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CRÍTICA – Lady Bird: A Hora de Voar (2017, Greta Gerwig)

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Lady Bird: A Hora de Voar é um filme dirigido por Greta Gerwig e um dos concorrentes na categoria de Melhor Filme no Oscar deste ano e é, dentre todos os indicados da categoria, o mais simples e intimista. Baseado em acontecimentos da vida de Greta, Lady Bird apresenta uma história divertida, leve e, principalmente, fácil de se identificar.

No filme, acompanhamos a história de Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan), uma adolescente de 17 anos que quer para si muito mais do que a pequena cidade de Sacramento pode oferecer. Com sonhos grandes, uma alma artística e vontades que não condizem com seu esforço, ela quer ter uma vida completamente diferente da que sua mãe, Marion (Laurie Metcalf), possui. Como qualquer adolescente, Lady Bird quer ser mais do que as pessoas pensam que ela pode ser. O preço necessário para alcançar seus sonhos não é algo importante – pelo menos não para ela.

O fato de Lady Bird não se importar com as consequências de suas escolhas transforma sua relação com sua mãe em algo complicado. Marion espera que a filha seja a “melhor versão dela mesma” e essa expectativa é várias vezes confrontada com os sonhos da protagonista, tornando o relacionamento entre as duas o ponto mais forte do filme. Os diálogos e mudanças bruscas de sentimentos (em um espaço de tempo de 3 minutos elas oscilam de uma gentileza para uma raiva sem sentido) escancaram de forma divertida os altos e baixos da ligação entre mãe e filha.

Saoirse Ronan está incrível no papel, dando vida a uma Lady Bird irritante, porém doce. Laurie Metcalf consegue fazer o contraponto em tela das loucuras de sua filha. É possível perceber como Greta transmitiu suas experiências pessoais, dirigindo ambas as atrizes de forma a construir uma química perfeita.

Muitas vezes é possível perceber que o olhar da diretora sobre as escolhas de Lady Bird é mais maduro e consciente, remetendo a nostalgia de sua própria vivência. Por exemplo, o fato de a adolescente não perceber o quão doloroso e custoso é para a sua família financiar os seus sonhos e a sua ida para a faculdade, se torna uma forma honesta e sincera de retratar o lado da mãe, que trabalha em diversos turnos para sustentar a família (com um pai e um filho desempregados, além da nora que também vive na casa). Uma mãe “assustadora e amorosa”, que só quer o melhor para a sua filha.

No fim, Lady Bird retrata a realidade de quase todos os adolescentes que evoluem para a fase adulta: eles buscam nos pais um entendimento que, muitas vezes, não está lá; enquanto os pais esperam de seus filhos escolhas concretas e “pés no chão”. Com isso, os dramas são elevados à décima potência (brigas com namorados, com a melhor amiga, notas ruins, a escola católica, etc) e tudo aparenta ser o fim do mundo. É a necessidade de se sentir parte de algo maior, mesmo que isso represente escolhas “rebeldes”.

O crescimento e as descobertas retratados com uma simplicidade divertida transformam Lady Bird em uma produção que merece ser vista.

Avaliação: Bom

Lady Bird chegou ontem aos cinemas brasileiros.

Confira o trailer:

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