Maquiagem de Caracterização e seus filmes icônicos

    O cinema hoje está invadido pela computação gráfica: vários efeitos que antes eram feitos “no braço”, com o uso de maquiagem de caracterização, animatrônicos e fantasias, hoje são resolvidos com o chroma key e roupas de captura de movimentos.

    É claro que os efeitos atuais hoje são indispensáveis e fazem maravilhas pelos longas-metragens mais endinheirados, mas muitos trabalhos incríveis já foram feitos com o uso de pinturas corporais, próteses e outras criações.

    A maquiagem é uma modalidade artística que está presente na sétima arte desde seus primórdios; vale ressaltar que a lista a seguir não é um ranking das melh ores maquiagens, mas sim, uma seleção de algumas que marcaram o cinema.

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    Frankenstein (1931)

    Boris Karloff (como Frankenstein) e Jack Pierce.

    Transformações em filmes antigos eram ainda mais complicadas: as técnicas eram rudimentares, várias vindas do teatro e era preciso fazer de tudo para que algo parecesse assustador e convincente o suficiente em preto e branco. Com a criatura de Frankenstein, no clássico da Universal, foi bem assim.

    O maquiador Jack Pierce sonhava com uma carreira como ator nos filmes mudos de Hollywood, mas seu biotipo passava longe dos padrões da época e sua carreira se transformou completamente por conta de um chimpanzé.

    Pierce assumiu o desafio de transformar um ator em um chimpanzé realista em The Monkey Talks e o resultado foi tão perfeito que Carl Laemmle, diretor da Universal, o contratou imediatamente como maquiador do estúdio em tempo integral.

    Jack Pierce foi responsável pela maquiagem de caracterização nos clássicos Drácula (1931), A Múmia (1932) e O Lobisomem (1941).

    Planeta dos Macacos (1968)

    Como fazer com que os macacos pareçam humanos e símios ao mesmo tempo? Em Planeta dos Macacos, com uma equipe colossal que atrasou outros filmes de Hollywood na época por falta de maquiadores, John Chambers conseguiu. Ele inventou uma nova placa de borracha e precisou fazer vários modelos diferentes para figurantes que pertenciam a espécies diferentes no longa.

    Em 1968, Chambers recebeu um Oscar Honorário por seus trabalhos marcantes. O maquiador é conhecido por criar as orelhas pontudas de Spock na série de TV Star Trek (1966) e por seu trabalho inovador de maquiagem protética na franquia de filmes Planeta dos Macacos.

    O Homem Elefante (1980)

    A triste história de Joseph Merrick, que tinha uma deformação complexa no corpo e até virou atração de circo, rendeu uma emocionante biografia com John Hurt no papel principal. Mas reproduzir algo parecido com o que sofria o rapaz não foi fácil.

    Após muito estudo sobre as deformidades de Merrick e do próprio esqueleto do rapaz, as próteses foram construídas de forma complexa e para que pudessem ser reutilizadas. Tudo era aplicado em 15 seções diferentes e em várias horas, claro. E tudo isso quase nem aconteceu: o maquiador e artista visual Christopher Tucker foi chamado uma semana antes do início das filmagens para salvar a produção, porque o diretor David Lynch tentou ele mesmo criar a maquiagem, sem qualquer sucesso.

    Quando os nomeados para o Oscar de 1981 vieram, foi surpresa geral que o O Homem Elefante não tivesse sido reconhecido por seus efeitos de maquiagem de caracterização; por outro lado, até então não existia nenhuma categoria que premiasse esses profissionais. Após muita polêmica e cartas de reclamações, a Academia criou um ano mais tarde o prêmio de Melhor Maquiagem, que atualmente foi atualizada para Melhor Maquiagem e Penteado.

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    A Hora do Pesadelo (1984)

    Pelas mãos do mestre do terror moderno, Wes Craven (Pânico 1 e 2), surge a sensacional e horripilante saga de Freddy Krueger (Robert Englund), que até hoje permanece um ícone do gênero no cinema. Inclusive, sua maquiagem ganhou até um documentário: Nightmares In The Makeup Chair com o objetivo analisar, de maneira aprofundada, o processo de aplicação de maquiagem que dá vida ao célebre vilão da franquia A Hora do Pesadelo.

