A palavra GOAT (Greatest of All Time) tem seu significado muito conectado ao esporte quando um atleta tem um desempenho histórico. Neste filme vemos o termo se conectar ao gênero de terror em uma proposta um pouco diferente.
GOAT (Him) é um filme lançado em 2025, disponível atualmente no serviço de streaming Prime Vídeo e tem como diretor Justin Tipping. O elenco é formado por Tyriq Withers, Marlon Wayans e Julia Fox com seu roteiro feito por Zack Akers e Skip Bronkie.
A trama de GOAT é sobre Cameron Cade (Withers), um promissor quarterback que, após uma lesão, é convidado por um ídolo lendário (Wayans) para uma semana de treinos. Ao longo dos dias isso se torna um pesadelo obsessivo na busca de sucesso.

GOAT é um filme que considero muito interessante pela sua proposta porque geralmente o tema esporte está mais conectado ao drama como, por exemplo, Duelo de Titãs do que para o terror. Essa história vai abordar de uma forma bem contundente não apenas a relação das pessoas que praticam esse esporte como as que o consomem.
A direção apesar de exagerar bastante na psicodelia para conduzir a história é satisfatória e por muitas vezes criativa para as cenas de violência. Entretanto, o que realmente faz o longa ser uma boa experiência cinematográfica é a forma como usa o terror para uma crítica social.
O roteiro chega a ser um tanto expositivo quando se trata sobre o tema do filme. Mas tem diálogos muito interessantes principalmente entre os dois elementos centrais da história.
Em termos de atuação quem mais tem destaque é Marlon Wayans que entrega um trabalho que não assusta ao modo clichê do gênero e usa da sua habilidade com o humor para tornar seu personagem o mais cruel a cada momento. Por outro lado Tyriq Whiters não acompanha tão bem o ritmo do seu colega de cena mais experiente, deixando a desejar em algumas cenas.
A relação do GOAT com o Futebol, Família e Deus

Ao longo de uma hora e meia da trama existe uma reflexão sobre a relação tóxica com o esporte que consegue acrescentar uma camada assustadora. Isaiah White não encara o futebol como uma competição, mas a afirmação de sua masculinidade e essa obsessão se torna o dilema de Cade em seguir esse mesmo caminho ou não.
Essa crença faz o, até então, GOAT no momento só reconhecer outro como igual quando encontra essa mesma obsessão cujo o único objetivo é vencer, tentando aflorar isso no jovem jogador através da violência física e psicológica.
Esporte é um sonho do sucesso ou pesadelo?

Em diversas cenas vemos essa relação entre os personagens com o futebol em uma faceta religiosa, o esporte sendo algo acima de qualquer consciência moral. Essa metáfora leva a uma reflexão para o consumo da nossa versão do futebol, onde vemos os males sociais refletindo no comportamento de praticantes e torcedores. Mas acima de qualquer violência o esporte é intocável e tudo ser apenas um recurso para a vitória.
Ainda existe uma camada racial que vemos através da vivência de Cade ao pensar que sua única chance de dar o melhor para a sua família é ser um jogador famoso. Em contrapartida, vemos em White a representação dessa conquista e nos estereótipos sociais da branquitude como a esposa loira ou atirar em pessoas por diversão.
Obviamente a relação entre o futebol e pessoas ricas que lucram através disso também é outro ponto que me agradou muito. A razão disso é porque usa não só a metáfora direta com as máscaras de porcos como também algo sobrenatural resultando em um desfecho interessante.
GOAT foi um filme que me surpreendeu positivamente sendo uma uma história de terror que mostra o lado tóxico do esporte, seus praticantes e entusiastas.
Assista ao trailer de GOAT:
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