Maquiagem de Embelezamento no cinema

    Na hora produzir um filme, diversos elementos precisam ser considerados: roteiro, elenco, figurino, cenários e objetos. Para muitos, a beleza (cabelos e maquiagem) desempenha um papel igualmente importante, que além de ter o poder de refletir a sociedade daquele momento, pode até mesmo influenciar tendências futuras.

    No cinema um maquiador deve ser capaz de dominar as seguintes técnicas:

    • Maquiagem de Embelezamento;
    • Maquiagem Natural;
    • Maquiagem de Caracterização e
    • Maquiagem Artística.

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    Afinal, o estilo do cabelo e maquiagem tem a capacidade de definir a cena tanto quanto a roupa. Pense na beleza selvagem de Brooke Shield em A Lagoa Azul (1980) ou na máscara cuidadosamente construída de Chiyo em Memórias de uma Gueixa (2005).

    Veja alguns filmes que marcaram, também por sua maquiagem de embelezamento!

    Cleópatra (1945)

    Atriz: Elizabeth Taylor

    Papel: Cleópatra

    Maquiadora: a própria

    Sinopse: O filme narra a ascensão e o declínio de Cleópatra (Elizabeth Taylor), rainha do Egito, sua luta para defender o império das ambições políticas e territoriais de Roma, e seu relacionamento com Júlio César (Rex Harrison) e Marco Antônio (Richard Burton).

    A maquiagem: A responsável pela maquiagem é a própria Elizabeth Taylor, porque o maquiador italiano Alberto Rossi ficou com receio de aplicar a ideia criada pela atriz. Liz tinha estudado as referências e técnicas necessárias e assumiu o makeup.

    Destaque: O lápis de olho preto é usado nas sobrancelhas e no desenho do delineado para formar as asas. 

    Os olhos são o grande destaque aqui, pois são bem delineados, tanto na parte de cima quanto debaixo. Além disso, a sombra é bem destacada, preenchendo toda a pálpebra, até chegar na linha das sobrancelhas. E para finalizar, os cantinhos dos olhos com um toque iluminado.

    O Pecado Mora ao Lado (1955)

    Atriz: Marylin Monroe

    Papel: A garota

    Maquiador: Allan Snyder

    Sinopse: No meio de uma onda de calor, o nova-iorquino Richard Sherman (Tom Ewell) aproveita que uma vida sem cobranças, já que sua mulher (Evelyn Keyes) e o filho foram passar as férias no Maine. Sozinho para trabalhar em Manhattan, Richard conhece uma linda modelo (Marilyn Monroe) que se mudou para o apartamento do andar superior.

    A maquiagem: O responsável pela produção da atriz foi o maquiador e seu amigo pessoal, Allan Snyder. Ele usava vaselina aplicada como primer para dar viço à pele; dois tons de batons vermelho (mais escuro para contorno dos lábios e o mais claro para preenchimento); lápis marrom e preto para os olhos; cílios postiços cortados ao meio e colados apenas nos cantos externos.

    Bonequinha de Luxo (1961)

    Atriz: Audrey Hepburn

    Papel: Holly Golightly

    Equipe de maquiagem: Nellie Manley e Wally Westmore

    Sinopse: Holly Golightly (Audrey Hepburn) é uma garota de programa nova-iorquina que está decidida a se casar com um milionário. Perdida entre a inocência, ambição e futilidade, ela toma seus cafés da manhã em frente à famosa joalheria Tiffany’s, na intenção de fugir dos problemas. Seus planos mudam quando conhece Paul Varjak (George Peppard), um jovem escritor bancado pela amante, que se torna seu vizinho, com quem se envolve. Apesar do interesse em Paul, Holly reluta em se entregar a um amor que contraria seus objetivos de tornar-se rica.

    A maquiagem: O delineado tradicional da personagem chamava a atenção para os olhos de Audrey Hepburn e era equilibrado com uma make mais leve e natural. 

    A maquiagem varia de intensidade dependendo da cena, mas a fórmula se mantém: pele perfeita, blush claro, batom cor de boca rosado, sombra quase do tom da pele e sem brilho, delineado nude na linha d’água dos olhos.

