TBT #284 | “Festival Sangrento” tenta emplacar horror, mas falha

    “Festival Sangrento” é um filme de terror de 2019, dirigido por Owen Egerton e estrelado por Jacob Batalon, Zachary Levi e grande elenco, somos levados pela história de um grupo de amigos aficionados por filmes de terror. Enquanto brinca com referências que vão desde Halloween até O Massacre da Serra Elétrica, somos o diretor tenta subverter o gênero, por vezes consegue, mas em outras, apoia no pouco ou quase nenhum talento dramático de seu elenco.

    Ao longo de seus 90 minutos, vemos como Dax (Robbie Kay), o sobrevivente de uma tragédia em que um paciente de seu pai, o psiquiatra Dr. Conway (Tate Donovan) invade a casa de sua família e mata sua mãe. Se prendendo a um dos gêneros pelos quais sua mãe era mais apaixonada, o horror, o jovem vê no gênero uma forma de se manter conectado com sua mãe.

    SINOPSE

    Fãs de terror vão a um festival celebrando os clássicos do gênero, apenas para descobrir que o carismático artista por trás do evento tem intenções diabólicas.

    ANÁLISE

    Com profundas referências a personagens mais que conhecidos, Festival Sangrento tenta despontar onde muitos já o fizeram no passado e continuam, como a trilogia da A24, estrelada por Mia Goth. Enquanto o grupo de amigos adentra o festival, um evento fechado para os amantes do horror, coisas estranhas começam a acontecer. E quando um grupo improvável se forma para sobreviver, o filme faz uma crítica ao consumo de conteúdos de horror ou +18. Seja pela brutalidade desenfreada e o terror desmedido, a cultura americana parece se espelhar em suas obras para produzir tragédias aos montes, com diversos requintes de crueldade.

    Estrelado também pelo diretor, Owen Egerton, vemos aqui não apenas referências como cópias lógicas dos tradicionais tropos dos filmes de horror.

    Seja por punir os que fogem dos conceitos morais, tradicionalmente “americanos” – como acontecia com os personagens de Halloween, Sexta-feira 13, ou qualquer outro filme de horror à época, que transavam ou usavam drogas – os jovens destas tramas eram subitamente assassinados.

    Seja pela crítica ou pela perversidade destas tramas, vemos como o horror desse filme que beira o absurdo chega a ser cômico. Ao longo dos 90 minutos, vemos a paixão de alguns se tornar a obsessão de outros. Vemos criaturas da floresta ganhar vida, bem como testemunhar alguns das mais tenebrosas facetas da psiqué humana.

    VEREDITO

    Falhando miseravelmente em quase tudo que se propõe, Festival Sangrento surpreende por sua forma de contar a história e parece ignorar quase que completamente alguns dos fatos de seu primeiro ato. Como o fato do protagonista testemunhar o assassinato de sua mãe quando ainda criança e possuir em si uma pulsão de morte tão apurada. Como um aficionado pelo cinema de horror, as intenções de Dax chegam a beirar a psicopatia, dada sua frieza em muitos dos momentos.

    Mesmo brincando com as estruturas do roteiro de filmes de horror, talvez tentando encontrar uma saída, o improvável grupo não consegue encontrar uma saída de seus clichês e suas terríveis escolhas narrativas.

    Apesar de tudo isso, Festival Sangrento pode ser assistido como um filme que não faz questão de se levar a sério e brinca não apenas com as nossas já estabelecidas concepções de filmes de horror, mas apesar de tudo isso e por criticar o que ele se embasa, Festival Sangrento pode ser uma interessante diversão.

    Nossa nota

    2,5 / 5,0

    Confira o trailer do filme:

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