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CRÍTICA – Um Funeral em Família (2019, Tyler Perry)

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CRÍTICA - Um Funeral em Família (2019, Tyler Perry)

Guilty pleasures é um termo em inglês utilizado para denominar, literalmente, nossos “prazeres culpados”. A exemplo disto, podemos falar daquela pessoa que compra religiosamente uma revista de fofoca de famosos ou que canta e dança sozinho em casa “Como uma Deusa”. São coisas das quais você gosta, mas tem certa vergonha de admitir. Como diria minha mãe: “vergonha é para quem tem, não para quem quer”. E eu não tenho vergonha de admitir que SIM! Eu dei gostosas gargalhadas assistindo Um Funeral em Família.

O longa conta a história de uma família disfuncional que se reúne para comemorar o aniversário de casamento de Anthony (Derek Morgan) e Vianne (Jen Harper). Em meio aos preparativos – e a recepção da família buscapé protagonizada por de Tyler Perry – uma tragédia acontece, levando a família da comemoração à lamúria em questão de horas. A causa da tragédia demora a aparecer, envolvendo a trama em uma rede de fofocas e desconfiança.

É óbvio que Um Funeral em Família é um filme ruim, não tenho nem como defendê-lo: roteiro simples, cenas longas e cansativas e personagens rasos são alguns dos ingredientes desta sopa de repolho.

O longa possui dois núcleos distintos: o primeiro é como se fosse o elenco da novela das 9, onde a família de comercial de margarina esconde segredos e traições. O segundo, é o Zorra Total da terceira idade, protagonizado por Tyler Perry em três papéis distintos como os irmãos, Joe, Heatworth e Madea, que dá o nome ao título original do filme.

Unida às tias Barm (Cassi Davis) e Hattie (Patrice Lovely), Madea é o coração do filme. É ela que consegue conectar o arroz com feijão à farofada dos personagens cheios de um humor politicamente incorreto. Norbit e Vovó Zona são referências óbvias a este filme. O primeiro porque Eddie Murphy se reveza no papel dos protagonistas do filme. O segundo, devido a semelhança com a icônica personagem interpretada por Martin Lawrence.

Um dos poucos pontos interessantes da trama se dá no momento que Vienne faz um discurso inspirado sobre o sofrimento das mulheres no século XX e as oportunidades para as mulheres do século XXI – embaladas pelos movimentos feministas e empoderadores.

Aqui, nesses poucos minutos de sanidade em meio a uma esquizofrenia de piadas que duram mais de 10 minutos, é possível sentir a solidão da matriarca. Mulher, negra, com três filhos e pouquíssimas oportunidades, fez o que pode para dar o melhor para sua família – mesmo que isso significasse seu sofrimento, sua insatisfação com a vida e sua depressão.

Assim como qualquer filme de comédia pastelão norte-americano Um Funeral em Família não é hilário, muito menos marcante. É um filme que arranca risadas de um público mais espontâneo, que usa aquele momento para relaxar e esquecer um pouco dos problemas. Se esse não é o teu objetivo, meu bem, então você está na sessão errada.

Nossa nota

Confira abaixo o trailer: