Início FILMES Crítica #52filmsbywomen 25 – A Ganha-Pão (2017, Nora Twomey)

#52filmsbywomen 25 – A Ganha-Pão (2017, Nora Twomey)

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A Ganha-Pão é um longa metragem de animação dirigido pela irlandesa Nora Twomey e lançado em 2017. A produção executiva é de Angelina Jolie e a história é baseada no livro de Debora Ellis. Nos anos 2000, num Afeganistão sob o regime do Talibã, a jovem Parvana precisa se vestir como um menino para trabalhar e bancar sua família após a prisão de seu pai. 

A Ganha-Pão é o primeiro longa que Twomey dirigiu sozinha e mesmo assim demonstra domínio e criatividade no universo da animação, com uma história de premissa duvidosa que se desenvolve em uma aventura da corajosa e sonhadora Parvana (Saara Chaudry),  que em sua saga para encontrar seu pai e bancar sua mãe e irmãs, relembra e cria histórias fantásticas, em uma tentativa de escapar sua realidade ao mesmo tempo em que luta contra ela.

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A qualidade da animação é inquestionável. A utilização das cores e diferentes traços para marcar a realidade e as fantasias de Parvana é central no dinamismo e tom da narrativa. Sentimos a ambientação da cidade de Kabul, o medo que se mistura com atrevimento de Parvana ao perceber como a liberdade possível ao se vestir como um menino, e como essa necessidade é crucial para aflorar a personalidade intrépida da jovem.

Ao mesmo tempo, vemos o medo atrelado a complacência de sua mãe. Desamparada sem seu marido, em uma sociedade violenta, ditatorial e extremamente patriarcal, a mulher busca de todas as formas também proteger e sustentar sua família, criando assim desentendimentos com a filha. O choque geracional e a dificuldade de Parvana compreender a mãe são justificáveis, e o tema é bem explorado no filme, apesar de pouco presente. A trilha sonora também ressalta momentos metafóricos e emocionantes da saga de Parvana, explorando a musicalidade tradicional afegã.

Algumas críticas foram levantadas a respeito da ausência de afegãs e muçulmanas na equipe criativa principal do longa, de forma que a história de Parvana seja contada sob a perspectiva da diretora e roteiristas brancas (incluindo a autora Ellis). A crítica é bem fundamentada, visto que o tom geral do filme apresenta um olhar de estrangeiro sobre os abusos e violências contra as mulheres afegãs, sem muito espaço para explorar  de forma mais aprofundada as diversas agências dessas mulheres frente ao regime ou para sobreviver a ele. A figura de Parvana parece isolada contra o sistema, mas sua mãe e irmã também de sua própria maneira buscam a sobrevivência em um regime cruel contra mulheres.

Confira o trailer:

A Ganha-Pão é uma animação belíssima, indicada e vencedora de diversas premiações mundiais. A diretora Nora Twomey é um talento e devemos ficar de olho em seus próximos trabalhos. Apesar de uma narrativa enviesada, o longa apresenta temas que devem levantar muitas discussões e promover visibilidade e entendimento sobre a vida de mulheres em regimes e nações centradas em um patriarcado cruel e opressor.

A Ganha-Pão está disponível na Netflix. Lembre-se de conferir nossas indicações anteriores na campanha #52FilmsByWomen.

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