CRITÍCA: ‘Surda é uma reflexão importante sobre inclusão’

    Surda é um filme escrito e dirigido por Eva Libertad, estrelado por Miriam Garlo, Álvaro Cervantes, Elena Irureta e Joaquín Notario. Sua distribuição nacional é feita pela Retrato Filmes.
    Tendo sua origem em um curta-metragem da cineasta, a inspiração veio do desejo de Miriam Garlo, atriz e irmã da diretora, de ser mãe. A produção venceu o Prêmio Goya sendo agora lançada em longa-metragem, chegando aos cinemas em 14 de maio.

    A trama de Surda acompanha Angela, prestes a dar à luz à sua primogênita, Ona e, em meio a toda a felicidade e ansiedade da maternidade, preocupa-se com os desafios que enfrentará em decorrência de sua surdez. Ao lado de seu parceiro Héctor (Cervantes),vai descobrindo como adaptar a comunicação e a educação da criança em uma sociedade cheia de preconceitos.

    Surda é um filme que harmoniza de forma espetacular o drama familiar e a crítica social, combinando a delicadeza de seus assuntos com o incômodo. A direção de Libertad é excelente ao conduzir a história, alternando entre os momentos afetivos enquanto, sutilmente, vemos os medos da protagonista tomarem forma.

    Uma reflexão sobre os desafios da deficiência

    Em questão de roteiro, não vemos nenhum personagem ser vilanizado, no entanto a abordagem da relação de Angela e Héctor é um cenário entre o amor e a incompreensão. Além disso, é muito interessante como, em Surda, a comunicação — ou a ausência dela — dita os momentos da relação desse casal.

    Importante também falar sobre o design de som, que alterna entre sons abafados, ruídos e o silêncio como uma forma de nos aproximar da protagonista. Isso torna a história de Surda não apenas sobre uma pessoa com deficiência auditiva, como também sobre sua perspectiva de mundo e seus desafios.

    Outro ponto é a atuação de Miriam Garlo, que apresenta uma personagem forte, autônoma e que sente o impacto de ter essa autonomia questionada com a chegada da maternidade. Isso impacta de forma determinante a carga emocional da história.

    A experiência como um todo nos leva a refletir sobre o que de fato significa inclusão e se isso realmente acontece de forma bilateral. Também vai questionar a existência de uma preocupação em compreender o mundo dessa pessoa com deficiência, seus medos, necessidades e a empatia necessária para acolhê-la nos momentos de vulnerabilidade.

    Por fim, Surda é um filme direto e tocante e, proporcionalmente a isso, também será incômodo. Uma provocação ao espectador sobre os melhores momentos, as dificuldades de uma pessoa com deficiência e seus desejos como a maternidade.

    Nossa nota

    Confira o trailer de Surda:

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