CRITÍCA: ‘Exit 8’ é uma viagem psicodélica a estranheza

    Jogos estão se tornando muito frequentes no cinema atual, com grandes franquias adaptando seus clássicos para outras mídias. Contudo, não são apenas aqueles mais famosos que ganham espaço na tela grande e Exit 8 é um ótimo exemplo disso. 

    O longa adapta o jogo homônimo desenvolvido pela Kotate Create, sua direção é feita por Genki Kawamura e roteiro de Kentaro Hirase. O lançamento nacional é no dia 30 de abril com distribuição da Paris Filmes. 

    Kazunari Ninomiya, Yamato Kochi, Naru Asanuma, Kotone Hanase e Kotone Hanase formam o elenco. O filme esteve presente no festival de Cannes de 2025 durante a Midnight Screenings. 

    A trama de Exit 8 é sobre um homem preso em um looping temporal dentro de uma estação de metrô. Para que seja possível se libertar é necessário encontrar a saída 8, mas se notar uma anomalia no corredor é necessário voltar, caso contrário retorna ao início. 

    Eu acho interessante que The Exit 8 usa o looping como o seu recurso central da trama mesmo que ele soe como cansativo. Portanto, ao longo de uma hora, trinta e cinco minutos de filme coisas se repetem com mínimas alterações e a grande graça é estar perdido nessa viagem psicodélica.

    A direção usa do minimalismo para criar tensão e isso funciona em boa parte da experiência. Entretanto acaba se tornando previsível a partir de determinado ponto da história o que torna o ritmo mais lento.

    Um convite a um ciclo sem fim

    Utilizando a câmera com pouquíssimos movimentos Kawamura usa pouquíssimos elementos visuais para causar uma sensação de aprisionamento e confia no espectador em se atentar aos detalhes. Isso resulta em um filme que vai exigir um pouco mais de atenção da parte de quem assiste, caso contrário possa se torna uma experiência morna ou entediante.

    A nível de atuação me chamou muito à atuação do protagonista que, apesar de ser um trabalho mais contido, consegue se sair bem. O elenco de apoio acredito que se sai bem por criar a sensação de estranhamento, o que também se reforça por serem personagens sem nome. 

    O que não me agradou tanto foi o roteiro buscar ser tão fiel ao jogo não oferecendo mais contextos dos personagens. Adaptar um jogo para outra mídia sempre vai ser um grande desafio e no caso de Exit 8 acredito que existia o espaço para alguma ousadia neste elemento do filme.

    A conclusão do filme vai ser confusa e causar muito estranhamento porque vai reforçar o conceito de looping estabelecido no começo. Contudo, não acredito que esse desfecho seja uma conclusão frustrante, talvez até uma provocação a nossa vivência de vida cotidiana que vemos tudo se repetir infinitamente e não conseguimos prestar a devida atenção aos detalhes mínimos que vão surgir. 

    The Exit 8 é um filme que vai ser muito aberto a interpretações, podendo ser uma experiência muito entediante, tensa ou até uma reflexão profunda. Contudo, o que não existe sombra de dúvidas é ser um filme que irá provocar alguma reação do seu espectador. 

    Nossa nota

    Confira o Trailer de Exit 8

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