Início FILMES Crítica CRÍTICA – Três Anúncios Para um Crime (2017, Martin McDonagh)

CRÍTICA – Três Anúncios Para um Crime (2017, Martin McDonagh)

641
4

Vencedor do Globo de Ouro na categoria Melhor Filme e grande favorito ao Oscar deste ano, Três Anúncios Para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri) retrata a história de Mildred Hayes (Frances McDormand), uma mãe que busca justiça após sua filha, Angela Hayes (Kathryn Newton), ser assassinada brutalmente. Após 7 meses da morte de Angela, nenhuma ação concreta foi tomada pela polícia local e não há nenhuma possibilidade de avanço nas investigações do caso. Assim, Mildred aluga três outdoors (na mesma estrada onde sua filha foi assassinada) buscando chamar a atenção do chefe de polícia da cidade, Willoughby (Woody Harrelson), e demais autoridades sobre a situação de sua família. Esses outdoors colocam a eficiência da polícia em questionamento e desencadeiam uma histeria coletiva.

Apesar de, à primeira vista, a narrativa ter como foco o caso da jovem assassinada, Três Anúncios Para um Crime tem como personagem principal o ódio. O sentimento permeia todos os relacionamentos, do início ao final do filme. Ele é o combustível principal da trama e o que conduz todo o desenrolar de acontecimentos. A forma como o ódio é abordado lembra bastante as produções dos Irmãos Coen, porém o diretor Martin McDonagh consegue utilizar esse elemento não só como uma consequência, mas como uma chave necessária para a busca pela redenção. Martin dirige uma narrativa que transita entre a fúria, o desespero, o sadismo e o humor sarcástico de forma simples, sem reduzir em nenhum momento o ritmo quase descontrolado da produção – e os plots twists constantes durante seus 155 minutos de duração.

https://www.the-numbers.com/images/movies/Three-Billboards-Outside-Ebbing-Missouri-2-News.jpg

Além de Mildred, que sofre pela perda de sua filha e pela fúria de não conseguir que a justiça seja feita, outros personagens que cruzam seu caminho também são movidos por uma raiva que beira ao exagero – mas que funciona. O policial Dixon (Sam Rockwell) possui em si tudo o que existe de controverso para alguém que tem como profissão proteger outras pessoas. Ele é, basicamente, a maior ameaça da pequena cidade de Ebbing, não só para os outros como para si mesmo. Dixon possui todos os preconceitos possíveis e acredita que pode fazer (e agir) como quiser por ser um policial – e que não precisa ter responsabilidade por isso.

https://48palw1jqfwf1zkjitvyccc1-wpengine.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2017/11/three-billboards-outside-ebbing-missouri-sam-rockwell-woody-harrelson.jpg

A atitude de verbalizar o sofrimento de forma tão midiática coloca Mildred no centro das atenções e dos debates na cidade. O fato de não só questionar a eficiência da polícia, mas também colocar em pauta a palavra do chefe de polícia da cidade (um pai com uma família modelo e que sofre de um câncer terminal), transforma o comportamento das pessoas ao seu redor e faz com que Mildred passe, muitas vezes, da posição de vítima para a de vilã.

Em muitos momentos sentimos junto com ela (e aqui um destaque à ótima interpretação de Frances no papel principal) o peso da injustiça que permeia todas as esferas da sua vida: um ex-marido assediador e que hoje vive com uma adolescente; o filho que culpa a mãe pelo sofrimento que passa na escola e pela situação com o pai;  as consequências de seus atos por justiça atingindo pessoas que fazem parte de seu cotidiano. Mildred é o retrato de uma mãe solteira que, mesmo nos momentos mais complicados e solitários, consegue rir de si e da situação que se encontra, sem pensar no que suas ações podem resultar, desde que obtenha a justiça que procura.

https://static01.nyt.com/images/2017/11/10/arts/10threebillboards1/10threebillboards-web-master768.jpg

A pressão que envolve os três principais eixos da história (Mildred, Willoughby e Dixon) ao longo da trama nos direciona a um cenário de conflito que, conforme se desenvolve, parece não criar finais felizes para nenhum deles. É em meio a esse desnorteio que surge, de uma maneira torta e certamente inesperada para quem está assistindo, um denominador comum. Três Anúncios Para um Crime é uma produção que trata, principalmente, sobre quão falho somos como seres humanos e que o ódio, como combustível motivador, não nos leva a nada além do fracasso. Porém, é só depois de superá-lo que podemos, enfim, nos conectar com o próximo – mesmo que nas situações mais estranhas possíveis.

Avaliação: Ótimo

Assista o trailer:

Três Anúncios Para um Crime estreou em Outubro nos Estados Unidos; por aqui o filme estreia em Fevereiro. Deixe seu comentário e lembre-se de nos acompanhar também nas principais redes sociais:

Facebook – Twitter – Instagram – Pinterest

Comentários