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CRÍTICA – A Maldição da Chorona (2019, Michael Chaves)

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CRÍTICA - A Maldição da Chorona (2019, Michael Chaves)

O universo de Invocação do Mal ganha mais um spin off com uma família atormentada por assombrações de espíritos amaldiçoados. A Maldição da Chorona, de Michael Chaves, entrega um enredo fraco e já desinteressante, além de uma entidade visualmente saturada no gênero.

Dá para perceber um esforço técnico do diretor, mas, novamente, temos aqui um filme que só serve para aumentar a lista do terror dessa geração.

A Maldição da Chorona conta a história da assistente social Anna Tate-Garcia (Linda Cardellini), uma viúva que cria seus dois filhos sozinha e, ao mesmo tempo, investiga um caso sobrenatural sobre a entidade La Llorona.

Os atores: Roman Christou, Linda Cardellini e Jaynee-Lynne Kinchen

A maldição conta a história de uma mulher que afogou seus próprios filhos e depois comete suicídio, se debulhando em lágrimas antes de morrer – condenando-a a chorar eternamente, capturando as crianças de outras famílias para substituir sua prole.

Por tratar-se de um filme do universo compartilhado de James Wan, A Maldição da Chorona possui diversas semelhanças em seu enredo: uma família desconstruída em uma década na qual as mulheres ainda são vistas como o elo fraco da relação – com uma mãe solteira que precisa lidar com a perda do marido, seja por meio de um divórcio complicado, como no segundo filme da franquia Invocação do Mal, ou seja por uma morte inesperada.

Um dos poucos acertos do longa é a questão da psique dos personagens – que sempre fica entre a loucura e a sanidade. E por se passar nos anos 70, o diretor Michael Chaves sucede ao não utilizar aparelhos eletrônicos que poderiam auxiliar os protagonistas a provarem a existência real da entidade. Essa foi uma forma interessante de trabalhar as aparições, justamente pela família não saber se aqui era uma alucinação ou não.

Outro ponto positivo – mas que ainda assim não salva o longa -, são as técnicas utilizadas pelo diretor. Em determinada cena, observamos um plano sequência que situa muito bem o espectador dentro da casa (aqui, temos mais uma referência ao clássico de Wan que utiliza a mesma técnica, com a mesma finalidade). Além disso, Chaves faz um ótimo jogo de luz e sombra, adicionando visualmente a técnica à história do filme.

Infelizmente, paramos por aí…

O longa falha em diversos momentos, desde as características dos personagens, até as questões de roteiro, tornando-se pouco relevante. A protagonista Anna Garcia, interpretada pela atriz Linda Cardellini, é a única que se salva em alguns momentos, uma vez que consegue nos passar o desespero da mãe que, a todo o momento, pode perder seus filhos.

O elenco infantil é fraco, assim como o pior personagem do filme, o ex-padre Rafael Olvera (Raymond Cruz), que deveria ser o herói e alívio cômico da trama. Contudo, não tem carisma e fica deslocado com piadas fora do tom e uma atuação mecânica e preguiçosa.

Triste, pois essa é uma realidade completamente diferente do que já foi apresentado pelo ator em Breaking Bad, quando ele interpretou Tuco, o traficante completamente insano.

A maior consideração a se fazer, no entanto, é sobre o ser que leva seu nome ao filme. A própria Llorona não é um personagem ruim de todo, mas tem muitos problemas em sua direção, que não se decide se ela é apenas uma assombração ou se possui o estilo slasher.

A maquiagem mal-feita nos mostra um visual tosco, fazendo com que o espectador fique incomodado e até constrangido em cenas estranhamente longas da assombração.

Os inúmeros jump scares, decisões erradas dos protagonistas e um terceiro ato arrastado, tornam o filme cansativo, mesmo que ele tenha apenas uma hora e meia de duração.

Os personagens mudam de ideia facilmente, mostrando que tem pouca personalidade. De um todo, a história é muito simplista: um fantasma que aparece e desaparece a todo o momento até a hora do real enfrentamento – técnica muito utilizada e já batida em filmes do gênero de terror.

Michael Chaves ficou preso a nova fórmula de terror e, apesar do esforço, não conseguiu se distinguir dos demais. A Maldição da Chorona até tinha algum potencial, mas com atuações ruins, um roteiro raso e pouca inspiração, o filme entra na lista dos terrores esquecíveis. É um bom divertimento para um domingo à noite, mas nada além disso.

Nossa nota


Confira o trailer legendado:

A Maldição da Chorona chega hoje aos principais cinemas do país. E aí, está disposto a encarar “essa assombração”? Se for, lembre-se de voltar aqui e deixar sua avaliação 😉

Nota do publico
Obrigado pelo seu voto


Crítica escrita em conjunto com Dyessica Abadi
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