O Cavaleiro Verde: 5 lendas arthurianas que merecem uma adaptação

    Há muito tempo, as lendas arthurianas deixaram de ser apenas relíquias de um cinema antigo ou até mesmo da literatura. Ainda que a história do Rei Arthur tenha sido adaptada à exaustão, o que foi feito mais recentemente pelo estúdio A24, que é a brilhante adaptação de David Lowery com O Cavaleiro Verde, provou que existe espaço no cinema moderno para as lendas arthurianas e que elas podem ser recontadas de uma forma poderosa, emocionante e visualmente única.

    Ao assistir ao filme, não parei de pensar quais lendas arthurianas se beneficiariam de um tratamento que Sir Gawain e a Lenda do Cavaleiro Verde teve. Diferentemente dos contos que no passado foram primeiro contados de forma oral, as histórias e lendas de Arthur foram contadas pela primeira vez em um livro do Século XII, intitulado História dos Reis da Britânia, de Geoffrey de Monmouth, que escreveu a primeira história conhecida de Arthur, descrevendo sua espada mágica Caliburn – que mais tarde passou a ser conhecida como Excalibur -, seu confiável cavaleiro Lancelot, a Rainha Guinevere e o mago Merlin.

    5. OS DESAFIOS DE LANCELOT

    Lendas Arthurianas

    O romance O Único e Eterno Rei, é considerado por muitos a melhor edição moderna de um conto arthuriano, graças ao trabalho de T.H. White. White era um homem radical que procurava refletir suas crenças através de seu trabalho, desde seus sentimentos de aversão à guerra até a forma como seus personagens centrais eram retratados.

    Muitos estudiosos acreditam que essa versão de Lancelot é uma extensão do próprio autor. Durante o romance, Lancelot passa por uma confusão interna intensa, que alguns acreditam que esse conturbado desenvolvimento reflita a sexualidade do próprio T.H. White. Se essa hipótese é algo real ou não, seria interessante ver uma adaptação dessa história no cânone e de maneira que um filme moderno fosse capaz de expandir a visão que temos de Lancelot.

    4. AS BRUMAS DE AVALON

    Esse romance é um dos mais revolucionários e controversos do cânone arthuriano moderno. Essa história apresentou uma perspectiva feminina muito necessária à uma história tradicionalmente patriarcal – ainda que tenha sido escrito por uma pessoa terrível (AVISO DE GATILHO: a autora e seu marido praticavam abuso sexual com sua filha).

    As Brumas de Avalon merece uma adaptação com o cuidado necessário que a história merece e feito por alguém que faça jus à narrativa; afinal, nenhuma outra história ousou fazer da vilã, Morgana Le Fay, uma personagem simpática e equilibrada, então é triste ver que essa foi a única narrativa a fazê-lo até agora, ainda que a criadora dessa história seja uma pessoa odiosa.

    3. LANCELOT, ELAINE E O BRAVO SIR GALAHAD

    Lendas Arthurianas

    Por suas fortes influências religiosas no cânone ao longo dos anos, muitas histórias tendem a adaptar Galahad como um tipo de milagre sagrado. Entretanto, essa história de família é uma verdadeira tragédia, e uma representação moderna pode ser uma mudança revolucionária desta lenda arthuriana.

    Essencialmente, Lancelot é enganado e coagido a ter um filho com Lady Elaine e quando ele percebe o que aconteceu, ele a deixa. Elaine morre pouco depois de Galahad nascer e Lancelot passa grande parte de sua vida ignorando o menino. O fato é que muitas versões dessa história não mostram o trauma que essa família sofre e não mostra que Galahad se torna de fato quem ele é pelas circunstâncias.

    Uma adaptação atual dessa história dramática seria no mínimo corajosa.

    2. TRISTÃO E ISOLDA

    Um dos mais famosos contos de amor da literatura, a história de Tristão e Isolda, certamente se beneficiariam dentro da modernização de antigos romances. Apesar de ter sido adaptado para o cinema algumas vezes, o filme merecia ser adaptado mais uma vez por sua relevância histórica.

    Talvez a história se beneficiasse por uma perspectiva independente como Greta Gerwig que dirigiu filmes de adaptações literárias como Lady Bird: A Hora de Voar (2017) e Adoráveis Mulheres (2020), tem uma forma particular de falar de amor. Sem falar que Adoráveis Mulheres foi um remake que funcionou para apresentar o clássico livro de Louisa May Alcott ao público mais jovem.

    1. A CAVALARIA DE PERCIVAL

    Lendas Arthurianas

    Apesar de seu nome ser um dos mais populares e mais conhecidos do cânone, o papel de Percival é ligeiramente estranho. Ele não tem uma presença definida e foi muitas vezes trocado com outros cavaleiros, o mais notável deles, é Galahad, com quem ele parte em uma jornada em busca pelo Santo Graal.

    Acredito que deva ser interessante brincar com todas as suas identidades para contar uma história simples, mas divertida, funcionando como uma história de origem de Percival. Em grande parte das histórias, ele é criado sozinho por sua mãe, até que ele se inspira em um grupo de cavaleiros viajantes.

    Para os que não entendem muito de lendas arthurianas, seria uma bela forma de dar início a uma história e considerando seu papel fluído no cânone, pode dar a liberdade aos criadores/diretores modernos a apresentar sua identidade com uma releitura fiel.

    BÔNUS: A REVOLTA DE MORDRED

    Assim como Percival, a origem de Mordred é discutida por muitos autores, mas uma coisa em que todos concordam, é que o personagem possui uma “maldade inerente” à sua criação. Não vale apenas falar que isso tira uma enorme liberdade da história, mas revela a preguiça desses autores em escrever e não entregar uma narrativa mais interessante: Por que Mordred é tão mal? Por que sua vida deve chegar ao fim com a morte de Arthur?

    Vale lembrar que a série da BBC, Merlin (2008-2012), tentou responder essa pergunta, mas uma nova história focada em Mordred poderia ir muito além. Além das possibilidades que uma adaptação assim poderia trazer, explorando suas origens, talvez focando em sua infância com sua mãe abusiva, a rainha Morgause, e como ele poderia se sentir conflituoso ao chegar na corte e perceber que Arthur é muito mais bondoso que sua mãe o fez ser.

    Vale lembrar que a série Merlin está disponível no catálogo da Netflix e aborda o início da vida e todas as provações que o jovem bruxo precisou passar a fim de descobrir seu papel na corte de Camelot e seu lugar de conselheiro ao lado do jovem Arthur.

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