    Ao longo dos anos, muitos artistas passaram pela franquia e foram responsáveis pelas icônicas queimaduras que formam o visual horripilante de Freddy, são eles:

    • Kathryn Fenton, maquiadora em A Hora do Pesadelo (1984);
    • Bart J. Mixon, maquiador em A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy (1985) e A Hora do Pesadelo 4 (1988);
    • Robert Kurtzman, maquiador em A Hora do Pesadelo 3: Os Guerreiros dos Sonhos (1987) e A Hora do Pesadelo 5: O Maior Horror de Freddy (1989);

    A Mosca (1986)

    A Era Dourada dos Efeitos Práticos já havia dominado as sequências monstruosas de transformação com filmes como Um Lobisomem Americano em Londres (1981), O Enigma do Outro Mundo (1982) e muitos outros. E foi exatamente quando os fãs de terror pensaram que já tinham visto de tudo, que o artista de efeitos especiais de criatura Chris Walas e sua equipe começaram a criar a transição gradual de Seth Brundle (Jeff Goldblum) para um inseto, uma criatura diferente de qualquer outra coisa já havia sido vista (sim, a mosca é um remake, mas os efeitos não podem ou devem ser comparados).

    O resultado foi um design de criatura e efeitos de maquiagem que imprimiram um realismo impressionante ao conto trágico de David Cronenberg e deram a Walas e Stephan DuPuis (supervisor de maquiagem) um Oscar de Melhor Maquiagem.

    Mais de 30 técnicos projetaram e criaram mais de duas dúzias de diferentes efeitos especiais de maquiagem, plataformas e fantoches, e só tinham cerca de três meses de planejamento de pré-produção para trabalhar. Depois que Brundle foi escalado, a equipe teve menos de um mês para conseguir que a maquiagem de Goldblum fosse projetada, moldada e personalizada para o ator.

    PUBLICAÇÃO RELACIONADA – TBT #134 | A Mosca (1986, David Cronenberg)

    X-Men (2000)

    Na trilogia original dos X-Men, a atriz Rebecca Romijn passava por um processo de sete a oito horas de maquiagem todos os dias. Próteses azuis de silicone cobriam cerca de dois terços do corpo da atriz (coladas somente nas bordas, algo inédito na época e mais rápido e simples, por incrível que pareça), enquanto o resto era feito de pintura. E a vida dela não era nada fácil: como ela praticamente não usava roupas, era preciso manter a atriz aquecida com secadores de cabelo no set – roupas e cobertores podiam danificar a maquiagem.

    Ann Brodie foi a responsável pela equipe de maquiagem do primeiro filme da franquia.

    O Grinch (2001)

    O maquiador Rick Baker e sua equipe criaram a caracterização do Grinch. Recentemente, Jiim Carrey contou em uma entrevista o pesadelo que vivia durante as filmagens, revelando que um especialista que treina agentes da CIA foi contratado para ajudá-lo a passar pela tortura da maquiagem. Jim precisou passar por quase nove horas de maquiagem para virar o personagem.

    Monster: Desejo Assassino (2003)

    Em Monster: Desejo Assassino, a bela atriz Charlize Theron ficou com uma aparência acabada para viver uma mulher assassina e psicótica. Fora ganhar bastante peso para a interpretação, ela passou por uma transformação radical.

    Para o papel, ela precisou deixar o cabelo ensebado, depilar as sobrancelhas e usar dentes falsos e lentes de contato para parecer mais feia. A pele “furada” e com um tom descolorido foi feita com camadas e mais camadas de tinta de tatuagem e outros materiais.

    Toni G foi o chefe da equipe de maquiagem do longa.

    O Labirinto do Fauno (2006)

    O filme inteiro é um show de efeitos especiais e maquiagem, assim como qualquer outra produção de Guillermo del Toro. Em O Labirinto do Fauno, é a criatura do título quem mais se destaca: a transformação exigiu tecnologias criadas especialmente para a película.

    Quem viveu o fauno foi Doug Jones, famoso por realizar captura de movimentos e usar fantasias em outras produções. Parte da fantasia era um animatrônico controlado por computador, mas tudo exigia interpretação do ator. Os chifres pesavam mais de 4 quilos e a roupa de látex não era nada confortável, além do fauno, no mesmo filme Jones também deu vida ao sombrio monstro do banquete.

    PUBLICAÇÃO RELACIONADA – TBT #61 | O Labirinto do Fauno (2006, Guillermo Del Toro)

    O Curioso Caso de Benjamin Button (2008)

    Brad Pitt precisava de cinco horas diárias para concluir a maquiagem necessária para o personagem Benjamin Button. O conto de F. Scott Fitzgerald, no qual O Curioso Caso de Benjamin Button foi baseado, foi inspirado na famosa frase de Mark Twain: “A vida seria infinitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80 anos e gradualmente chegar aos 18”.

    O filme foi um sucesso e no Oscar, venceu em três categorias das dez que foi indicado.


    Curte maquiagem? Leia também:

    CRÍTICA – Glow Up (4ª temporada, 2022, Netflix)

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