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CRÍTICA – Bird Box (2018, Suzanne Bier)

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Bird Box

Se prepare para duas mulheres te desafiarem a ficar de frente consigo e sobreviver. Estou falando da diretora dinamarquesa Suzanne Bier e da atriz Sandra Bullock. Se você espera um filme de apocalipse clichê, não dê play em Bird Box. O fim do mundo que o – classificado como Drama – Hollywoodiano propõe, está acontecendo dentro de muita gente, agora mesmo.

Em pauta, senhores, o suicídio. Ele que sempre foi tabu em jornais e na grande mídia, por se acreditar que noticiar aumentaria a incidência de casos.

No filme, quem se mata manteve antes contato visual com forças misteriosas que fazem com que o atingido de cabo da própria vida. A força é tão brutal que mesmo se a vítima estiver amarrada, vai dar um jeito de concluir. Pois é, na vida real, nem precisamos de um ataque sobrenatural. A depressão é a principal causa para por fim a própria vida. Isso não acontece só com gente distante, sem rosto. Pode acontecer com quem divide a vida com você e comigo. Infelizmente, não é ficção, fora da tela, a depressão é uma epidemia que atinge pelo menos 5% dos brasileiros, de acordo com a OMS. Tem cura, sobretudo, se tratada com empatia e desde o começo.

Se você, como eu, se apega aos personagens e sofre a cada morte, faça um exercício enquanto assiste ao filme: pense em todos os seus amigos e familiares que podem precisar de ajuda.

“Quando você ignora algo, a omissão não tem o poder mágico de fazer com que desapareça.”

É uma das primeiras lições que a trama apresenta, ainda antes de engrenar. Durante um exame de pré-natal, a protagonista Malory (Sandra Bullock), que se recusa a aceitar a gravidez, recebe o conselho de sua médica. O bloqueio da personagem deve ser tema da terapia de muita gente – o medo de não ser capaz de amar, por não ter recebido amor.

Em Bird Box, tanto Malory quanto sua irmã, Jéssica (Sarah Paulson), prefeririam ter sido éguas. Explico, é que esse animal desenvolve instinto maternal logo após a fecundação. Sua mãe não teve a mesma sorte.

Um sentimento e muitas reações: o medo. Ele perpassa todos na trama. Estranhos que se conheceram no caos representam diferentes perfis de resistência e passam a dividir uma casa que se torna uma fortaleza, no objetivo comum de se manterem vivos. Cenário clássico para esse tipo de produção.

Tudo gira em torno do medo que paira em cada segundo do longa. Às vezes, vem vestido de desconfiança, outras de arrogância, frieza ou disciplina. No fundo, sempre ele, o medo, que vaza pela tela e nos faz confrontar os nossos próprios.

Não é terror, considero que fica melhor na prateleira do suspense. Mas, pelo menos para mim, nenhuma alma penada da ficção apavora mais do que os assombros pessoais da alma de cada um. O medo de abrir os olhos e ver o nunca antes visto, porém letal. Ouso perguntar, não é assim na vida? Quem pra se preservar não preferiu, ao menos uma vez, manter os olhos cerrados?

Os piores medos, as perdas mais dolorosas vivem no interior de cada um de nós. No enredo, essas alavancas emocionais são materializadas como demônios que pairam no ar e levam toda uma sociedade ao colapso, suscitando uma horda de suicídios. Isso mesmo, não é necessário um apocalipse zumbi, uma bomba nuclear, um grande terremoto, uma crise política ou ataque de alienígenas. Cada um cuida de se auto-destruir.

As nossas trevas mais profundas, provenientes da natureza e construção social, de cada um de nós, fazem com que nos mutilemos até a morte. Quando olhamos, sem vendas, à luz do dia, somos destruídos mortalmente. Por quê? Por quê reagimos assim? É, você pode precisar de suporte do seu terapeuta ou bater um papo cabeça com aquele amigo logo depois de assistir o filme. Só uma recomendação de amiga, tire suas vendas em lugar seguro, se cerque de amor e compreensão, mas jamais se deixe morrer.

Avaliação: Bom

Confira o trailer do filme:

Bird Box está disponível na Netflix. Já assistiu o filme? Conte-nos o que achou do filme nos comentários e suas expectativas.

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