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CRÍTICA – Motorrad (2017, Vicente Amorim)

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Motorrad é um thriller/terror nacional, lançado no circuito internacional em grandes festivais como TIFF (Toronto International Film Festival). Dirigido por Vicente Amorim, o longa traz no elenco Guilherme Prates, Carla Salle e Emílio de Mello. Na trama um grupo de motocross buscando aventuras se depara com uma jovem misteriosa, que os direciona a uma trilha radical. Porém a aventura se torna uma luta por sobrevivência quando começam a ser perseguidos por uma gangue desconhecida.

Motorrad é um esforço louvável de Vicente Amorim, levando o cinema de gênero brasileiro para festivais internacionais e grande circuito nacional. É clara a paixão do diretor com o projeto e o tema e apesar de apresentar muitos deslizes, é preciso olhar para as possibilidades que Motorrad abre para o cinema de terror no Brasil. Mas infelizmente, o filme não é perfeito.

Uma das grandes falhas de Motorrad é não respeitar as regras estabelecidas pelo roteiro. Os motoqueiros perseguidores são introduzidos como forças onipresentes e ligeiramente sobrenaturais, mas estão vulneráveis a mortes humanas sem qualquer explicação. A questão geográfica e temporal é totalmente comprometida por uma montagem frenética, que abusa de planos e cortes diferentes que causam confusão e não agregam a trama. Os personagens tomam decisões convenientes ao roteiro, e sem que suas histórias sejam exploradas, ficando difícil para o espectador se engajar de forma a sentir o peso de suas mortes.

O elenco trabalha bem com o que pode, a fotografia aproveita as belas paisagens e a paleta de cores terrosas contrasta com os figurinos escuros da gangue perseguidora, gerando algum sentimento de imponência desses motoqueiros em relação aos protagonistas. A trilha sonora é inconstante, por vezes agregando a tensão e em outras se tornando obvia e estridente. Outro problema é com as personagens femininas vividas por Carla Salle e Juliana Lohmann; ambas apresentadas de forma caricatas, são pouco aproveitadas e com diálogos cercados de objetificação, reduzindo ambas a percepção masculina.

Motorrad busca algo novo, uma tentativa de thriller/terror que segue estéticas estabelecidas por filmes como It Follows e It Comes at Night, com poucos diálogos ou sem cenas expositivas. Porém, o roteiro tropeça em suas próprias regras e a montagem não permite que o espectador crie qualquer sensação lógica nos espaços explorados. Motorrad deixa seu público tão perdido quanto seus protagonistas nas belas paisagens da Serra da Canastra.

Avaliação: Ruim

Confira o trailer:

Motorrad chega hoje aos cinemas nacionais.