarina dos arredores de cada uma das ilhas ou das grandes cidades foi retrabalhada. Foram incluídos elementos que se assemelham a corais, nos quais é possível ver peixes, tubarões e até mesmo baleias. Esta última, inclusive, possui uma atividade diretamente ligada a ela; afinal, a caça a baleias é um elemento histórico da Era da Pirataria.
A Ubisoft ainda é a mesma? O veredito

Resynced foi produzido pela Ubisoft Singapore, o braço da Ubisoft responsável por Skull and Bones. Sob o controle criativo do diretor Paul Fu, o game optou por deixar de lado elementos importantes, como a DLC Freedom Cry, de Adewalé, que possuía um papel importante na jornada não apenas do personagem, mas também na de Edward. A DLC nos fazia entender o peso da presença dele, bem como suas motivações em desmantelar o comércio de escravos na região do Haiti.
Lembra que citei as ilhas que foram mais bem povoadas no remake? A Black Island da DLC, que antes podia ser acessada apenas via viagem rápida, agora pode ser alcançada por navegação direta. A DLC, que conta a história do Capitão Henry Morgan, oferece itens exclusivos e um arco narrativo interessante, mas nada demais.
A remoção da história de Adewalé e a inclusão de uma história de mínima coragem me fazem ver que a Ubisoft não é mais a mesma, pelo menos não em termos de ousadia. Ter contado uma história profunda em 2013 e omiti-la agora mostra certa covardia por parte do braço de Singapura da Ubisoft, o que é, no mínimo, triste.
Quanto ao braço singapurano da Ubisoft, ele é o responsável pelo desenvolvimento de Skull and Bones, um jogo feito para replicar os elementos que os fãs passaram a amar tanto nos combates marítimos do Black Flag original. Agora, ao retornar a Black Flag com Resynced, a Ubisoft Singapore parece ter entregado o que nasceu para fazer, fechando o ciclo.
Tendo encontrado pouquíssimos bugs ou problemas relacionados à gameplay, tive uma experiência extremamente satisfatória, mesmo após 15 horas de jogo (e pretendo voltar e chegar ao fim da jornada, como fiz no passado).
Assassin’s Creed Black Flag Resynced é profundo e nos faz sentir o quão rica uma história pode ser. Edward Kenway é o personagem que assume a missão que lhe é imposta em meio a diversos perigos. Seu desenvolvimento é elaborado e oferece uma narrativa vasta e complexa.
Confira o trailer do game:
Assassin’s Creed Black Flag Resynced chega ao PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC no dia 9 de Julho.

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