    Destaque: As cenas noturnas ganharam olhos com um suave esfumado nos cantos externos.

    Arabesco (1966)

    Atriz: Sophia Loren

    Papel: Yasminz Azir

    Maquiador: W.T. Partleton

    Sinopse: Quando um complô contra um político proeminente do Oriente Médio é descoberto, David Pollock (Gregory Peck), professor de hieróglifos antigos da Universidade de Oxford, é recrutado para ajudar a expor o esquema. Pollock deve encontrar informações que se acredita estarem em código hieroglífico e também deve enfrentar um homem misterioso chamado Beshraavi (Alan Badel). Enquanto isso, a bela amante de Beshraavi, Yasmin Azir (Sophia Loren), parece disposta a ajudar Pollock – mas ela está realmente do lado dele?

    A maquiagem: Ela mesma era expert no traçado no canto dos olhos, superdramático, geométrico, pesadão mesmo. Seu segredo? Muitas camadas de máscara para cílios para dar toda a atenção que seus grandes olhos verdes merecem. Sophia também usava lápis nude na linha d’água inferior para abrir o olhar. As sobrancelhas da moda eram arqueadas. Os lábios, volumosos, mas raramente com batom vermelho. A musa preferia batons nude ou rosados com um leve brilho bem no centro dos lábios, para dar ainda mais volume e W.T. Partleton seguiu a risca todas as exigências de Sophia Loren que fazia questão de exibir em todos os seus filmes, tornando-se sua “marca registrada”.

    Scarface (1983)

    Atriz: Michelle Pfeiffer

    Papel: Elvira Hancock

    Maquiadora: Barbara Guedel

    Sinopse: Década de 80. Centenas de imigrantes cubanos aportam na costa da Flórida, durante uma breve abertura da ilha por Fidel Castro, em uma manobra para se livrar do excesso de presos nas cadeias cubanas. Em meio à massa de miseráveis, chega Tony Montana (Al Pacino), bandido de pouco nome e muita bravata, disposto a conquistar o mundo do tráfico.

    A maquiagem: Tirando os holofotes do delineado, a técnica que brilhou nos olhos de Michele Pfeiffer foi a smokey eye, com cílios destacados e lápis nude na linha d’água. Pele sempre fresh e iluminada, base de cobertura leve, natural e cremosa, blush marcado (estamos falando dos anos 1980, né?), com direito a contorno.

    Elvira: A Rainha das Trevas (1988)

    Atriz: Cassandra Peterson

    Papel: Elvira

    Maquiadora: Pamela S. Westmore

    Sinopse: Elvira (Cassandra Peterson) é a anfitriã de um programa de baixo orçamento sobre filmes de terror, mas tudo pode mudar quando ela herda da tia Morgana (Cassandra Peterson) uma velha mansão em Fallwell, Massachusetts, uma pequena cidade com apenas 1313 habitantes.

    A maquiagem: A personagem criada nos anos 1980 une a maquiagem, o cabelo e até um figurino bastante peculiar para um visual sombrio, porém sensual. O vestido preto inspirado em Mortícia Addams, a peruca volumosa, além da imagem das pin-ups, são coroados por um olhar marcante que vai além do delineado gatinho, unhas compridas quase vampirescas e pretas. Segundo a atriz Cassandra Peterson, a maquiagem do rosto foi inspirada no teatro japonês kabuki, com cores como vermelho e rosa no rosto bem pálido.

    Maria Antonieta (2006)

    Atriz: Kirsten Dunst

    Papel: Maria Antonieta

    Maquiadora: Pascale Bouquière

    Sinopse: A princesa austríaca Maria Antonieta (Kirsten Dunst) é enviada ainda adolescente à França para se casar com o Príncipe Luis XVI (Jason Schwartzman), como parte de um acordo entre os países. Na corte de Versalles ela é envolvida em rígidas regras de etiqueta, ferrenhas disputas familiares e fofocas insuportáveis, mundo em que nunca se sentiu confortável. Praticamente exilada, decide criar um universo à parte dentro daquela corte, no qual pode se divertir e aproveitar sua juventude. Só que, fora das paredes do palácio, a revolução não pode mais esperar para explodir.

