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CRÍTICA – A Voz do Silêncio (2018, André Ristum)

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crítica a voz do silêncio

O drama A Voz do Silêncio dirigido por André Ristum fala sobre a solidão através de diferentes personagens/relações; para nos mostrar que ela independe de gênero, credo, nacionalidade, classe social e/ou orientação sexual. O longa tem no elenco Marieta Severo, Marat DescartesCláudio JaborandyAugusto MadeiraRicardo MerkinStephanie de JonghMilhem CortazNicola SiriArlindo Lopes e muitos outros.

Confira abaixo a sinopse oficial:

“Um olhar atento varre a cidade grande e suas pessoas anônimas, que vivem suas vidas em tensão para a sobrevivência, resignados com o destino de cada um. Uma realidade onde os sentimentos e emoções perdem seu significado original consumidos pela urgência de novos valores. Um eclipse lunar pontua as mudanças nas vidas dessas pessoas que compõem um mosaico da cidade.”

A Voz do Silêncio tem um ritmo bem lento, sendo muito misterioso e recheado de enigmas. A todo o momento nos questionamos sobre tais relações e como elas vão se conectar umas com as outras (ou não).

Por abordar tantas personagens/histórias, simultaneamente, muitas pontas ficam “soltas”. A fotografia do filme foca em closes faciais, ambientes e sons comuns ao dia a dia das grandes cidades; chegando a ser um pouco repetitivo. Você verá, por exemplo, o trânsito caótico de São Paulo e o som das buzinas por diversas vezes. Cores e movimentos são muito utilizados no filme.

Como dito acima, o filme é ambientado em São Paulo e, tenta nos mostrar a realidade que vivemos agora e sugerir uma reflexão sobre isso. Pessoas sobrecarregadas, tarefas, obrigações, caos, estresse e o sentimento de estar só, mesmo que rodeado de tantas pessoas. E é esse o gatilho utilizado para a escolha da música de Criolo, “Não Existe Amor em SP”, como trilha sonora desse “olhar” para a ” cidade de pedra” e a vida que estamos levando. Mas, a intenção de Ristum, é de nos mostrar o contrário que o nome da música sugere.

Não vou me aprofundar muito nas personagens para evitar dar spoilers, mas, a personagem de Marieta Severo é a que tem maior destaque na trama. Maria Claudia é uma mãe, mulher religiosa e amargurada que tem um casal de filhos. O rapaz ela acredita que está viajando mundo afora e a moça, uma dançarina de pole dance, que sonha ser cantora.

A personagem de Marat Descartes, um advogado, por outro lado, é a menos explorada. Ficamos sem saber ao certo o que pensar sobre ele.

Cláudio Jaborandy representa a classe trabalhadora do filme, muitos irão se “enxergar” no personagem.

Augusto Madeira dá vida ao pastor, sempre presente na TV de Maria Claudia, ele representa aqui o “evangelismo televisivo”. Muito presente na programação de algumas emissoras de TV.

Outro destaque é o argentino Ricardo Merkin, ele foi excepcional representando um radialista com os dias de vida contados. Vale a pena prestar atenção na atuação do ator.

Ao todo, são nove personagens interligados. Em alguns momentos eles dividem o mesmo espaço sem se ver e/ou reconhecer. E, a maioria deles, termina se encontrando num mesmo local, o hospital. Seria uma sugestão de André Ristum de que precisamos nos cuidar mais? Olhar mais pra gente mesmo? Acredito que sim. Mas, assista ao filme e volte aqui para me dizer o que achou a respeito disso, combinado?!

Elenco reunido durante o Festival de Gramado deste ano, com o diretor André Ristum no centro.Em época que só falamos de filmes de super-heróis e bluckbusters hollywoodianos, temos aqui um bom filme nacional sobre nossas realidades; como dito, as tramas são irregulares, mas ainda assim conseguem prender o expectador até o final. Vale a pena conferir!

Avaliação: Bom

Confira o trailer:

A Voz do Silêncio chega aos principais cinemas nesta quinta,  22 de novembro de 2018.

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