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CRÍTICA – The Post: A Guerra Secreta (2017, Steven Spielberg)

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Continuando a leva dos “filmes de premiação”, temos The Post: A Guerra Secreta, novo longa de Steven Spielberg com Meryl Streep, Tom Hanks, Bob Odenkirk e Sarah Paulson. Baseado em uma história real, The Post conta a trajetória de Katharine Graham, a primeira editora-chefe de uma publicação de notícias americana, o The Washington Post. Durante a Guerra do Vietnã, documentos sigilosos são vazados e Graham (Meryl Streep) se vê em meio a uma batalha com o governo americano pela liberdade de imprensa.

Em época de premiações como Globo de Ouro, Critics’ Choice e Oscar, filmes com o talento agregado que possui The Post, vindos de um diretor venerado como Spielberg são um grande chamativo. Apesar de não pertencer aos melhores da carreira do diretor, o novo longa é um filme sólido, envolvente e que sabe aproveitar bem seu forte elenco. As interpretações de Streep, Hanks e Odenkirk são a força condutora da trama. O destaque maior é de Meryl, que tem aqui uma performance contida, – se comparado a esforços como Florence: Quem é Essa Mulher, um de seus trabalhos mais recentes – mas capaz de entregar todo o conflito interno em que se encontra sua personagem através principalmente de sua atuação silenciosa, em expressões corporais e faciais.

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A sutileza de Streep em alguns momentos se choca com uma direção didática e por vezes óbvia, que tenta explicar demais as nuances da situação, e não confia na esperteza de seu público. Spielberg se agarra em alguns artifícios de direção que aqui são usados em excesso. O zoom na expressão de personagens em momentos de conflito, os posicionamentos quase teatrais de algumas cenas, em especial para mostrar a fragilidade e dificuldade da posição de Katharine Graham em uma industria conservadora e machista. Falta um pouco de refinamento que outros trabalhos do diretor apresentaram no passado.

A trilha sonora de John Willians é, no inicio, excessivamente carregada e desconexa. Porém,  na segunda metade do filme, conduz de forma brilhante a construção de uma atmosfera de tensão palpável, até mesmo para aqueles que conhecem o desfecho da história. Em paralelo, a fotografia persegue seus personagens para aumentar a tensão e explorar os ambientes construídos, fazendo pouco uso de cortes. O filme é bem ritmado, não perdendo o foco no arco de Graham, mas utilizando bem o seu elenco de apoio. Sarah Paulson é pouco aproveitada, mas tem um momento excelente na trama, e central para o arco. A ambientação é bem feita, exibindo o glamour decadente das redações de jornal dos anos 70, repletas de fumaça de charutos, pés sob mesas e estagiários frenéticos pelos corredores. As cenas que envolvem o maquinário de impressão oferecem um toque de charme a trama muito bem vinda.

The Post: A Guerra Secreta é um filme competente, capaz de envolver o espectador em antecipação por um desfecho comumente conhecido. Apesar de uma direção inconstante, Spielberg entrega um filme tenso, atraente e com excelentes atuações de seu elenco. Meryl Streep novamente se destaca, e a história de Katherine Graham vem ao grande público em um momento oportuno, onde conversas sobre igualdade de salários é tão presente.

Avaliação: Bom

Confira o trailer legendado:

Lançado nos Estados Unidos já no final de 2017, The Post: A Guerra Secreta chega aos cinemas brasileiros dia 25 de Janeiro. Animado? Deixe-se seu comentário, compartilhe com seus amigos e lembre-se de nos acompanhar nas principais redes sociais:

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