    A maquiagem: Pele alva, blush forte e bem marcado, esses são os elementos principais da maquiagem de Kristen Dunst como Maria Antonieta. O batom combinava com o blush para um visual monocromático. Os olhos tinham sombra marrom discreta, só pra dar profundidade, sem máscara de cílios.

    Malévola (2014)

    Atriz: Angelina Jolie

    Papel: Malévola

    Maquiadora: Toni G

    Sinopse: Após aceitar se casar com o Príncipe Phillip (Harris Dickinson), Aurora (Elle Fanning) é imediatamente acolhida pela rainha, sua futura sogra (Michelle Pfeiffer), como se fosse sua própria filha. Revoltada, Malévola (Angelina Jolie) se opõe ao reino e reúne novos aliados para proteger as terras mágicas que compartilham.

    A maquiagem: Nenhum visual estaria completo sem a bela maquiagem, e é aí que entra Toni G, a maquiadora pessoal de Angelina Jolie. Para começar o processo de desenho da maquiagem de Malévola, Toni G buscou inspiração na natureza.

    Ela explica:

    A história tem muito a ver com natureza e isso com certeza deflagrou um visual mais ligado à natureza e aos tons marrons. Com a paleta, nós queríamos uma combinação de cores que pudesse ser usada em variações, tais como concreto, marrom-acinzentado, para dar um contorno mais natural e um marrom mais escuro (terra) e preto (carbono) para acrescentar um toque dramático aos olhos, com um pouco de dourado para iluminar, que complementaria o amarelo das lentes de contato.”

    Como os lábios vermelhos faziam parte do desenho clássico de Malévola, foi um elemento importante de reter nesse visual no personagem live action e a maquiadora finaliza:

    Nós experimentamos muitos vermelhos; queríamos um vermelho muito vivo, mas também precisava ter a uniformidade certa e ser totalmente pigmentado com um toque de brilho. Adorei a cor que acabamos escolhendo, é muito dramática!

    A Bruxa do Amor (2016)

    Atriz: Samantha Robinson

    Papel: Elaine

    Maquiadora: Emma Willis

    Sinopse: Elaine (Samantha Robinson) é uma jovem bruxa que está determinada a encontrar o homem de sua vida. Ela leva homens para sua casa e faz magias e poções a fim de seduzi-los. Tudo funciona bem, mas ela acaba com uma série de vítimas infelizes. Quando ela finalmente encontra o homem de seus sonhos, seu desespero para ser amada a torna insana.

    A maquiagem: Aqui a associação entre maquiagem ousada e maldade é representada – ainda que de forma mais lúdica. No entanto, embora o uso das sombras coloridas – principalmente azul e verde – tenham se tornado moda na década de 1930, a maquiagem da personagem de Samantha Robinson também reflete algumas tendências de maquiagem da década de 1950, como os lábios de cores fortes e sobrancelhas arqueadas; já sua sombra de cores vivas que se baseia na moda de maquiagem dos anos 1960 e 1970.

    Cruella (2021)

    Atriz: Emma Stone

    Papel: Cruella/Stella

    Maquiadora: Nadia Stacey

    Sinopse: Inteligente, criativa e determinada, Estella (Emma Stone) quer fazer um nome para si através de seus designs e acaba chamando a atenção da Baronesa Von Hellman (Emma Thompson). Entretanto, o relacionamento delas desencadeia um curso de eventos e revelações que fazem com que Estella abrace seu lado rebelde e se torne a Cruella, uma pessoa má, elegante e voltada para a vingança.

    A maquiagem: Seguindo uma estética punk, em Londres de 1970, a produção tem um cuidado encantador com todos os detalhes, desde construção da narrativa da personagem até nas cores utilizadas, e claro, isso impacta também na beleza de Cruella. Esse último foi um dos pontos que mais chamou a nossa atenção, e de várias outras pessoas, que já foram até a maquiadora responsável, Nadia Stacey, para saber mais sobre essa estética punk e ao mesmo tempo fashionista da personagem de Emma Stone.

    PUBLICAÇÃO RELACIONADA | CRÍTICA – Cruella (2021, Craig Gillespie)


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